Tomás Correia vai impugnar a decisão do Banco de Portugal, anunciada esta quinta-feira, que lhe aplicou uma multa de 1,25 milhões de euros, disse ao Observador fonte da Associação Mutualista Montepio Geral (AMMG). Tomás Correia é o atual presidente da mutualista, mas a multa do supervisor da banca diz respeito à sua passagem pela Caixa Económica Montepio Geral, antiga designação do Banco Montepio.

Em causa estão irregularidades graves praticadas entre 2009 e 2014, período em que Tomás Correia estava à frente da Caixa Económica Montepio. O presidente da associação mutualista diz que vai recorrer da decisão do Banco de Portugal, que também multou outros sete administradores.

A mesma fonte oficial disse que a decisão do supervisor não pressupõe qualquer inibição de Tomás Correia de exercer funções na banca nem na própria mutualista. A idoneidade do presidente da AMMG tem vindo a ser questionada  — antes e depois das eleições que se realizaram no final do ano passado — devido a vários investigações no Banco de Portugal e no Ministério Público. Uma das investigações dizia respeito a empréstimos ao empresário José Guilherme, que terá conseguido no banco da associação mutualista créditos no valor de 8,5 milhões de euros, tendo depois pago o mesmo valor a Ricardo Salgado.

Os empréstimos em causa na decisão do Banco de Portugal, sublinhou a fonte oficial do presidente da Mutualista, dizem respeito a créditos entre empresas do grupo Montepio. Tomás Correia não se mostrou disponível para prestar mais esclarecimentos.

A notícia da multa aplicada a Tomás Correia pelo Banco de Portugal foi avançada esta quinta-feira pelo jornal Público e confirmada pelo Observador. A multa, no valor de 1,25 milhões de euros, foi-lhe aplicada por sete ilícitos. Além de Tomás Correia, foram multados outros sete antigos membros da sua equipa, no entanto com coimas menores.

A decisão da entidade liderada por Carlos Costa surge na sequência de uma ação que teve inicio no verão de 2014, com a audiência forense à Caixa Económica Montepio Geral.