Duarte Nuno Vieira, um dos maiores especialistas forenses do mundo, integrou a equipa que visitou Julian Assange na prisão para fazer um exame pericial e clínico ao fundador do WikiLeaks. O exame procurou determinar a condição física e psicológica de Assange e o médico português teve a companhia do professor Nils Melzer, relator especial das Nações Unidas contra a tortura.

Em declarações à SIC na noite desta sexta-feira, Duarte Nuno Viera explicou que o exame procurou averiguar se houve algum tipo de maus tratos infligidos a Assange e se as situações a que este esteve sujeito constituíram “uma condição cruel”. A visita ocorreu no âmbito do mandato de Melzer, que quis avaliar o estado de Assange e saber se o australiano está em condição de comparecer à Justiça e capaz de se defender.

“O exame envolveu uma entrevista, exames clínicos, testes psicológicos e psiquiátricos”, disse o médico. Duarte Nuno Viera referiu que o exame, realizado na quinta-feira, permite proporcionar a Melzer uma opinião médica “independente, objetiva, isenta, que lhe permita ficar conhecedor da real condição de Assange”.

Duarte Nuno Viera não especificou os resultados do exame ou em que estado físico e mental se encontra Assange. O médico também não revelou se os exames mostraram evidências de tortura mas comentou o confinamento a que o australiano esteve sujeito durante sete anos.

“Este tipo de isolamento, num espaço de 30 metros quadrados, acaba por levar a condicionalismos que causam danos de natureza neuropsicológica, alterações na concentração, memória, percepção, mas também perturbações físicas, tremores, problemas cutâneos, dores”, especificou.

Duarte Nuno Vieira referiu que será agora elaborado um relatório com os resultados do exame, que será entregue ao relator especial da ONU. Em declarações à SIC, o médico forense revelou que sugeriu tratamentos para Assange e que pode realizar nova visita ao fundador da WikiLeaks. “Tudo dependerá do que o relator entender mais adequado e pertinente”, referiu.

Julian Assange foi detido dia 11 de abril na Embaixada do Equador em Londres, onde estava exilado. Cumpre uma pena de prisão de 50 semanas cadeia de Belmarsh, em Londres, por ter violado a medida de coação condicional que lhe tinha sido aplicada em 2012.