Com cinco países apenas se escreve uma exceção à regra. As eleições Europeias deste domingo, 26 de maio, ficaram marcadas por várias tendências: subida de partidos eurocéticos em países-chave, uma “onda Verde” de ambientalistas e vitória por maioria do centro-direita, com mais países a votarem em forças do Partido Popular Europeu (PPE). Há ainda o domínio dos liberais em alguns países — mas eis que Malta, Suécia, Espanha, Portugal e Holanda surgem para baralhar as contas e dar vitórias aos socialistas.

Na Suécia, os sociais-democratas (socialistas) de Stefan Löfven recolheram quase 24% dos votos, uma diferença substancial face aos 16% dos Moderados (centro-direita) e aos 15% dos Democratas Suecos (extrema-direita). Em Espanha, o PSOE teve um resultado ainda melhor: 32% face aos 20% do Partido Popular (centro-direita) e aos 12% do Ciudadanos (liberais). E em Portugal a tendência foi semelhante: 33% para o PS de António Costa, face a 22% do PSD — partido que, embora tenha social-democrata no nome como a família europeia a que o PS pertence, faz parte do PPE no Parlamento Europeu.

Também na Holanda os socialistas conseguiram um bom resultado (19% face aos 14,6% dos liberais do VVD), contra o que as sondagens previam. E em Malta a tradição ainda é o que era: os trabalhistas tiveram uma vitória estrondosa, com quase 56% dos votos, apesar dos escândalos de corrupção.

Estas vitórias contrastam com os resultados da maioria das forças de tradição trabalhista na Europa. Na Alemanha o SPD teve uma derrota histórica, sendo ultrapassado pelos Verdes, à semelhança do que aconteceu na Finlândia. No Reino Unido, o Labour foi castigado com o terceiro lugar, no seu pior resultado de sempre em Europeias. E, pela Europa fora, os socialistas e sociais-democratas foram ultrapassados por forças do PPE.

Como se explicam então estes resultados de exceção? Para começar, em quatro destes países os socialistas estão precisamente no poder — e isso parece ter tido um efeito de contágio positivo nas Europeias, numa tendência de contra-corrente. Foi assim em Malta e na Suécia, onde os respetivos executivos de Joseph Muscat (maioria absoluta) e Stefan Löfven (coligação com os Verdes) governam desde 2013 e 2014. Em Espanha, Pedro Sánchez acabou de vencer as legislativas há cerca de um mês, mas o PSOE já lidera os destinos do país desde meados de 2018, quando uma moção de censura derrubou o PP de Mariano Rajoy. E, em Portugal, António Costa e a geringonça estão agora a chegar ao fim da legislatura.

O wild card é, de facto, a Holanda, onde atualmente governam os liberais do VVD, de Mark Rutte. Nas últimas eleições legislativas, em 2017, os trabalhistas tiveram uma derrota histórica, não atingindo 6% dos votos. Agora regressam em força nas Europeias, talvez em parte galvanizados pelo facto de o spitzenkandidat dos sociais-democratas ser o holandês Frans Timmermans.

Certo é que, apesar de só ter vencido a eleição em cinco países, o grupo dos socialistas e sociais-democratas (S&D) no Parlamento Europeu pode vir a ter uma influência grande no próximo Executivo europeu. O Presidente francês Emmanuel Macron, do ALDE (liberais), tem-se reunido precisamente com Costa e com Sánchez para tratar desta questão. Em cima da mesa está a possibilidade de formar uma aliança para controlar a Comissão Europeia, negando a presidência ao PPE. Na noite de domingo, Timmermans reforçou o apelo: “Repito a minha proposta de criarmos uma plataforma progressista na Europa. É isso que as pessoas querem.”