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"Rapharis", o conceito criado por Bruno Lage que tem uma saúde de Ferro (a crónica do Rio Ave-Benfica)

Este artigo tem mais de 2 anos

Em dia de aniversário Bruno Lage só soprou as velas no fim mas teve várias prendas na vitória do Benfica com o Rio Ave (3-2): da dupla ofensiva que criou, do central que lançou e dos erros contrários.

Benfica passou teste em Vila do Conde frente ao Rio Ave e ficou apenas a um ponto da conquista do título
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Benfica passou teste em Vila do Conde frente ao Rio Ave e ficou apenas a um ponto da conquista do título

HUGO DELGADO/LUSA

Benfica passou teste em Vila do Conde frente ao Rio Ave e ficou apenas a um ponto da conquista do título

HUGO DELGADO/LUSA

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Em condições normais, e se recuássemos ao início do ano, Bruno Lage estaria este domingo a comemorar o seu 43.º aniversário em família, quiçá a ver uns episódios dos Super Wings com o filho que fez recentemente quatro anos, descansado da vida. Seria mais um aniversário, sem jogo nem treino (o Benfica B defrontou este sábado o já despromovido V. Guimarães B), diferente do que festejou em 1994 – é verdade, o técnico fez 18 anos dois dias antes do célebre 6-3 dos encarnados em Alvalade frente ao rival Sporting que decidiu o título com hat-trick de João Vieira Pinto – mas pelo menos sem ter de trabalhar. Mas, pouco mais de quatro meses depois, a vida de Bruno Lage mudou. E foi a mudança de vida de Bruno Lage que mudou o Benfica.

Benfica vence Rio Ave por 3-2 em Vila do Conde e está a um ponto do título

“Aqui nã0 há festa nenhuma, é uma coisa de cada vez. Pode haver um clima de festa lá fora, pode dizer-se que as coisas já estão consolidadas, mas cá dentro não há nada. Nem a festa dos 43 anos, estamos apenas focados no nosso jogo”, comentou o técnico na antecâmara da deslocação para Vila do Conde e alguns minutos antes da primeira de muitas festas que foram sendo feitas até à chegada da equipa aos Arcos: muitos adeptos na saída do autocarro da Luz, uma enchente na chegada a Gaia, mais apoio na saída do hotel, nova onda vermelha à espera do Estádio do Rio Ave. Lage, como que dando o exemplo, manteve as suas rotinas, deixou o saco no balneário, deu a volta habitual pelo campo, recolheu de novo pelo túnel. De um exemplo prático para o geral, foi assim, fiel às suas ideias e à forma de ver o futebol, que o mundo encarnado virou a partir de janeiro.

Esta noite, em Vila do Conde, frente a um adversário em crescendo e com capacidade para colocar em sentido qualquer equipa em casa, Bruno Lage só conseguiu soprar as velas quando Hugo Miguel deu o apito final mas antes teve prendas daqueles que, em janeiro, pouca ou nenhuma influência tinham. É certo que os laterais ganharam um maior pendor ofensivo, é certo que Samaris subiu a pique para o melhor momento desde que chegou à Luz, é certo que Pizzi e João Félix dispararam os seus números mas, esta noite, houve três nomes com uma importância mais ou menos visível que representam o triunfo dos encarnados por 3-2 – nomes que, no início da segunda volta, ou estavam na equipa B, ou não jogavam ou não rendiam tanto.

De trás para a frente, Ferro provou mais uma vez o porquê de ter entrado e ficado no onze dos encarnados ocupando a vaga de Jardel, voltando a destacar-se também noutros capítulos, nomeadamente no passe longo a explorar a subida de Grimaldo pelo corredor esquerdo que originou o 3-1 e nos lances aéreos nas duas áreas. Se é certo que contra o Portimonense o central teve vários erros pouco habituais, em Vila do Conde voltou a estar melhor do que Rúben Dias e com influência no resultado. Depois, a dupla Rafa-Haris Seferovic, que mantém uma improvável grande relação tanto dentro como fora dos relvados, como o segundo confidenciou numa entrevista ao programa “Vamos a Jogo” da SIC Notícias: o português inaugurou o marcador e foi o mais influente entre as unidades ofensivas, o suíço esteve no lance do segundo golo e voltou a ser incansável na forma como deu profundidade às águias mesmo sem bola. Juntos, são os jogadores que menos tempo precisam para marcar e, mais uma vez, foi esse conceito de “Rapharis” com o ex-bracarense mais pelo corredor central como segundo avançado que permitiu a Lage colocar nuances táticas que desgastaram os adversários, fizeram aparecer o melhor Pizzi e deram mais espaço a João Félix.

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Ficha de jogo

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Rio Ave-Benfica, 2-3

33.ª jornada da Primeira Liga

Estádio do Rio Ave, em Vila do Conde

Árbitro: Hugo Miguel (AF Lisboa)

Rio Ave: Léo Jardim; Junio Rocha, Borevkovic, Rúben Semedo, Fábio Coentrão; Filipe Augusto, Tarantini (Jambor, 59′); Nuno Santos, Gabrielzinho (Galeno, 59′), Gelson Dala e Bruno Moreira (Ronan, 78′)

Suplentes não utilizados: Paulo Vítor, Messias, Afonso Figueiredo e Joca

Treinador: Daniel Ramos

Benfica: Vlachodimos; André Almeida, Rúben Dias, Ferro, Grimaldo; Samaris, Florentino Luís; Pizzi (Gedson Fernandes, 80′), Rafa (Cervi, 90′); João Félix e Seferovic (Jonas, 90+3′)

Suplentes não utilizados: Svilar, Jardel, Taarabt e Salvio

Treinador: Bruno Lage

Golos: Rafa (3′), João Félix (45+2′), Tarantini (50′), Pizzi (56′) e Ronan (84′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Junio Rocha (41′), Rúben Dias (45′), Fábio Coentrão (45+3′), Tarantini (45+3′), Pizzi (78′), Grimaldo (86′) e Vlachodimos (90+2′)

Foram necessários apenas seis minutos para se perceber como, quando, com quem e onde seria este jogo – é certo que o futebol não é uma ciência exata mas a identidade do jogo de Rio Ave e Benfica chega a este final de época demasiado bem definida para passar ao lado de quem quer que seja. Os vila-condenses de Daniel Ramos, que antes nunca tinha perdido com os encarnados na Primeira Liga em três jogos por Marítimo e Desp. Chaves, tentavam jogar em saídas rápidas que conseguissem ultrapassar a barreira mais alta de pressão criada na primeira fase de construção para explorar o espaço entre linhas; já os encarnados, mais subidos do que seria inicialmente esperado, mantinham o seu jogo de transições ofensivas ou pelo corredor central quando Rafa tinha mais espaço ou pelas laterais quando havia um maior apoio na subida de André Almeida ou Grimaldo.

A única coisa diferente do habitual foi mesmo o golo inaugural do Benfica, logo aos três minutos e na primeira oportunidade do encontro – a única flagrante até aos 23 minutos. Há mérito de André Almeida na forma como conseguiu subir e ganhar espaço pelo flanco direito mas o lance ficou sobretudo marcado pelo demérito do Rio Ave e de Junio Rocha, que ao tentar aliviar a bola da zona de perigo acabou por assistir o internacional português na pequena área para o 1-0. E os 15 minutos iniciais ficaram marcados por esse lance, com os visitantes mais confortáveis na partida e a tentarem algumas aproximações quase sempre sem perigo a não ser num remate de Pizzi em jeito à entrada da área após trabalho individual que saiu ao lado (14′).

[Clique nas imagens para ver os melhores momentos do Rio Ave-Benfica em vídeo]

Com o passar do jogo, o Rio Ave não só conseguiu acalmar como fez entrar algumas das bolas que poderiam trazer problemas aos encarnados na zona de Gelson Dala, o grande problema a nível de marcação do conjunto de Bruno Lage. Continuava a haver alguns erros individuais sempre bem aproveitados pelo Benfica, como a subida de Almeida pela direita sem ser acompanhado por Gabrielzinho e com Coentrão mais por dentro atrás de Pizzi, mas as transições começaram de quando em vez a sair e originaram um livre perigoso bem batido por Nuno Santos que obrigou Vlachodimos a grande defesa do canto – e na sequência Tarantini ainda marcou mas o golo foi bem anulado por posição irregular do médio após desvio de Rúben Semedo (24′).

À beira dos últimos minutos, apesar de haver um Benfica melhor a explorar a profundidade do que o Rio Ave (com várias bolas em fora-de-jogo), os vila-condenses tinham mais remates, melhor eficácia de passe e maior percentagem de duelos ganhos. Contudo, seria nesse período que a história iria contrariar os números: já depois de um remate perigoso de Pizzi para defesa apertada de Léo Jardim (44′), João Félix aumentou a vantagem para 2-0 (45+2′), aproveitando mais um erro individual de palmatória (agora do guarda-redes, que até chegava a esta penúltima jornada com o recorde de defesas completas na Liga). Os homens da casa ficaram a protestar com Hugo Miguel uma falta de Florentino Luís sobre Gabrielzinho na área contrária no início do lance mas o VAR acabou por não considerar nem a infração nem a posição adiantada de Félix, numa decisão errada que levantou muitas críticas entre os visitados e aqueceu os ânimos nas bancadas quando as equipas recolhiam aos balneários.

A segunda parte começou com a equipa do Rio Ave em campo e a equipa do Benfica ainda com a cabeça no balneário sem entrar no jogo, perdendo índices de concentração e intensidade sempre presentes no primeiro tempo num lapso temporal aproveitado da melhor forma pelos visitados: Nuno Santos fez a diagonal da direita para o centro e, em vez de procurar a referência ofensiva Bruno Moreira, explorou a entrada de Tarantini de trás para isolar o médio e fabricar o 2-1 (50′). O resultado abriu o jogo para o Rio Ave, o Benfica quis fechar o jogo. E bastou acelerar e melhorar os posicionamentos defensivos para isso mesmo.

No seguimento de um grande passe longo de Ferro a explorar a subida de Grimaldo, o espanhol viu o primeiro cruzamento cortado mas insistiu e conseguiu descobrir Pizzi isolado na área com um passe atrasado, antes do remate sem hipóteses a bater ainda no poste (56′). Pouco depois, em mais uma investida pela esquerda do lateral formado no Barcelona, Léo Jardim ainda evitou com o pé o quarto dos encarnados por André Almeida (62′) mas, depois de duas oportunidades desaproveitadas por Gelson Dala (grande defesa de Vlachodimos, 63′) e Rúben Semedo (por cima, 65′) entre outras chances das águias – uma mais flagrante de Seferovic aos 74′, com intervenção de Junio Rocha –, o Rio Ave ainda conseguiu reduzir por Ronan (84′) e manteve em aberto até ao final um jogo que praticamente carimba a conquista do Campeonato pelo Benfica.

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