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Exames a “doentes urgentíssimos” anulados na Unidade de Medicina Nuclear da Madeira. Administração repudia acusações

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O responsável pela Unidade de Medicina Nuclear da Madeira referiu ainda que esta quinta-feira tinha 5 doentes (4 com melanoma e um com cancro da mama) e na sexta outros seis com doença óssea.

O responsável da Unidade de Medicina Nuclear do Serviço Regional de Saúde da Madeira sublinhou que não recebeu "qualquer notificação" da administração

ANDREAS GEBERT/EPA

A presidente do conselho de administração do Serviço Regional de Saúde da Madeira (Sesaram) repudiou esta quinta-feira as críticas feitas pelo responsável da Unidade de Medicina Nuclear do Hospital do Funchal e sublinhou que nenhuma cirurgia foi cancelada.

Em declarações aos jornalistas, no Funchal, Tomásia Alves considerou que as acusações de Rafael Macedo ao serviço e a alguns colegas são “infundadas, falsas e injuriosas”, e referiu que “hoje [quinta-feira, 21] foram suspensos os exames de medicina nuclear porque houve ausência do médico responsável pela unidade nos últimos dois dias”. “E nós não tínhamos informação se ele hoje [quinta-feira, 21] viria ou não ao serviço”, referiu.

Por isso, foi decidido “suspender os exames esta quinta-feira de forma a que estejam reunidas todas as condições para a serenidade da prestação” dos serviços prestados, mas “nenhum doente é prejudicado, todas as situações estão acauteladas, nenhuma cirurgia foi cancelada”.

Esta quinta-feira, o conselho de administração do Sesaram convocou a comunicação social para “reiterar a confiança total e inequívoca no seu corpo clínico e restantes profissionais” dos serviços do Hospital do Funchal.

E repudia as acusações infundadas, falsas e injuriosas do doutor Rafael Macedo, proferidas no âmbito da comissão parlamentar de inquérito da Assembleia Legislativa da Madeira”, declarou a presidente deste órgão, Tomásia Alves, lendo um comunicado.

A responsável salientou ser “inequívoca a idoneidade, competência dos profissionais de saúde” do hospital que “asseguram com maior dedicação, competência e zelo a prestação dos cuidados aos utentes”.

A administração também expressou “publicamente a sua total confiança em todos os médicos desta instituição e demais profissionais, com destaque para os diretores de serviço que foram alvo de referência” na comissão parlamentar de inquérito.

As acusações infundadas de irresponsabilidade são uma ofensa à instituição e aos seus profissionais, com repercussões na credibilidade e confiança, e serão alvo das medidas adequadas”, sublinhou.

Quanto questionada sobre a eventual suspensão de Rafael Macedo, Tomásia Alves mencionou apenas que decorre um inquérito e que “os procedimentos estão previstos na lei e são esses que vão ser acautelados”.

Se houver matéria para continuar, vai continuar; se houver para continuar a trabalhar, vai trabalhar; se houver matéria para suspensão, é isso que vai acontecer”, argumentou.

Contudo, destacou não existir “nenhuma intenção determinada para fazer A ou B”.

O médico, referiu a responsável, “está em funções” e “os exames serão retomados quando forem devolvidas a serenidade dos profissionais para garantir qualidade dos registos, a segurança dos doentes e a integridade dos profissionais e dos utentes”.

Médico denúncia exames a “doentes urgentíssimos” anulados

A denúncia foi feita pelo responsável da Unidade de Medicina Nuclear do Serviço Regional de Saúde da Madeira (Sesaram), Rafael Macedo, que esta quinta-feira confirmou que foram anulados, na quinta e na sexta-feira, exames e cirurgias a “doentes urgentíssimos”.

Não recebi qualquer notificação do Sesaram. Hoje de manhã, [quinta-feira, 21] quando aqui cheguei, estavam a mudar fechaduras e foram anulados os exames e o bloco operatório. Não sei o que se passa, nem a administração contacta comigo”, disse à Lusa.

“Não tenho doentes hoje [quinta-feira, 21] e amanhã [sexta-feira, 22] e são doentes urgentíssimos”, acrescentou.

Rafael Macedo referiu ainda que esta quinta-feira tinha cinco doentes (quatro com melanoma e um com cancro da mama) e na sexta-feira seis outros doentes oncológicos com doença óssea. O responsável entende que “o objetivo é destruir o serviço”, expulsá-lo e “possivelmente entregar” a Unidade de Medicina Nuclear à Quadrantes (clínica privada).

O coordenador da Unidade de Medicina Nuclear do Hospital Central do Funchal, afirmou na quarta-feira que o setor público tem capacidade para prestar “mais e melhor” serviço, e vincou que muitos utentes continuam a ser encaminhados para o privado.

Numa audição parlamentar na Assembleia Legislativa Regional na quarta-feira, Rafael Macedo acusou também “alguns colegas” de “forte negligência” e de fornecerem tratamentos que “não são adequados”, apontando ainda deficiências nas fichas clínicas e no registo de doentes.

Denunciei a situação à Ordem do Médicos relativamente às várias irregularidades”, disse aos deputados da Comissão Eventual de Inquérito ao Funcionamento da Unidade de Medicina Nuclear do Serviço de Saúde da Madeira, constituída a pedido da maioria social-democrata, na sequência uma reportagem da TVI transmitida em fevereiro.

A investigação jornalística concluiu que o Hospital do Funchal encaminhava pacientes para fazer exames de medicina nuclear numa clínica privada, enquanto a sua própria unidade, inaugurada em 2013 e certificada em 2017, estava “praticamente parada”.

Rafael Macedo reafirmou que o serviço público continua a encaminhar utentes para o serviço privado, vincando ainda que existem serviços do Sesaram que funcionam “muito mal”, nomeadamente Hemato-Oncologia, Urologia e Ortopedia.

Alguns colegas, de facto, são negligentes”, referiu.

O coordenar da Unidade de Medicina Nuclear explicou, por outro lado, que está habilitado para fazer 63 tipos de exames, mas efetivamente executa apenas dois, pelo que só utiliza 15% do seu tempo em serviço, reconhecendo, no entanto, que em 2018 apenas dois exames desses tipos foram feitos no setor privado.

Rafael Macedo precisou que, por este prisma, a Unidade de Medicina Nuclear está a funcionar a 100%, tendo realizado cerca de 1.000 exames desde 2017, mas insistiu que tem capacidade para executar 2.800 por ano. “Portugal é o país da Europa menos evoluído em termos de medicina nuclear”, considerou.

Entre 2009 e 2018, o Governo Regional da Madeira pagou 22 milhões de euros a uma clínica do grupo Joaquim Chaves Saúde para a prestação de serviços, sendo que um milhão e 550 mil euros visou a área da medicina nuclear e o restante — mais de 90% — cuidados de radioterapia, um serviço de que o setor público não dispõe.

Foi este contrato que lançou suspeitas na opinião pública e motivou a constituição da Comissão Eventual de Inquérito ao Funcionamento da Unidade de Medicina Nuclear, formada por deputados do PSD, PS, CDS-PP, BE e JPP, e com um prazo máximo de funcionamento de 120 dias.

Os trabalhos da comissão prosseguem hoje com a audição do diretor clínico da Clínica de Radioncologia da Madeira, Guy Vieira, e dos diretores do Serviço de Hemato-Oncologia e Endocrinologia do Sesaram, Fernando Aveiro e Silvestre Abreu.

Serviço de Saúde da Madeira repudia acusações de médico e diz não haver cirurgias canceladas

A presidente do conselho de administração do Serviço Regional de Saúde da Madeira (Sesaram) repudiou as críticas feitas pelo responsável da Unidade de Medicina Nuclear do Hospital do Funchal e sublinhou que nenhuma cirurgia foi cancelada.

Em declarações aos jornalistas, no Funchal, Tomásia Alves considerou que as acusações de Rafael Macedo ao serviço e a alguns colegas são “infundadas, falsas e injuriosas”, e referiu que “hoje foram suspensos os exames de medicina nuclear porque houve ausência do médico responsável pela unidade nos últimos dois dias”. “E nós não tínhamos informação se ele hoje viria ou não ao serviço”, referiu.

Por isso, foi decidido “suspender os exames hoje [quinta-feira] de forma a que estejam reunidas todas as condições para a serenidade da prestação” dos serviços prestados, mas “nenhum doente é prejudicado, todas as situações estão acauteladas, nenhuma cirurgia foi cancelada”.

A responsável salientou ser “inequívoca a idoneidade, competência dos profissionais de saúde” do hospital que “asseguram com maior dedicação, competência e zelo a prestação dos cuidados aos utentes”. A administração também expressou “publicamente a sua total confiança em todos os médicos desta instituição e demais profissionais, com destaque para os diretores de serviço que foram alvo de referência” na comissão parlamentar de inquérito.

As acusações infundadas de irresponsabilidade são uma ofensa à instituição e aos seus profissionais, com repercussões na credibilidade e confiança, e serão alvo das medidas adequadas”, sublinhou.

Quanto questionada sobre a eventual suspensão de Rafael Macedo, Tomásia Alves mencionou apenas que decorre um inquérito e que “os procedimentos estão previstos na lei e são esses que vão ser acautelados”. “Se houver matéria para continuar, vai continuar; se houver para continuar a trabalhar, vai trabalhar; se houver matéria para suspensão, é isso que vai acontecer”, argumentou. Contudo, destacou não existir “nenhuma intenção determinada para fazer A ou B”.

O médico, referiu a responsável, “está em funções” e “os exames serão retomados quando forem devolvidas a serenidade dos profissionais para garantir qualidade dos registos, a segurança dos doentes e a integridade dos profissionais e dos utentes”.

Entre 2009 e 2018, o Governo Regional da Madeira pagou 22 milhões de euros a uma clínica do grupo Joaquim Chaves Saúde para a prestação de serviços, sendo que um milhão e 550 mil euros visou a área da medicina nuclear e o restante – mais de 90% – cuidados de radioterapia, um serviço de que o setor público não dispõe.

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