Huawei

EUA, Reino Unido e Japão. Todas as empresas que estão a romper com a Huawei

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Os EUA proibiram negociações com a Huawei. Veja em atualização as principais empresas no mundo que estão a suspender relações com a chinesa e as consequências para quem é cliente da marca.

Várias empresas estão a cessar relações com a empresa chinesa Huawei

Getty Images

A suspensão por parte da Google de todos os negócios com a Huawei criou incerteza no futuro do mercado dos smartphones, mas com o 5G a chegar e a Huawei a ser bem mais do que uma empresa de telemóveis, os 90 dias de tréguas – para que os EUA e a China cheguem a acordo – vão “ser cruciais”.

No Japão e na Inglaterra mais empresas já romperam relações com a tecnológica chinesa depois de Donald Trump a ter colocado na “lista negra” dos norte-americanos. Com lista ou sem lista, se tem um telemóvel Huawei vai continuar a poder usá-lo normalmente, pelo menos no futuro próximo. Quem o diz é Francisco Jerónimo, vice-presidente na empresa de estudos de mercado IDC. A seguir a isso, se não houver decisões, pode não ter um Huawei ou um Honor como opção para o próximo telemóvel que comprar.

Na lista em atualização abaixo, deixamos — por país — todas as empresas que cortaram relações com a Huawei devido à decisão norte-americana no início desta semana. Além disso, explicamos o que é que isso pode significar para os dispositivos da marca.

As empresas que estão a romper relações com a Huawei

Estados Unidos da América

Até ao final de agosto todas as empresas norte-americanas podem manter relações com a Huawei. Contudo, depois disso, se a guerra comercial entre os EUA e a China não produzir nenhum acordo pode ser o apocalipse para a tecnológica chinesa.

A principal empresa a cortar relações com a Huawei foi a Alphabet, a empresa-mãe da Google. Como os telemóveis da tecnológica chinesa utilizam como base o sistema operativo Android — ao qual é aplicado um software da Huawei chamado de EMUI –, o futuro das aplicações da Google em smarphones Huawei está em cima da mesa.

Além da Google, várias empresas de processadores e semi-condutores já declaram que vão ter de suspender as relações com a Huawei. Nesta lista estão: Intel, Broadcom, Qualcomm e Xilinx. Estas fabricantes de componentes informáticos são essenciais para que a Huawei possa continuar a fazer hardware e, se não houver acordo, a empresa chinesa vai ter de encontrar alternativas para substituir em futuros equipamentos os componentes em falta.

Apesar de a Google ser a principal empresa a preocupar os consumidores da Huawei, a concorrente Microsoft pode também vir a criar dores de cabeça à empresa. Ao contrário da Google, a Microsoft não emitiu nenhuma declaração quanto ao sistema operativo Windows que está presente nos portáteis da Huawei. Contudo, logo na segunda-feira, quando ainda não se sabia que iam existir três meses para resolver a questão da Huawei, a Microsoft retirou da sua loja online norte-americana o MateBook X Pro.

A 24 de maio duas organizações de peso na indústria tecnológica cortaram também relações com a Huawei: a Wi-Fi Alliance (como divulgou o Nikkei) e a SD Association (noticiou o 9to5Google). A primeira empresa, que tem membros como a Apple, Qualcomm, Broadcom e Intel, “restringiu temporariamente” a Huawei de participar nos trabalhos da organização na definição dos standards da tecnologia wireless. Isto significa que, apesar de a Huawei não podia continuar a utilizar os padrões e antenas Wi-Fi, e não ia poder fazer parte das discussões sobre como estes são desenvolvidos.

A SD Association não fez nenhum comunicado a anunciar que tinha tirado a Huawei da associação, mas retirou durante uma semana a empresa chinesa da lista de membros. Esta organização sem fins lucrativos controla todos os padrões para a tecnologia de cartões de memória SD. Ou seja, como a Huawei já não faz parte da associação, já não vai poder produzir oficialmente dispositivos com entradas para cartões SD.

Tanto a SD Association como a Wi-Fi Alliance voltaram atrás na decisão e a tecnológica chinesa já aparece novamente no site das organizações desde 29 de maio, avançou o CNET. Um porta-voz da SD Association afirmou ao mesmo meio por comunicado enviado por email que a relação com a empresa “nunca foi cancelada” e que “o nome [da Huawei] não estava no site “devido a um erro técnico”.

A Huawei divulgou em 2018 a sua própria tecnologia de cartões para expansão de memória dos seus equipamentos, os NM. Contudo, estes modelos próprios só estão disponíveis nos smartphones topo de gama da Huawei, os modelos mais baratos ainda utilizam a tecnologia SD (que é mais barata para o consumidor).

Reino Unido

Esta quarta-feira três empresas dos Reino Unido juntaram-se ao corte de relações com a Huawei decretado pelos norte-americanos.

As operadoras telefónicas britânicas EE, detida pelo grupo BT, e Vodafone cancelaram as vendas do smartphone Mate 20 X 5G, o primeiro smartphone 5G da Huawei que vai chegar ao mercado. Foi uma das primeiras sequelas do impacto da decisão dos EUA em solo europeu. Desta forma, o arranque dos smartphones 5G da Huawei no Reino Unido pode ser adiado. Quanto às infraestruturas, arrancam já em julho.

A ARM é uma fabricante de chips britânica detida pelo grupo japonês Softbank e, esta quarta-feira, foi o exemplo de como a decisão dos Estados Unidos pode inviabilizar que a Huawei encontre alternativas para os componentes que precisa até noutros países. Como a ARM tem escritórios em Austin, no Texas, e em São José, na Califórnia, a empresa cancelou todos os “contratos ativos” com a Huawei, mesmo no Reino Unido. Segundo comunicado da ARM, esta medida foi tomada para a empresa poder cumprir com as regras de bloqueio norte-americanas impostas à Huawei e impede que a Huawei possa continuar a fabricar os seus processadores Kirin, que estão na maioria dos seus dispositivos.

Japão

À semelhança do Reino Unido, as operadoras de telecomunicações japonesas NTT DoCoMo, KDDISoftBank Mobile cancelaram as vendas de equipamentos móveis da Huawei, revela o The New York Times. A NTT DoCoMo suspendeu as pré-vendas do modelo P30 Pro que ia chegar ao mercado japonês em maio. Já as outras duas operadoras anunciaram que adiaram os planos para disponibilizar os os modelos de entrada de gama dos P30, que também iam ser lançados ainda em maio.

Também a Panasonic anunciou esta quinta-feira a suspensão de todas as transações com o grupo chinês. “Interrompemos as nossas transações com a Huawei e as suas 68 afiliadas que estão sujeitas à proibição do governo dos Estados Unidos”, afirmou o porta-voz da gigante nipónica, Joe Flynn.

No Japão, a Huawei tem uma quota de mercado de smartphones reduzida em comparação com a concorrência no país, como a Sony ou a Apple.

Alemanha

A fabricantes de chips alemã Infineon foi uma das primeiras empresas a cancelar as encomendas que tinha com a Huawei. Contudo, esta fabricante mantém as relações que tem com a Huawei fora dos Estados Unidos, apenas cancelou todas as encomendas que vinham do país e tinham como destino escritórios e fábricas da tecnológica chinesa.

Caso Huawei é “acima de tudo” uma decisão política

Para o analista Francisco Jerónimo, da IDC, a sanção dos Estados Unidos sobre a Huawei é “acima de tudo uma questão política”. O vice-presidente da empresa de estudos de mercado para a Europa afirma que tudo o que está a acontecer é parte da atual guerra comercial “para pressionar a China a aceitar um acordo comercial [com os EUA]”. Prova disso é a decisão, “um dia depois”, de dar 90 dias para as empresas poderem adaptar-se.

Não acredito que a Huawei não faça parte de um possível acordo [que finalize a guerra comercial]. É provavelmente a marca chinesa mais conhecida pelos consumidores a nível mundial. É o segundo maior fabricante na Europa, quase a ultrapassar a Samsung. Mesmo nos EUA é uma marca conhecida. Não só nos telefones, mas noutros produtos. Tal como aconteceu com a ZTE [empresa chinesa que também esteve na lista negra dos EUA], o que acredito é que se continue a trabalhar com a Huawei.”, diz Francisco Jerónimo.

Estes 90 dias vão ser “cruciais” para a empresa, mas — segundo dados da IDC – nos últimos três dias “os operadores não viram diminuição no interesse na Huawei”. O que aconteceu é que há mais dúvidas. Caso se chegue a um acordo – o analista acredita que vai acontecer “até ao verão” – o impacto “vai ser reduzido”.

Contudo, se depois destes três meses mais empresas continuarem a cessar parcerias com a Huawei, “há um problema”. É no final do verão que se decide que novos smartphones vão estar no portefólio de retalhistas e operadoras, explica Francisco Jerónimo. Sem acordo é pouco provável que a Huawei consiga estar nos catálogos. Aí, “o que já estava em stock” escoa-se.

“Os telefones [já vendidos da Huawei] vão continuar a oferecer tudo o que já ofereciam. O impacto é apenas nos telefones a futuro”, diz ainda o analista. O que pode demorar a chegar a este telefone são atualizações do sistema Android, mas a Huawei pode sempre fazer atualizações ao EMUI com o que pode aceder pelo open-source do Android. Já as aplicações para os telefones atuais, essas vão manter-se disponíveis porque nestes equipamentos a PlayStore vai continuar instalada, afirma o analista.

Quanto a receios quanto aos atuais equipamentos, a Huawei afirmou ao Observador: “Huawei continuará a fornecer atualizações de segurança e serviços de pós-venda para todos smartphones e tablets Huawei e Honor existentes, abrangendo os equipamentos vendidos e os que ainda estão em stock. Continuaremos a construir um ecossistema de software seguro e sustentável, a fim de fornecer a melhor experiência para todos os utilizadores globalmente.”

*Artigo atualizado a 29 de maio com a informação de que a Huawei voltou a constar como membro da SD Association e da Wi-Fi Alliance.

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