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Timor-Leste

Banco Mundial prevê crescimento de 3,9% da economia timorense em 2019

O relatório económico semestral do BM prevê que a contração dos últimos dois anos deverá ser revertida este ano e nos próximos, a previsão é de um aumento de 4,9% do PIB em 2021.

Internamente, o Banco Mundial continua a referir elevados riscos domésticos, notando que "as tensões políticas" dos últimos anos "diminuíram, mas não se dissiparam", recordando que o Governo não está completo

MATTHEW CAVANAUGH/EPA

Autor
  • Agência Lusa

A economia timorense deverá crescer 3,9% este ano, impulsionada por um aumento dos gastos públicos, após dois anos consecutivos de contração causados pela incerteza política no país, segundo o último relatório do Banco Mundial.

O relatório económico semestral do Banco Mundial, divulgado esta terça-feira, prevê que  contração dos últimos dois anos, que chegou aos 3,8% em 2017 e aos 7% no ano passado, deverá ser revertida este ano e nos próximos – a previsão é de um aumento de 4,9% do PIB em 2021 – impulsionada por mais gastos públicos e maior consumo privado.

“Com a aprovação do Orçamento Geral do Estado (OGE) de 2019 em fevereiro, esperamos que ocorra alguma recuperação económica”, disse Pedro Martins, economista chefe do Banco Mundial.

“O Produto Interno Bruto (PIB) deverá crescer 3,9% num cenário de maior estabilidade económica e política. Um maior gasto público, a par de um consumo privado mais forte, conduzirá a recuperação económica”, indicou.

A queda no gasto público e as incertezas políticas e consequentemente económicas dos últimos dois anos tiveram “um impacto notável no setor privado, afetando a confiança dos consumidores e das empresas”, com queda no consumo privado.

“Os gastos públicos com salários e benefícios pessoais caíram em 1-2% e, assim, não conseguiram sustentar o consumo como fizeram em 2017”, nota o Banco Mundial, referindo que o investimento privado também foi relativamente moderado.

O relatório confirma o impacto da redução dos gastos públicos em 2017 e grande parte de 2018, que só começou a ser corrigida no último trimestre do ano passado depois da aprovação do Orçamento Geral do Estado (OGE).

A economia, refere o relatório, está “razoavelmente protegida contra choques externos”, mas pode estar vulnerável a preços, à queda do dólar, ou a um agravamento das condições financeiras globais.

Internamente, o Banco Mundial continua a referir elevados riscos domésticos, notando que “as tensões políticas” dos últimos anos “diminuíram, mas não se dissiparam”, recordando que o Governo não está completo.

O saldo fiscal deverá deteriorar-se devido aos maiores gastos dos cofres públicos, menos Rendimento Sustentável Estimado (RSE) do Fundo Petrolífero e moderadas receitas domésticas, continuando a ser “uma preocupação chave a médio prazo”.

O Banco Mundial nota que o Fundo Petrolífero continuar a ver o seu saldo reduzido, sendo essencial proteger a população e os investidores privados, situação que pode ser colmatada com a eventual produção dos campos de Greater Sunrise e com “melhorias na qualidade do gasto público, que pode ter efeitos multiplicadores sobre a economia”.

Historicamente, o relatório vinca que o desempenho da economia timorense se tem enfraquecido desde 2008, quando atingiu o crescimento de dois dígitos, com aumentos médios do PIB de 9% entre 2007 e 2011 e em média de 4% entre 2012 e 2016.

Em 2017 e 2018, “o crescimento económico negativo contribuiu ainda mais para uma divergência em relação às tendências regionais”, refere o estudo.

Créditos privados em Timor-Leste com aumento “incomum” de 25% em 2017

Os empréstimos comerciais ao setor privado em Timor-Leste caíram 2% no ano passado, após o aumento “incomum” de 25% em 2017, possivelmente devido a linhas de crédito por atrasos em pagamentos do Estado, segundo o Banco Mundial.

O relatório económico do Banco Mundial, publicado esta terça-feira, nota que os níveis de crédito “cresceram de forma constante ao longo de 2017, mas caíram acentuadamente no primeiro trimestre de 2018”.

Um comportamento que, segundo a instituição, traduz em 2017 uma “resposta a atrasos nos pagamentos que afetam setores económicos dependentes de contratos do governo (como a construção)”.

A “queda acentuada” do início de 2018 “pode ter sido causada pela crescente preocupação com a capacidade dos credores de pagar dívidas”, refere o relatório, notando que em termos gerais foram empréstimos individuais a impulsionar o crescimento do crédito em 2018, enquanto a construção e o turismo registaram quedas nos níveis de crédito.

Em concreto, refere o relatório, empréstimos privados individuais representaram 41% do total do crédito bancário comercial em 2018, seguindo-se a construção (25%) e o comércio e finanças (19%).

O Banco Mundial nota que o acesso ao crédito “é frequentemente relatado como uma restrição comercial importante, que pode desencorajar o desenvolvimento” de vários setores, estando atualmente a ser preparado pelo Banco Central um sistema de “garantia de crédito para estimular as pequenas e médias empresas, com partilha de risco do crédito”.

Os dados divulgados esta terça-feira mostram que continua a haver níveis baixos de incumprimento, que em março de 2018 rondavam os 4% – longe do nível de 42% em 2010 – apesar de ter havido novo aumento para 6% no final do ano passado.

Um aumento que, segundo o Banco Mundial, se deve, provavelmente, “à deterioração das condições, em que as empresas e até mesmo os indivíduos lutavam com fluxos de caixa” baixos devido a atrasos nos pagamentos.

Globalmente o setor bancário continua caracterizado por alta liquidez – com um baixo rácio de empréstimos para depósito de 0,22 — devido a “intermediação financeira deficiente” com “grande parte dos ativos do setor bancário colocada no exterior”.

As taxas de juro continuam particularmente elevadas, registando uma média de 13% em 2018 — enquanto os juros dos depósitos ficam em média abaixo de um por cento.

Noutro âmbito, a situação económica interna levou a uma queda do défice comercial no ano passado, que rondou os 940 milhões de dólares, menos dois por cento que em 2017.

A importação de mercadorias caiu 3%, principalmente devido a quedas nos veículos e máquinas, com a importação de bens de consumo e de capital a rondarem os 613 milhões e as de serviços a somarem cerca de 450 milhões.

A maioria das importações de mercadorias é originária de países membros da ASEAN, como a Indonésia e Singapura, mas também da China.

As exportações de mercadorias aumentaram quase 50%, para 25 milhões de dólares, devido ao café – que teve uma colheita melhor do que em 2017 — e que representa cerca de 95% de todos os produtos exportados.

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