Zona Euro

Centeno atribui desaceleração da economia na zona euro a “Brexit” e tensões comerciais

Mário Centeno reviu em baixa o ritmo do crescimento na zona euro e do PIB português para este ano, antecipando uma expansão de 1,7%, abaixo da estimativa de 2,2% do Governo.

O Eurogrupo reúne-se esta segunda-feira em Bruxelas tendo em agenda as previsões económicas de inverno da Comissão Europeia

OLIVIER HOSLET/EPA

O presidente do Eurogrupo, Mário Centeno, atribuiu esta segunda-feira a desaceleração do crescimento da economia, confirmada pelas previsões da Comissão Europeia na semana passada, a “riscos políticos acumulados na Europa” devido ao Brexit e às tensões comerciais.

Falando esta segunda-feira em Bruxelas, à entrada para a reunião do Eurogrupo, o responsável reagiu às previsões económicas de inverno publicadas na última quinta-feira pela Comissão Europeia, que procedeu a uma revisão em baixa do ritmo do crescimento na zona euro (estima agora que se fique pelos 1,3% em 2019) e também do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) português para este ano, antecipando uma expansão de 1,7%, abaixo da estimativa de 2,2% do Governo.

“Todos sabemos que representam uma desaceleração do crescimento [económico] na Europa e que essa desaceleração está muito associada aos riscos políticos acumulados na Europa, em particular os que estão relacionados com o Brexit e às tensões comerciais”, declarou Mário Centeno.

Ressalvando que “hoje as estruturas na área do euro são muito mais fortes do que eram antes da crise”, o também ministro das Finanças português vincou que “a Europa sabe que pode e deve continuar a fazer melhor”. “Fizemos inúmeras reformas e sabemos que podemos melhorar bastante e devemos fazê-lo”, salientou.

O Eurogrupo reúne-se esta segunda-feira em Bruxelas tendo em agenda as previsões económicas de inverno da Comissão Europeia, mas também discussões sobre a vigilância pós-programa a Portugal e sobre um instrumento orçamental para a convergência na zona euro.

Numa reação às previsões publicada no Twitter, na quinta-feira, Mário Centeno pediu para não se “retratar” a desaceleração económica como “crise”, e solicitou medidas dos governos europeus contra “os riscos”.

No que toca à vigilância pós-programa a Portugal, no final desta missão, os peritos da Comissão Europeia alertaram para o risco “significativo” de desvio das metas orçamentais e recomendaram prudência na política orçamental, devido à particular vulnerabilidade a choques justificada pelo “elevado rácio da dívida pública”.

A vigilância pós-programa aos países que tiveram ajuda externa tem início automaticamente após o fim do programa de assistência (2014, no caso de Portugal) e prossegue até que, pelo menos, 75% dos empréstimos tenham sido pagos aos credores.

Falando sobre este ponto da agenda do Eurogrupo, Mário Centeno sublinhou que Portugal — assim como Irlanda, país sobre o qual também haverá debate — são “países que saíram da crise com melhores condições económicas, sociais e orçamentais”, espelhando, assim, a “estabilidade e crescimento” da Europa.

Esta segunda-feira, o fórum de ministros das Finanças da zona euro irá ainda pronunciar-se sobre a candidatura única do governador do banco central irlandês, Philip Lane, à sucessão do alemão Peter Praet na Comissão Executiva do Banco Central Europeu (BCE).

Por fim, e como tem vindo a suceder em todas as últimas reuniões do Eurogrupo, os trabalhos terminam com um encontro alargado aos restantes Estados-membros (o chamado “formato inclusivo”), para uma nova discussão sobre o aprofundamento da União Económica e Monetária, desta feita centrada num instrumento orçamental para a convergência e competitividade.

Mário Centeno recebeu, em dezembro passado, um mandato dos chefes de Estado e de Governo da zona euro para trabalhar numa proposta de uma capacidade orçamental própria para a convergência na zona euro, que é suposto ser apresentada em junho de 2019, e que o primeiro-ministro, António Costa, sublinha tratar-se de “uma prioridade claramente afirmada por Portugal”.

    Se tiver uma história que queira partilhar ou informações que considere importantes sobre abusos sexuais na Igreja em Portugal, pode contactar o Observador de várias formas — com a certeza de que garantiremos o seu anonimato, se assim o pretender:

  1. Pode preencher este formulário;
  2. Pode enviar-nos um email para abusos@observador.pt ou, pessoalmente, para Sónia Simões (ssimoes@observador.pt) ou para João Francisco Gomes (jfgomes@observador.pt);
  3. Pode contactar-nos através do WhatsApp para o número 913 513 883;
  4. Ou pode ligar-nos pelo mesmo número: 913 513 883.

Agora que entramos em 2019...

...é bom ter presente o importante que este ano pode ser. E quando vivemos tempos novos e confusos sentimos mais a importância de uma informação que marca a diferença – uma diferença que o Observador tem vindo a fazer há quase cinco anos. Maio de 2014 foi ainda ontem, mas já parece imenso tempo, como todos os dias nos fazem sentir todos os que já são parte da nossa imensa comunidade de leitores. Não fazemos jornalismo para sermos apenas mais um órgão de informação. Não valeria a pena. Fazemos para informar com sentido crítico, relatar mas também explicar, ser útil mas também ser incómodo, ser os primeiros a noticiar mas sobretudo ser os mais exigentes a escrutinar todos os poderes, sem excepção e sem medo. Este jornalismo só é sustentável se contarmos com o apoio dos nossos leitores, pois tem um preço, que é também o preço da liberdade – a sua liberdade de se informar de forma plural e de poder pensar pela sua cabeça.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Moçambique

A extradição de Chang e o futuro da Frelimo

Manuel Matola

Apesar da complexidade do caso e da gravidade das acusações contra Manuel Chang, uma eventual extradição para Moçambique garantiria de que o processo-crime que corre em Maputo teria uma morte natural.

Governo

A famiglia não se escolhe? /premium

Alberto Gonçalves
248

Se ainda não se restringiu o executivo aos parentes consanguíneos ou afins do dr. Costa, eventualidade que defenderia com empenho, a verdade é que se realizaram amplos progressos na área do nepotismo

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)