Protestos

Novo ultimato dos coletes amarelos a Macron. Mais de 200 detenções, confrontos e veículos incendiados

Mais um sábado, mais um protesto, o 23º. Há 227 detenções, confrontos e veículos incendiados. É a primeira manifestação dos coletes amarelos depois do incêndio em Notre-Dame, mas longe da catedral.

Manifestantes juntam-se em Paris pelo 23º sábado consecutivo

JULIEN DE ROSA/EPA

O movimento dos “coletes amarelos” está de volta às ruas de Paris este sábado, naquele a que chamam o “Act XXIII”. Chama-se assim porque é o 23ª sábado consecutivo em que os manifestantes saem à rua e as autoridades esperam que possa ser dos mais problemáticos desde novembro, uma vez que os organizadores também lhe deram o epíteto de “ultimato dois“. A manhã foi calma, mas ao início da tarde registaram-se os primeiros confrontos entre manifestantes e a polícia, com registo de caixotes do lixo e veículos incendiados.

Segundo o Le Parisien, que cita a polícia parisiense, já ocorreram 227 detenções — seis deles, menores de idade —, foram realizados mais de 17 mil controlos preventivos de segurança e há estações de metro fechadas. Dos detidos, 178 continuam sob custódia da polícia.

Os manifestantes foram proibidos de se aproximar da catedral Notre-Dame, parcialmente destruída por um incêndio no início da semana, numa altura que em o movimento manifesta descontentamento pela rapidez com que surgiram donativos, sobretudo oriundos de fortunas privadas, para reconstruir a catedral. Para se ter noção da dimensão do protesto, às 16h20 deste sábado já havia 189 detenções (das quais 11o continuam sob custódia da polícia), enquanto há uma semana (no 22º sábado de protesto) foram detidas 27 pessoas ao longo de todo o dia.

Quando fizeram o “ultimato um” a 16 de março — que tal como este tem várias reivindicações e, como exigência última, a demissão de Macron — os protestos subiram de tom e houve 11 feridos, 100 detidos e um restaurante histórico pilhado e incendiado. Os maiores problemas até agora registados foi entre a Bastilha e a Praça da República, onde a polícia foi obrigada a atirar gás lacrimogénio contra os manifestantes.

O presidente francês, Emmanuel Macron, recebeu — como relata o Le Figaro — o ministro do Interior, Christophe Castaner, ao meio-dia (13h00, em Lisboa) para fazer um “ponto da situação“. Na sexta-feira, Castaner tinha dito que estava preparado para que houvesse vândalos em Paris, mas também em cidades como Toulouse, Montpellier e Bordeaux.

Houve uma concentração junto ao Palais des Sports de Bercy, em Paris, e previa-se também uma manifestação que tinha um percurso previsto desde a Basílica de Saint-Denis até ao centro de Paris. Foram também proibidos dois desfiles de protesto.

O jornalista do Le Monde Pierre Bouvier regista no Twitter algumas ações de controlo da polícia e descreve que a afluência é pouca junto à Igreja Madeleine e que a mesma está a ser evacuada.

Um dos objetivos do movimento era que houvesse uma concentração junto à catedral de Notre-Dame, mas o chefe da polícia parisiense, Didier Lallement, considerou que isso seria uma “pura provocação“. Lallement lembra que continua uma romaria de turista e crentes à catedral para orações e que, por isso, “não seria razoável” haver protestos naquela zona.

Um das reivindicações dos coletes amarelos deste sábado é decisão do governo de adiar o anúncio de reformas previsto para segunda-feira devido ao incêndio que destruiu parcialmente Notre Dame. Os manifestantes instaram o Presidente francês a revelar as reformas e insurgiram-se a que promessas de centenas de milhões de euros das maiores fortunas francesas tivessem sido anunciados para ajudar a reconstruir a catedral. “É uma coisa boa este dinheiro para Notre Dame, mas quando vemos o que se pode desbloquear em algumas horas…”, resumiu Jean François Mougey, reformado da operadora ferroviária francesa, a SNCF, considerando que a resposta aos pedidos dos “coletes amarelos” de justiça social deveria ser também rápida.

Os grupos ligados aos “coletes amarelos” queriam, precisamente, manifestar a sua indignação por em tão pouco tempo serem doados milhões para a reconstrução da catedral, enquanto as suas reivindicações continuam sem resposta.

Ao todo estão envolvidos 60 mil elementos das forças de segurança na operação policial. Uma fonte policial citada pelo Figaro, antecipava que este “ultimato 2” seria “um pouco menos forte” do que o “ultimato um”. E apontava: “Não sentimos um fervilhar como se sentia a 16 de março, principalmente do lado da extrema-esquerda”. A mesma fonte policial acredita que a esquerda está a preparar-se para uma grande manifestação no dia 1 de maio, dia histórico na luta dos trabalhadores.

Por outro lado, segundo o Le Parisien, os serviços de inteligência previam que um bloco radical composto por 1500 a 2000 pessoas, composta por membros da fação “ultra-amarelos” (“ultra-jaunes”) participasse neste “ultimato 2” em Paris. Daí, a polícia continuar em alerta máximo.

O Le Monde conta que a circulação do metro de Paris também teve várias interrupções este sábado e que o município ordenou o encerramento de várias linhas (a 1, 6, 8, 9, 12 e 13). Algumas estações estão, aliás, completamente fechadas, por onde os comboios passam sem parar. Estão fechadas importantes estações para o turismo e para os habitantes de Paris, como Charles-de-Gaulle-Etoile, Madeleine ou a Opera.

Um dos motivos apontados para um enfraquecimento do movimento é o incêndio na catedral de Notre Dame. O primeiro sábado de protestos de “coletes amarelos começou a 17 de novembro de 2018. Este já é, por isso, o 23º consecutivo de protestos em que se pede: “Macron, démission”.

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