Rádio Observador

Rui Rio

Rui Rio reage às relações familiares no Governo: “O Conselho de Ministros parece uma ceia de Natal”

734

Para Rui Rio, o Governo "põe à frente, em muitas circunstâncias, as relações pessoais e não exatamente a competência". "Um primo aqui, um irmão e a mulher acolá", criticou o presidente do PSD.

Rui Rio falou aos jornalistas à entrada de uma reunião, à porta fechada, com militantes do distrito de Viana do Castelo

ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

O presidente do PSD, Rui Rio, considerou esta segunda-feira que “pior” do que relações familiares dentro do Governo é o PS entender ser “normal”, considerando que esta “forma de governar o país é altamente descredibilizadora”. “O mal é que o presidente do PS entende que isso é normal. Isso é que me parece ser o pior”, afirmou Rui Rio, quando confrontado pelos jornalistas com a resposta do também líder parlamentar do PS, Carlos César, às críticas do Bloco de Esquerda sobre o assunto.

O mal é achar normal que o Governo, e depois tudo o que anda à volta do Governo, ande à volta, também, de laços familiares. Um primo aqui, um irmão e a mulher acolá. Mesmo o Conselho de Ministros parece uma ceia de Natal”, reforçou, à entrada de uma reunião, à porta fechada, com militantes do distrito de Viana do Castelo.

Para Rui Rio, o Governo, liderado pelo socialista António Costa, “põe à frente, em muitas circunstâncias, as relações pessoais e não exatamente a competência”. O líder parlamentar do PS confessou ter ficado surpreendido com as críticas do BE às relações familiares dentro do Governo socialista, afirmando que os bloquistas têm “abundantes relações familiares” na sua bancada.

Não percebo como é que o Bloco de Esquerda as pode fazer, sendo um partido onde se conhece que, no seu próprio grupo parlamentar, são abundantes e diretas as relações familiares”, afirmou Carlos César, à margem das jornadas de proximidade do PS, no distrito de Portalegre, que hoje terminaram.

César foi confrontado com o conselho da coordenadora do BE, Catarina Martins, no domingo, para o PS fazer uma reflexão sobre as relações familiares dentro do executivo E foi aí que o líder parlamentar e presidente do PS disse não querer comentar “acusações em concreto”, mas que, “às vezes”, fica surpreendido com este tipo de críticas, não só do BE, mas também de comentadores como Luís Marques Mendes, na SIC.

De Marques Mendes recordou que o pai foi deputado na primeira, terceira e quarta legislatura, o próprio foi “ministro por cinco vezes”, deputado e líder parlamentar e “a sua irmã é deputada e dirigente parlamentar”. Carlos César disse ainda não ficar admirado que, “em determinadas famílias, onde essa vocação [da política] e essa proximidade se multiplica, as pessoas tenham empenhamento cívico similar”. O que “é importante, na política e na governação, é a transparência, o conhecimento dos interesses que estão em causa em todas as decisões e a competência”, afirmou.

Em dois dias seguidos, no sábado e no domingo, PSD e BE colocaram na agenda política e mediática as relações familiares entre membros do Governo, como é o caso, por exemplo, dos ministros Eduardo Cabrita e Ana Paula Vitorino (marido e mulher) e José Vieira da Silva e Mariana Vieira da Silva (pai e filha).

No sábado, em entrevista à Lusa, o cabeça-de-lista do PSD às europeias, Paulo Rangel, defendeu que o Presidente da República já devia ter avisado o primeiro-ministro para não repetir o que chama de “promiscuidades familiares” no Governo. No domingo, a coordenadora do BE aconselhou o Governo e o PS a refletirem sobre a prática de ocupação de cargos públicos por “pessoas com muitas afinidades”.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros de órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Rui Rio

Portugal continua a não ser a Grécia /premium

Rui Ramos
396

Quando a Grécia se afundava em resgates, Passos impediu que Portugal fosse a Grécia. Agora, quando a Grécia se liberta da demagogia, é Rui Rio quem impede que Portugal seja a Grécia. 

PSD

A credibilidade do choque fiscal de Rui Rio /premium

Luís Rosa
122

É difícil acreditar num corte fiscal generoso no IRS, IRC, IVA e IMI em vésperas de eleições e com projeções que indicam o arrefecimento da economia. Soa a desespero de um líder em apuros.

Serviços públicos

O melhor dislate do ano

Fernando Leal da Costa

Que mania, a dos nossos concidadãos, que insistem em usar os serviços que lhes disseram ser públicos. E, logo que precisam, vão todos ao mesmo tempo. É muito irritante.

PSD/CDS

35 horas: outro vazio de representação /premium

Alexandre Homem Cristo

PSD e CDS já não defendem a convergência dos sectores público e privado (40 horas de trabalho semanais). Quem representa, então, os eleitores que compreenderam a sua medida em 2013? Ninguém.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)