Numa altura em que cada vez mais se discute a utilização do plástico e se arranjam outras alternativas mais amigas do ambiente, um estudo realizado pela International Marine Litter Research Unit da Universidade de Plymouth, no Reino Unido, vem levantar algumas questões relativamente à verdadeira eficácia dos sacos biodegradáveis. Tudo porque, segundo as conclusões deste estudo, depois de estes sacos estarem expostos a elementos naturais pelo menos durante três anos, continuam capazes de transportar as compras.

Os investigadores britânicos decidiram examinar a degradação de sacos orgânicos, de dois tipos de sacos biodegradáveis e de sacos de plástico convencionais utilizados no Reino Unido. Para isso, os sacos foram deixados expostos em três tipos de ambiente que correspondem a condições equivalentes às existentes quando são colocados no lixo: ao ar livre, no solo e no mar.

Nove meses depois de estarem ao ar livre, todos os materiais desintegraram-se em fragmentos, mas no caso dos que foram enterrados no solo ou deixados em ambiente marinho, os sacos biodegradáveis e os convencionais permaneceram completamente funcionais como sacos de transporte após três anos. Já o saco orgânico desapareceu completamente do equipamento de teste em ambiente marinho, mas ainda estava presente no solo após 27 meses, ainda que com alguma deterioração e impossibilidade de transportar materiais sem se romper.

Os autores do estudo defendem que a investigação vem colocar uma série de questões relativas ao uso dos sacos biodegradáveis, uma vez que prova que não desaparecem tão rápido como se pensava e nem todos oferecem uma taxa de de degradação suficientemente avançada para serem uma solução eficaz.

Após três anos, fiquei realmente surpreendida pelo facto de que qualquer um dos sacos pudesse carregar vários tipos de compras. O facto de um saco biodegradável também fazer isso foi o mais surpreendente. Quando vemos algo catalogado dessa forma, assumimos automaticamente que se vai degradar mais rápido do que os sacos convencionais. Mas, depois de pelo menos três anos, a nossa investigação mostra que pode não ser esse o caso”, explicou Imogen Napper, a investigadora que liderou o estudo.

No estudo, os investigadores citam também um relatório da Comissão Europeia realizado em 2013 que indicava que cerca de 100 mil milhões de sacos de plástico foram entregues cada ano, embora vários governos tenham introduzido taxas para esses sacos, como é o caso de Portugal. Para o responsável da International Marine Litter Research Unit, esta pesquisa “levanta um número de questões sobre o que é que o público pode esperar quando vê algo rotulado como biodegradável”.

“Demonstramos aqui que os materiais testados não apresentam nenhuma consistência, fiabilidade e vantagem relevante no contexto de ambiente marinho. Preocupa-me que estes novos materiais também sejam um desafio na reciclagem”, sublinhou Richard Thompson, acrescentando que o estudo “enfatiza a necessidade de novos standards no que diz respeito a materiais biodegradáveis”.

No mês passado, o Parlamento Europeu aprovou uma nova lei comunitária que proíbe a venda de produtos de plástico de utilização única em toda a União Europeia a partir de 2021. As novas regras proíbem certos produtos de plástico descartáveis para os quais existem alternativas, como pratos, talheres, cotonetes, palhinhas, agitadores para bebidas, varas para balões, produtos de plásticos oxodegradáveis e recipientes para alimentos e bebidas de poliestireno expandido.