Foi detido pelas autoridades o comandante do navio que colidiu e causou o afundamento da embarcação de turismo na quarta-feira no rio Danúbio, em Budapeste. O homem de 64 anos e nacionalidade ucraniana é suspeito de comportamento negligente e de ter colocado em perigo o transporte fluvial, causando um acidente mortal em massa, anunciou esta sexta-feira a polícia húngara.

Entretanto, as autoridades continuam à procura de 21 pessoas que estão desaparecidas desde a noite de quarta-feira. O número de mortos mantém-se em sete mas a polícia teme que ainda possam ser encontradas vítimas no interior do navio, que vai ser removido do fundo do rio nos próximos dias, avança a Reuters.

Esta quinta-feira, o jornal húngaro Magyar Hírlap divulgou dois vídeos do acidente, captados por câmaras de vigilância. Nas imagens, é possível observar os dois barcos a colidirem.

“Aconteceu tudo muito rápido”, disse Clay Findley, um turista norte-americano que estava no Viking Sigyn, o barco que colidiu com o navio onde seguiam os turistas. “Primeiro, achei que não lhe íamos acertar, mas depois a parte da frente do Viking bateu na traseira daquele pequeno barco…”, acrescentou.

Quatro dos sete feridos que foram resgatados e transportados para o hospital já tiveram alta e os restantes três estão bem, informou fonte do hospital. Tratam-se de “seis mulheres e um homem, com idades entre os 31 anos e os 66 anos de idade”, de acordo com a agência de viagens de Seul que organizou a deslocação dos turistas.

Mihaly Toth, um porta-voz da empresa responsável pelo navio, disse que ainda não há justificação para o que levou a embarcação a afundar. “Era um dia normal e uma viagem habitual. Nós transportamos milhares de turistas nestes barcos todos os dias. Não havia sinais de que algo como isto podia acontecer”, disse Toth.

O rio encontrava-se a transbordar devido às fortes chuvas que se fizeram sentir. Uma das embarcações levava a bordo pelo menos 34 pessoas, 32 turistas, maioritariamente sul-coreanos e dois elementos da tripulação que foram atirados para fora do barco com a colisão. As autoridades húngaras estão à procura das vítimas desaparecidas, inclusive na Sérvia, para onde continua o Danúbio, numa corrida contra o tempo. Foram retiradas das águas 14 pessoas, sete sem vida.

De acordo com o polícia Adrian Pal, citado pela Sky News, o barco com os turistas virou-se para um dos lados e afundou-se em apenas sete segundos, perto da ponte Margit, não muito longe da catedral de Budapeste e do parlamento húngaro que estão na margem do rio. A mesma fonte diz que a polícia já iniciou uma investigação para apurar os detalhes do acidente.

Na manhã desta quinta-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Coreia do Sul disse que os turistas que se encontravam a bordo da embarcação não levavam coletes salva-vidas na altura do acidente.

O governante sul-coreano acrescentou que, de acordo com informações que recolheu junto de diplomatas do seu país na capital da Hungria, em geral, os passageiros não costumam usar coletes salva-vidas quando realizam viagens a bordo de embarcações turísticas no Danúbio, na zona da cidade de Budapeste.

Uma rapariga de seis anos está entre os 30 turistas sul-coreanos que embarcaram no navio turístico envolvido na colisão, mas até ao momento não se conhecem as identidades das sete vítimas mortais.

Um jornalista do jornal britânico The Guardian, Shaun Walker, que está atualmente em Budapeste, afirmava na noite de quarta-feira que o branco transportaria entre 35 a 40 pessoas. “Várias” estavam inconscientes e os serviços de reanimação “estão a decorrer”. Continuam também as buscas.

O navio chama-se Hableany (Sereia), tem 27 metros e capacidade para 60 pessoas e opera no Danúbio desde 2003. Uma das pessoas foi resgatada perto da ponte Petofi, a pouco mais de três quilómetros a sul do parlamento.

(atualizado às 19h30)