Imagine um grupo automóvel que integre as marcas Abarth, Alfa Romeo, Alpine, Chrysler, Dacia, Fiat, Jeep, Lada, Maserati, Renault e Renault Samsung Motors. Nada menos que 11 fabricantes sob a mesma alçada, o que constituiria o terceiro maior colosso automóvel a nível global. Neste momento, é exactamente este o cenário que está em cima da mesa, com o conglomerado italo-americano Fiat Chrysler Automobiles (FCA) e o Grupo Renault a discutirem a possibilidade de se fundirem, criando uma nova entidade detida em partes iguais.

Se foi a FCA quem avançou com a proposta, do lado dos franceses, a Renault já veio confirmar o seu interesse numa operação deste género. Mais do que isso, o próprio Governo gaulês, que possui 15% da Renault, é favorável ao negócio, sendo os japoneses da Nissan os únicos que, até ao momento, oferecem resistência a esta fusão. O que pode vir a mudar, pois a Nissan detém 15% da Renault, sem contudo ter direito a voto. Sucede que, no quadro que está a ser discutido, recuperaria o direito ao voto, embora visse a sua participação reduzida para metade (7,5% das acções da Renault).

Se o futuro, por enquanto, ainda é incerto, do passado não restam dúvidas que Renault e Jeep, uma das marcas que hoje faz parte do universo FCA, já se acertaram em tempos. Recuando até aos anos 80, depois da falência da AMC, que detinha a Jeep e através da qual a Renault conseguiu vender os Renault 5, 9 e 11 no mercado norte-americano, os gauleses dedicaram-se ao então designado projecto XJ: nem mais nem menos que um Cherokee que a própria Renault comercializou em França e na Bélgica. Mas com uma condição: os motores teriam de ser seus. E assim foi.

O V6 de 111 cv de origem Chevrolet saiu de cena, para o seu lugar ser ocupado pelo mais contido 2.1 litros turbodiesel de 85 cv francês. Mas se acha que a perda de potência se traduziu em perda de clientes, desengane-se. Embora o Cherokee de então também pudesse esconder sob o capot um mais possante quatro cilindros em linha com 106 cv (de origem AMC), a verdade é que este 2,5 litros teve sempre vendas marginais. A popularidade da motorização francesa foi tal que, mesmo depois de a Chrysler ter adquirido a AMC e, por tabela, se ter convertido na nova proprietária da marca Jeep, os americanos não só permitiram que a Renault continuasse com a importação do Cherokee para França e Bélgica, como a alargaram a Espanha e Itália.

O Jeep Cherokee powered by Renault manteve-se na Europa até 1993. Quase 30 anos depois, há novas sinergias no horizonte. A história repete-se?