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Google, Intel e Qualcomm suspendem negócios com Huawei, após Trump colocar empresa na “lista negra”

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Huawei perderá o acesso a atualizações do sistema operacional Android e a serviços como Gmail. China poderá ter de adiar rede 5G. Medida já levou empresa alemã Infineon a suspender alguns envios.

A Huawei continuará a ter acesso à versão do Android disponível através da licença de código aberto

MANUEL PESTANA MACHADO/OBSERVADOR

Depois de Donald Trump ter colocado a gigante chinesa de telecomunicações Huawei na lista negra, a Google suspendeu todos os negócios com a empresa que exigem a transferência de produtos de hardware e software — exceto os que estão cobertos por licenças de código aberto — avança a agência Reuters.

Não foi a única: as fabricantes de chips Intel, Qualcomm, Xilinx e Broadcom já terão comunicado também aos funcionários que, até ordem em contrário, todas as entregas à Huawei estão suspensas, avança a Bloomberg. Entretanto, a Nikkei Asian Review, que cita três pessoas próximas ao caso, avançou na tarde desta segunda-feira que também a fabricante alemã de chips Infineon Technologies decidiu suspender o envio de determinadas encomendas para a Huawei. A empresa, no entanto, ainda não veio confirmar oficialmente esta informação.

“A Infineon decidiu adotar uma medida mais cautelosa e parou os envios. Mas vai reunir esta semana para discutir [a situação] e fazer avaliações”, referiu uma das fontes à Nikkei Asian Review. Outra fonte disse que a fabricante alemã tomou esta decisão para evitar potenciais problemas legais enquanto avalia todo o caso. Não há informação sobre durante quanto tempo será esta suspensão.

As vendas da Infineon Technologies para a Huawei chegam a cerca de 100 milhões de dólares (cerca de 98 milhões de euros) e a suspensão deste negócio pode ter consequências sérias para a empresa tecnológica. A confirmar-se a suspensão, a Infineon torna-se na primeira empresa europeia a suspender os negócios com a Huawei e pode vir a influenciar outras empresas europeias e asiáticas a fazerem o mesmo.

As consequências para a gigante chinesa serão pesadas, explicou também à Bloomberg o analista Ryan Koontz, da Rosenblatt Securities, ou não fosse a Huawei “fortemente dependente de produtos semicondutores fabricados nos Estados Unidos, pelo que sem o fornecimento desses componentes-chave ficará seriamente debilitada”. Segundo o mesmo analista, este embargo “poderá fazer com que a China adie a implementação da rede 5G até que a proibição seja levantada, o que terá impacto em muitos fornecedores internacionais de componentes”.

Graças ao corte com a Google, a empresa chinesa perderá acesso a atualizações do sistema operativo Android. A próxima versão de seus smartphones fora da China também perderá acesso a aplicações e serviços populares, incluindo a Google Play Store e o Gmail, adianta a mesma fonte.  A Huawei continuará, no entanto, a ter acesso à versão do Android disponível através da licença de código aberto. Mas a Google deixará de fornecer suporte técnico e colaboração para os serviços do Android e da Google para a Huawei, escreve ainda a Reuters.

Estes rompimentos com a Huawei acontecem três dias depois de o presidente norte-americano ter declarado “emergência nacional” e emitido uma ordem executiva a proibir empresas do país de usarem equipamentos de telecomunicações de empresas estrangeiras consideradas de risco.

A ordem autorizou o Departamento do Comércio a impedir negócios que envolvam tecnologias desenvolvidas por “adversários estrangeiros” que a Casa Branca considera que estão a explorar vulnerabilidades nos serviços e infraestruturas tecnológicas de informação e comunicação dos Estados Unidos para espionagem ou sabotagem. O decreto presidencial dava 150 dias ao Departamento do Comércio para levar a cabo a medida, estabelecendo as proibições.

O Departamento do Comércio colocou também a Huawei na “lista negra” dos Estados Unidos, o que poderá impedir as empresas norte-americanas de venderem os seus produtos à gigante chinesa. Na prática, esta decisão exige que as empresas norte-americanas obtenham licença para vender tecnologia crítica à Huawei.

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