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Paris

Notre Dame. Valor de reconstrução é incalculável, mas já há 400 milhões de euros prometidos

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Milionários e empresas contribuíram com 400 milhões de euros para o fundo dedicado a reconstruir Notre Dame. Macron apela à solidariedade, e até no Parlamento Europeu se fala em juntar dinheiro.

A catedral de Notre Dame, em Paris, ardeu parcialmente num incêndio de grandes dimensões esta segunda-feira

AFP/Getty Images

Ainda é cedo para dizer quanto dinheiro será preciso para recuperar totalmente a catedral parisiense de Notre Dame, que ardeu parcialmente num incêndio de grandes dimensões nesta segunda-feira. Uma coisa é certa: não será pouco. A igreja, construída há 856 anos, tem um valor histórico incalculável e uma enorme quantidade de objetos litúrgicos e obras artísticas de grande valor. Para já, sabe-se que o órgão de tubos, um dos objetos mais valiosos da catedral, sobreviveu ao fogo que destruiu por completo o telhado e derrubou o pináculo da catedral.

[Cinzas, silêncio e um enorme buraco no teto. O que resta no interior de Notre Dame]

Porém, em menos de 24 horas, já há pelo menos 400 milhões de euros angariados para os trabalhos de reconstrução da catedral. O primeiro a oferecer apoio foi François-Henri Pinault, que é o diretor executivo do grupo Kering — dono de marcas de moda de luxo como a Gucci ou a Yves Saint Laurent. O dinheiro virá do grupo Artemis, holding detida pela família Pinault e marido da atriz Salma Hayek.

“O meu pai [François Pinault] e eu decidimos desbloquear dos fundos da Artemis uma soma de 100 milhões de euros para participar no esforço que será necessário para a reconstrução completa”, lê-se num comunicado de François-Henri Pinault citado pelo jornal francês Le Figaro. “Esta tragédia atinge todos os franceses e todos os que estão ligados aos valores espirituais. Perante uma tragédia como esta, todos desejamos devolver a vida a esta joia da nossa herança.”

[Notre Dame. O que se segue depois do fogo apagado?]

Àqueles 100 milhões juntaram-se, pouco depois, mais 200 milhões de euros, desta vez oriundos da família de Bernard Arnault. O milionário é dono do LVMH, um dos maiores grupos de marcas de luxo do mundo, que inclui marcas como a Louis Vuitton ou Moët & Chandon. Através das redes sociais, o grupo anunciou o seu compromisso em “ajudar a reconstrução desta catedral extraordinária, símbolo de França, a sua herança e a sua unidade”.

A família Arnault anunciou nas redes sociais um donativo de 200 milhões de euros para ajudar na reconstrução da catedral

A família “vai doar uma soma total de 200 milhões de euros ao fundo dedicado à reconstrução deste trabalho arquitetónico, que é uma parte central da história francesa”, lê-se no comunicado. O grupo acrescentou que colocou “à disposição do Estado e das autoridades competentes todas as suas equipas — incluindo especialistas criativos, em arquitetura e financeiros — para ajudar no longo trabalho de reconstrução e angariação de fundos, que já está em curso”.

Aos dois milionários juntou-se o grupo francês Total, que anunciou — através do seu presidente Patrick Pouyanné — que vai fazer “um donativo especial de 100 milhões de euros para a reconstrução da Notre Dame de Paris”. Quem também já anunciou um apoio foi o presidente da região administrativa francesa de Auvérnia-Ródano-Alpes, Laurent Wauquiez. A região enviará dois milhões de euros para contribuir para a reconstrução.

Os dois milionários juntam-se a uma iniciativa lançada ainda na noite de segunda-feira pelo presidente francês, Emmanuel Macron, que, em frente à catedral em chamas, declarou: “A Notre Dame de Paris é a nossa história, a nossa literatura, o nosso imaginário, o lugar onde vencemos nos grande momentos, as nossas epidemias, as nossas guerras, as nossas libertações. É o epicentro da nossa vida. Digo-vos, muito solenemente, que vamos reerguer esta catedral todos juntos. É, sem dúvida, uma parte do destino francês, e um projeto que teremos nos próximos anos. Comprometo-me: a partir de amanhã vai ser lançada uma recolha nacional, bem além das nossas fronteiras, vamos apelar aos maiores talentos, e há muitos que virão para contribuir, e nós vamos reconstruir. Vamos reconstruir Notre Dame, porque é isso que os franceses esperam, porque é o que a nossa história merece”.

Antes, já a diretora-geral da UNESCO, Audrey Azoulay, tinha manifestado disponibilidade para colaborar no processo. “Profunda emoção perante o incêndio dramático na catedral de Notre Dame, em Paris, inscrita no Património Mundial em 1991. A UNESCO está a monitorizar a situação de perto e está ao lado de França para salvaguardar e restaurar esta herança inestimável”, escreveu a responsável no Twitter.

Outro apoio, mais simbólico, chegou esta terça-feira de Estrasburgo, onde os eurodeputados estão reunidos em plenário em antecipação das eleições europeias do próximo mês. No início da reunião, o presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, pediu a todos os eurodeputados que doassem o seu salário desta terça-feira para ajudar a financiar os trabalhos de reconstrução da catedral, como explica a Associated Press. De acordo com uma estimativa feita pelo jornal espanhol La Vanguardia, se os 751 eurodeputados doassem os seus rendimentos de hoje, seria possível angariar cerca de 225.300 euros.

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