“Vem aí o Inverno”: 5 respostas para entender a Guerra Fria tecnológica entre os EUA e a Huawei /premium

20 Maio 2019100

A Guerra dos Tronos pode ter chegado ao fim na televisão, mas promete continuar na área da tecnologia, com a Google a juntar-se ao ataque norte-americano à chinesa Huawei. O que significa tudo isto?

Esta segunda-feira, os fãs da Guerra dos Tronos acordaram tristes com o fim da sua série preferida. Em Westeros não haverá mais alianças de conveniência, traições e assassínios sangrentos. Na vida real, contudo, há espaço para todo o tipo de guerras e há um conflito a ganhar força: uma espécie de Guerra Fria tecnológica que opõe Estados Unidos à China. No meio disto, está a Huawei, a empresa chinesa que é a segunda maior fabricante de smartphones do mundo.

O último ataque veio de solo americano, com o gigante tecnológico Google a anunciar que vai suspender todos os negócios que tem com a Huawei que exijam a transferência de produtos de hardware e software, para assim conseguir cumprir com as regulações estabelecidas pelo Governo norte-americano, que colocou a Huawei numa espécie de “lista negra”. Ou seja, os utilizadores da marca poderão não conseguir atualizar o sistema operativo Android no futuro.

A chinesa Huawei é a segunda maior fabricante de smartphones de todo o mundo (Kevin Frayer/Getty Images)

A exceção serão os negócios que funcionam no sistema operativo open source (ou seja, de código aberto), mas o impacto a curto-prazo na empresa será à mesma tremendo, de acordo com os especialistas. Ainda para mais, porque esse impacto não é refletido apenas nos negócios com a Google. No mesmo dia, as fabricantes de chips Intel, Qualcomm, Xilinx e Broadcom anunciaram também a suspensão de entregas à Huawei. Horas depois, surgiam relatos de um possível contágio à Europa, com a notícia de que a alemã Infineon Tehnologies, que também fabrica chips, deverá fazer o mesmo.

A decisão de Washington — de colocar a Huawei nesta espécie de “lista negra”– não é surpreendente, tendo em conta as críticas que os norte-americanos têm feito à empresa chinesa, acusando-a de poder vir a fornecer informação dos utilizadores ao Estado chinês. O argumento da segurança nacional tem inclusivamente sido utilizado para pressionar países como Portugal a não fazerem negócios com a tecnológica de Pequim, nomeadamente no estabelecimento da rede 5G. Esta política norte-americana de ataque frontal veio para ficar ou não passa tudo de pressão temporária para influenciar as negociações sobre a chamada “guerra comercial” que decorre entre EUA e China? Essa é a pergunta de um milhão de dólares. A outra, sobre o final da Guerra dos Tronos, já teve resposta.

Porque é que a Google e outras empresas cortaram relações com a Huawei?

Para responder a imposições legais, impostas pelo Governo dos Estados Unidos.

O anúncio desta segunda-feira surge na sequência de uma ordem executiva do Presidente norte-americano, Donald Trump, que declarou uma situação de “emergência nacional” e impôs às empresas norte-americanas uma proibição de partilhar informação e comunicações com empresas que são consideradas uma ameaça à segurança nacional. Pouco depois, o Departamento do Comércio norte-americano colocou a Huawei na sua “Lista de Entidades”, uma espécie de “lista negra” de empresas com quem os norte-americanos não podem negociar, a não ser que tenham uma licença especial emitida pelo Governo.

Na sequência disso, a Google anunciou estar a “cumprir as ordens e a rever as implicações”, ou seja, suspendendo os negócios em curso com a Huawei. Seguir-se-iam as fabricantes norte-americanas de chips Intel, Qualcomm, Xilinx e Broadcom.

Como é que os utilizadores de equipamentos da Huawei serão afetados por esta decisão?

Depende. Isto é: se forem consumidores chineses, em pouco ou nada serão afetados; mas se estiverem noutras partes do mundo, como na Europa, serão bastante, pelo menos a curto-prazo.

Vamos então por partes. A Huawei é a segunda maior fabricante de smartphones do mundo (apenas atrás da Samsung e à frente da Apple) e utiliza o sistema operativo Android, que pertence à Google. Na China, contudo, as aplicações da Google não podem ser utilizadas, razão pela qual há uma série de serviços alternativos para substituir apps como o Gmail ou a Google Maps. No resto do mundo, os smartphones da Huawei utilizam o sistema Android e que permite a instalação de várias aplicações da Google — nalguns casos, essas mesmas aplicações já vêm instaladas por defeito no telefone, o que já levou a tecnológica a ser acusada na Europa de abuso de posição dominante no mercado.

Com esta alteração, a Google já explicou que não haverá efeitos retroativos para os atuais utilizadores da Google Play, o sistema de distribuição de apps da Google. Quem tem um telemóvel da Huawei poderá continuar a utilizá-lo, sem problemas, para já. “Para os utilizadores dos nossos serviços, o Google Play e as proteções de segurança do Google Play Protect [um detetor de malaware] continuarão a funcionar nos equipamentos existentes da Huawei”, declarou um porta-voz da empresa, citado pela agência Reuters.

Os presidentes Donald Trump e Xi Jinping têm disputado uma guerra comercial entre EUA e China (NICOLAS ASFOURI/AFP/Getty Images)

As complicações surgem depois: O que acontecerá quando a Google lançar a próxima versão do Android, ainda este ano? E para quem comprar um smartphone novo da Huawei entretanto? “A Huawei só poderá utilizar a versão pública do Android e não poderá ter acesso às aplicações proprietárias e aos serviços da Google”, esclareceu o mesmo porta-voz.

Porque o Android é um sistema que funciona em open source (código aberto), a Google não pode impedir ninguém de o utilizar, incluindo a Huawei. É por essa razão que já surgiram notícias de que empresas como a portuguesa Aptoide estariam a negociar parcerias alternativas à Google Play com a Huawei, como reportou o Dinheiro Vivo. No entanto, a Google pode proibir que sejam utilizados os seus serviços — aqueles que são precisamente proibidos na China, mas que a grande maioria dos europeus utiliza —, como o Gmail, a Google Maps, o Google Chrome, o Google Docs, etc.

Mais: as aplicações que recorrem a serviços da Google, como o Google Maps, também deixarão de poder ser utilizadas nos smartphones da Huawei. É o caso de algumas aplicações de transporte ou de entrega de comida ao domicílio, explica a CNN. Sem elas, diz ao canal norte-americano Bryan Ma da empresa de consultoria tecnológica IDC, “o telemóvel da Huawei passa a ser como um tijolo”.

A Huawei tem estado debaixo da mira do Governo dos EUA — e não só. Porquê?

Porque os EUA alegam que a empresa pode ser utilizada pelo Governo chinês para ter acesso a informações sobre cidadãos estrangeiros, como os norte-americanos. A empresa nega e garante que cumpre escrupulosamente a lei internacional.

A Huawei foi criada em 1987 por um antigo dirigente militar chinês, Ren Zhengfei, e já contou com forte investimento por parte do Governo de Pequim. É atualmente a maior empresa privada da China, a maior fabricante de componentes para redes de telecomunicações de todo o mundo e a segunda maior fabricante de smartphones a nível mundial. Contudo, está impedida de vender vários dos seus produtos em países como os EUA, a Austrália e a Nova Zelândia. A Comissão Europeia também está a tentar avaliar os alegados riscos de segurança associados à empresa, denunciados pelos Estados Unidos.

De acordo com os serviços de informação dos EUA, a Huawei e a ZTE (outra tecnológica chinesa) representam riscos à segurança nacional dos norte-americanos. “Estamos profundamente preocupados com os riscos de permitir a qualquer empresa ou entidade que pertença a governos estrangeiros que não partilham os nossos valores que ganhem posições de poder dentro das nossas redes de telecomunicações, o que lhes pode dar a capacidade de pressionarem ou controlarem a nossa infraestrutura de comunicações”, declarou o diretor do FBI Christopher Wray em 2018, no Senado, de acordo com o Vox. “Isso dá-lhes a capacidade de modificar algo de forma maliciosa ou de roubar informação, e dá-lhes a capacidade de levarem a cabo espionagem sem serem detetados.”

Meng Wanzhou, CFO da Huawei, foi detida no Canadá com um mandado da Justiça norte-americana (DON MACKINNON/AFP/Getty Images)

A Huawei, por seu turno, nega por completo ter a intenção de fazer espionagem a favor da China. Em janeiro deste ano, o fundador Ren Zhengfei afirmou em público que nunca tomaria ações que “prejudicassem os interesses dos clientes”, mesmo que tal lhe fosse pedido pelo Governo chinês. “Amo o meu país, apoio o Partido Comunista. Mas não faria nada que prejudicasse o mundo”, disse.

Estas declarações surgiram depois de Meng Wanzhou, filha do fundador da Huawei e atual diretora financeira da empresa, ter sido detida no Canadá, a 1 de dezembro. Atualmente, aguarda em liberdade condicional a decisão de um tribunal sobre o pedido de extradição feito pelos Estados Unidos, que levou à sua detenção. Em causa estão acusações de a Huawei ter violado as sanções comerciais impostas ao Irão, por ter alegadamente negociado com Teerão através de uma empresa de fachada com sede em solo americano, a SkyCom. Foi mais uma jogada de Washington na Guerra Fria contra a Huawei.

Oficialmente, ninguém conseguiu provar que a Huawei tenha vulnerabilidades nos seus produtos que permitam ao Governo chinês aceder a redes privadas no estrangeiro, por exemplo, como relembra ao Vox Adam Segal, do programa digital do Council on Foreign Relations. Contudo, a Bloomberg noticiou no final de abril que teriam sido detetadas essas tais vulnerabilidades pela Vodafone Itália em routers domésticos, entre 2009 e 2011, e que esses equipamentos teriam sido utilizados em países como o Reino Unido, Alemanha, Espanha e Portugal. Contudo, tanto a Vodafone como a Huawei anunciaram que essas vulnerabilidades foram corrigidas em 2011 e 2012.

As maiores preocupações a nível de segurança, contudo, surgem no que diz respeito à tecnologia 5G, como relembrou Segal. Por essa razão, e de forma preventiva, o Japão e a Nova Zelândia proibiram a Huawei de fornecer equipamento 5G nos seus países. A Austrália baniu por completo a empresa, enquanto países como o Reino Unido e o Canadá estão a avaliar a situação.

O caso do Reino Unido é particularmente interessante porque levou até à demissão do ministro da Defesa, Gavin Williamson, no início do mês de maio. Após ter sido publicada informação de que a primeira-ministra britânica, Theresa May, iria permitir que a Huawei participasse no desenvolvimento da rede 5G no país (embora de forma limitada), a primeira-ministra demitiu Williamson, acusando-o de ter divulgado a informação como retaliação por se opor à participação da Huawei na rede.

A Comissão Europeia, por seu turno, tem estado a analisar o tema, mas há responsáveis muito céticos relativamente à segurança fornecida pelos sistemas da Huawei. É o caso do comissário europeu para o Mercado Único Digital, Andrus Ansip, que disse estar “preocupado”, já que a Huawei “tem de cooperar com os serviços de inteligência do país”, visto estar sediada no país. Em abril, a Comissão pediu a todos os Estados-membros “cautela” no uso dos dispositivos 5G da Huawei e requereu uma avaliação dos riscos aos vários países.

A Associação Europeia das Câmaras de Comércio e Indústria (Eurochambres) contesta as declarações dos representantes europeus, falando numa guerra comercial entre EUA e China e pedindo à UE que não tome partido: “Não devemos dizer que a Huawei tem de sair para a [norte-americana] Cisco entrar, é esse o objetivo dos americanos”, disse Christoph Leitl, presidente do grupo, aludindo a interesses comerciais.

O comissário Ansip já havia negado essa interpretação. “Muitos chineses dizem que a UE decidiu apoiar os Estados Unidos nesta guerra comercial. Desculpem, [mas] na Europa temos os nossos interesses e as nossas preocupações e temos de proteger a segurança da nossa população e das nossas empresas”, declarou numa entrevista à Agência Lusa. “Não estamos a ser influenciados pelos Estados Unidos. E não, não recebi chamadas de Washington”.

Qualquer decisão da UE terá um impacto tremendo, já que a Huawei tem atualmente 23,6% do mercado europeu, um valor muito superior ao que registava no período homólogo anterior (14,8%), de acordo com dados da consultora Canalys.

E Portugal? Não tem uma rede de 5G que vai ser feita com a Huawei?

Há planos para isso, razão pela qual Washington tem tentado influenciar o Governo português a recuar nessa matéria.

Tudo começou em dezembro de 2018, aquando da visita do Presidente chinês, Xi Jinping, a Portugal. Nesse encontro, a Huawei e a Altice assinaram um memorando de entendimento para a empresa ser a primeira a criar as infraestruturas de redes 5G em Portugal. Meses depois, o gigante chinês acabou por esclarecer que esta parceria não passa de um memorando, que não vincula a Altice a nada. À altura, contudo, o presidente executivo da Altice dizia-se “muito contente” pela parceria.

Desde então, e face às críticas apontadas por vários sectores, o Governo português tem-se pronunciado publicamente sobre esta questão, desvalorizando as suspeitas norte-americanas.

“Há um entendimento geral [entre os Estados-membros] de que deve haver uma troca de informação relativamente a essas matérias”, confirmou o primeiro-ministro António Costa em março, garantindo que Portugal “segue esse tema com toda a atenção”, devido ao memorando assinado entre a Altice e a Huawei. O primeiro-ministro relembrou, porém, que “não depende da marca do telemóvel ser ou não escutado”.

A avaliação de risco pedida por Bruxelas, contudo, está a ser feita pela Anacom, em parceria com o Gabinete Nacional de Segurança. Cada Estado-membro irá comunicar até ao final de junho “quais são os riscos que está a considerar relativamente ao 5G, em relação a qualquer empresa e a qualquer tipo de operações e a qualquer tipo de dados”, garantiu o ministro dos Negócis Estrangeiros Augusto Santos Silva, em abril. No entanto, deixou uma ressalva face à Huawei: “Não é uma questão dirigida à empresa A, B, C ou D. É uma questão de nós tomarmos as medidas necessárias para que a infraestrutura digital do 5G.”

O memorando para construção da rede 5G entre Huawei e Altice foi assinado aquando da visita de Xi Jinping (à esquerda) a Portugal (PATRICIA DE MELO MOREIRA/AFP/Getty Images)

Essa postura levou a que o próprio embaixador norte-americano em Lisboa, George Glass, se pronunciasse diretamente contra o memorando assinado entre a Huawei e a Altice e deixasse avisos ao Executivo de António Costa: “Portugal é o nosso segundo mais antigo aliado e não tem havido brechas entre nós há muito tempo”, começou por dizer o embaixador, num encontro com jornalistas. ”Parte disso traduz-se na partilha de informação que só podemos ter com um aliado, especialmente com aliados da NATO, a um nível que não existe com muitos países em todo o mundo. Se isso não for seguro, se os meios para a entrega [dessa informação sensível] não forem seguros, a relação tem de mudar. Temos de pensar numa nova maneira para comunicar esse estilo de informação.

É preciso não esquecer ainda que a mistura entre Huawei e política nacional não tem sido pacífica. Em 2017, o Observador noticiou que a empresa pagou diretamente viagens à China a vários responsáveis políticos, de diferentes partidos. Apesar de não se ter provado haver relação de oferta-benefício nestas viagens com contratos públicos, houve entidades públicas que celebraram acordos com empresas que utilizam equipamentos da empresa chinesa.

Entrámos mesmo numa Guerra Fria tecnológica? O que vai acontecer daqui para a frente?

Alguns especialistas acham mesmo que sim. Tim Culpan, colunista de Tecnologia da Bloomberg, afirmou isso mesmo e questionou: “Qual dos lados vai ter estômago para uma batalha prolongada, agora que foi cerrada esta Cortina de Ferro Digital?”

Por trás deste conflito tecnológico está uma mescla de interesses comerciais e preocupações de segurança nacional, que opõem os governos norte-americano e chinês, e que correm em paralelo com uma chamada “guerra comercial” que continua a ser alvo de negociações. A última decisão de Trump, de incluir a Huawei na “lista negra” de entidades do Departamento do Comércio, é a mais recente tática para afetar a gigante tecnológica chinesa e começa a ter resultados, com a tomada de posição da Google revelada esta segunda-feira.

Vlad Savov, da publicação especializada em tecnologia The Verge, recorda que tudo isto pode ser apenas uma jogada para assustar o Governo chinês e forçá-lo a ceder nalguns pontos da negociação comercial. “Só que é improvável que a China reaja de forma positiva a estas táticas de bullying dos EUA. E isso significa que o negócio da Huawei pode ficar num limbo durante algum tempo”, afirma. Mais: a China pode inclusivamente retaliar, como fez quando Meng Wanzhou foi presa, ao deter de imediato dois cidadãos canadianos, acusados de porem em risco a segurança nacional.

Esta segunda-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês reagiu de imediato às notícias, dizendo que a China “apoia que as empresas chinesas utilizem as armas legais para defender os seus direitos legítimos”, de acordo com o jornal chinês de língua inglesa Global Times. Ina Fried, editora de Tecnologia do site Axios, deu exemplos à Al Jazeera dos formatos que essa retaliação pode tomar: “É verdade que a Huawei precisa de software norte-americano, mas digo-vos já, a Apple também se apoia no fabrico chinês, portanto acho que eles estão preocupados caso a China retalie dizendo ‘Então vão ter pagar tarifas de exportação gigantes se quiserem tirar esses iPhone daqui’”.

Certo é que, aconteça o que acontecer, as decisões recentes têm impacto na Huawei. Oficialmente, a empresa desvaloriza o caso da Google, dizendo que já sabia “que isto podia ser uma possibilidade”  e que se tem preparado. Em causa está um sistema operativo próprio que tem estado a ser desenvolvido pela Huawei — chamado HongMeng OS, de acordo com o Global Times — como espécie de “Plano B”. Mas isso não resolve o facto de os mercados fora da China ficarem sem acesso aos serviços da Google, nem a dificuldade de arranjar os chips que até aqui eram comprados às empresas norte-americanas. A New York Magazine relembra que atualmente a China produz apenas 3% dos chips a nível mundial e que estes são fulcrais para a Huawei cumprir os contratos que tem assinados para a rede 5G.

Ou seja: mesmo que a Huawei consiga arranjar soluções, no curto-prazo, a decisão da Google e dos fabricantes norte-americanos é uma verdadeira dor de cabeça para a empresa. “Isto parece o pior pesadelo de uma empresa, com a sua cadeia de distribuição a ser perturbada desta forma”, resumiu ao South China Morning Post Kiranjeet Kaur, investigador da IDC. “A Huawei até pode utilizar [o Android em open source] e vir a construir as suas próprias aplicações e serviços, mas tudo isso não vai acontecer do dia para a noite.”

E quanto a esta “Guerra Fria” entre EUA e China, para onde se precipita? Ninguém sabe ainda. “A jogada dos EUA é uma resposta a receios sobre as suas próprias vulnerabilidades e é uma tentativa de explorar as vulnerabilidades da China. O resultado provável será uma escalada — mas ainda não temos a certeza”, resumiu Henry Farrel, professor de Relações Internacionais da Universidade George Washington. “Não temos nada que se assemelhe a uma análise estratégia nesta área. A experiência histórica não nos dá nenhuma analogia recente que se aplique bem aqui.”

Para já, apenas uma coisa é certa: mesmo que se venha a recompor, a Huawei é duramente afetada por esta decisão dos norte-americanos. Por outras palavras, como apontou o editor de Tecnologia da BBC, Leo Kelion: “Esta jogada pode derrubar a ambição [da Huawei] de ultrapassar a Samsung e tornar-se a maior marca de smartphones mundial até 2020”. E quem sabe se não será o primeiro ataque de vários, feitos de parte a parte.

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