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Congressista luso-americano diz que relatório Mueller ignorou abusos do FBI

O congressista luso-americano reagiu ao relatório de Robert Mueller, considerando que este "ignorou uma série ampla de abusos" que teriam sido "cometidos durante a investigação do FBI" à campanha.

ERIK S. LESSER/EPA

O congressista luso-americano Devin Nunes reagiu à divulgação do relatório do procurador-especial Robert Mueller, considerando que este “ignorou uma série ampla de abusos” que teriam sido “cometidos durante a investigação do FBI” à campanha de Donald Trump.

Num comunicado divulgado após a publicação das 448 páginas do relatório Mueller, Nunes afirmou que a maior conclusão das investigações relacionadas com a Rússia, que caracterizou como “embuste”, é que “as capacidades de contra-inteligência da nação nunca mais devem ser abusadas para atingir os oponentes políticos de uma administração”.

O congressista luso-americano nomeou como entidades coniventes nesse “esforço” de atingir a campanha de Donald Trump os meios de comunicação social, a firma de pesquisa Fusion GPS, envolvida na elaboração do dossiê Steele, os líderes do partido Democrata no Congresso, a campanha de Hillary Clinton e líderes de agências de inteligência com inclinação partidária.

Todos “devem pedir desculpa às pessoas inocentes que difamaram e ao povo americano que enganaram”, declarou Devin Nunes, que representa o 22.º distrito da Califórnia pelo partido Republicano.

O luso-descendente sustentou a sua posição afirmando que “alegações falsas do dossiê Steele” tiveram um papel importante na nomeação de um procurador-especial e no pedido de vigilância de Carter Page, ex-conselheiro estratégico para questões internacionais da campanha de Donald Trump.

Essa conclusão, disse Nunes, “é clara” devido à revelação que o procurador especial estava autorizado desde o início a investigar Carter Page por alegado conluio com operacionais russos para influenciar as eleições presidenciais de 2016.

O luso-descendente considerou que a génese da investigação foi abusiva porque o FBI induziu em erro o tribunal que autorizou a vigilância a Carter Page, algo que acusou Mueller de ignorar no relatório.

Devin Nunes liderou o Comité de inteligência da Câmara dos Representantes enquanto o partido Republicano esteve em maioria e no relatório que elaborou concluiu não haver provas de coordenação entre a campanha de Donald Trump e a Rússia.

No programa de Sean Hannity na Fox News, o luso-descendente disse que ler o relatório Mueller será “uma perda de tempo” e na sua conta da rede social Twitter direcionou os utilizadores para o relatório publicado pelo comité que então liderava.

“Leiam um relatório real feito pelos Republicanos do Comité de Inteligência da Câmara dos Representantes – terminando há mais de um ano”, escreveu o congressista na rede social.

“Custou menos 30 milhões e não parece uma novela de má qualidade sobre espiões russos”, disse.

Após a conferência de imprensa que precedeu a divulgação do relatório de Robert Mueller, o procurador geral Bill Barr foi acusado pelos Democratas de induzir em erro o Congresso e o público com um resumo das conclusões do procurador especial que não correspondem, no seu entender, ao que pode ser agora lido no relatório final.

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