Papa Francisco

Papa Francisco na Bulgária. A Igreja é “uma casa de portas abertas” aos refugiados

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O Papa Francisco esteve dois dias na Bulgária, cujo Governo tem fortes ideias anti-migrantes, e dedicou quase toda a visita ao tópico dos refugiados. Esta manhã, partiu para a Macedónia do Norte.

O Papa Francisco durante uma visita ao centro de acolhimento de refugiados Vrazhdebna

AFP/Getty Images

O Papa Francisco aterrou esta manhã na Macedónia do Norte para concluir a sua 29.ª viagem apostólica, que começou no domingo na Bulgária. O líder da Igreja Católica descolou esta manhã do aeroporto internacional de Sófia, capital búlgara, com destino a Escópia, capital da Macedónia do Norte, após dois dias em solo búlgaro nos quais se focou essencialmente nas questões das migrações e do diálogo com as comunidades ortodoxas.

À chegada a Escópia, o Papa Francisco vai ser recebido no palácio presidencial para um encontro com as autoridades políticas e os representantes diplomáticos do país — dois dias após os eleitores terem ido às urnas para a segunda ronda das eleições presidenciais que resultaram na escolha de Stevo Pendarovski para presidente da Macedónia do Norte. Francisco será, porém, recebido pelo atual presidente, Gjorge Ivanov, cujo mandato ainda não terminou.

Do programa de Francisco para esta terça-feira fazem parte ainda uma visita ao memorial a Madre Teresa de Calcutá, que nasceu em Escópia em 26 de agosto de 1910, uma missa no centro da cidade, encontros com religiosos católicos e ainda um encontro ecuménico e inter-religioso — antes de regressar a Roma no final do dia.

Na Bulgária, o Papa Francisco pediu aos católicos daquele país que “não fechem os olhos, o coração nem as mãos” aos migrantes. Perante Rumen Radev, presidente de um país que construiu uma vedação em arame farpado na fronteira com a Turquia para evitar a entrada de migrantes no seu território, o Papa Francisco pediu ao povo búlgaro que abrisse as portas a quem precisa.

Experiência dos migrantes é “cruz para a humanidade”

O Papa argentino foi claro na mensagem que quis passar naquele país, ao incluir no programa da sua viagem uma visita a um centro de acolhimento de migrantes. Francisco fez questão de cumprimentar pessoalmente cada um dos 50 migrantes que residem naquela antiga escola que em 2013 foi remodelada pela Cáritas para acolher refugiados.

“Não é fácil deixar a vossa terra e inserir-se noutra”, disse Francisco aos migrantes. “Hoje, a experiência dos migrantes e dos refugiados é como uma cruz, uma cruz para a humanidade, e a cruz de muitas pessoas que sofrem”, disse-lhes, ao mesmo tempo que lhes agradecia pela “alegria” que demonstravam nesse caminho de sofrimento, segundo a reportagem do Crux no local.

No discurso às autoridades políticas búlgaras, o Papa Francisco sublinhou que aquele país “sempre se distinguiu por ser uma ponte entre o Leste e o Oeste, capaz de favorecer o encontro entre diferentes culturas, grupos étnicos, civilizações e religiões que durante séculos aqui viveram em paz”.

O líder da Igreja Católica durante a visita ao centro de acolhimento de refugiados (ANDREAS SOLARO/AFP/Getty Images)

Mais tarde, depois da visita ao centro de acolhimento de refugiados, o Papa Francisco falou aos católicos búlgaros lembrando que a Igreja é “uma família entre as famílias, aberta a ser testemunha do mundo de hoje (…), aberta à fé, à esperança e ao amor pelo Senhor e por aqueles por quem ele tem um amor preferencial. Uma casa de portas abertas”.

Lembrando o seu encontro com os refugiados “de vários países que estão à procura de um sítio melhor para viver do que aquele que deixaram”, o Papa Francisco advertiu os búlgaros de que “para amar alguém não há necessidade de pedir o currículo”, porque o amor “dá o primeiro passo” e “é gratuito”.

“Ver com os olhos da fé é um convite a não passar a vida a colocar rótulos, a classificar aqueles que merecem o amor e os que não merecem, mas sim a tentar criar condições nas quais cada pessoa se possa sentir amada, especialmente aqueles que se sentem esquecidos por Deus porque são esquecidos pelos seus irmãos e irmãs”, descreveu Francisco.

“Ecumenismo dos pobres”

O outro tema que marcou a passagem de Francisco pela Bulgária foi o ecumenismo e o diálogo inter-religioso. Num país em que os católicos representam menos de 1% de uma população maioritariamente ortodoxa — mas também com uma significativa parcela de muçulmanos —, o Papa encontrou-se com líderes da Igreja Ortodoxa Búlgara para pedir que as várias confissões cristãs estejam unidas em benefício dos mais pobres.

“Somos chamados a caminhar e agir juntos de modo a sermos testemunhas do Senhor, particularmente ao servir os mais próximos e os mais negligenciados dos nossos irmãos e irmãos”, disse o Papa aos líderes ortodoxos, apelando a um “ecumenismo dos pobres”, mais do que um “ecumenismo do sangue”.

A Igreja Ortodoxa Búlgara tem mantido relações de proximidade com a Santa Sé — tendo enviado uma delegação de observadores ao Concílio Vaticano II, nos anos 60, e enviando representantes ao Vaticano anualmente para as celebrações dos santos Cirilo e Metódio. Porém, tal como a Igreja Ortodoxa Russa, a Igreja búlgara não tem relações formais de diálogo inter-religioso com a Igreja Romana. “Estou confiante de que, com a ajuda de Deus, e no seu bom tempo, estes contactos terão um efeito positivo em muitas outras dimensões do nosso diálogo”, sublinhou Francisco.

O Papa Francisco durante a celebração da primeira comunhão de 245 crianças católicas búlgaras (ANDREAS SOLARO/AFP/Getty Images)

O Papa Francisco escutou também o patriarca ortodoxo da Bulgária, Neófito, que confirmou o “respeito” mútuo entre as duas igrejas, mas sublinhou que a história da divisão entre os católicos e os ortodoxos ainda não foi analisada “de forma imparcial” e as “conclusões necessárias ainda não foram alcançadas”.

Como forma de incentivar a pequena comunidade católica búlgara, o Papa Francisco presidiu ainda a uma celebração em que deu a primeira comunhão a cerca de 245 crianças católicas do país. A missa contou com a participação de pouco mais de 10 mil pessoas.

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