Ao longo de 545 minutos disputados no último Campeonato do Mundo, Olivier Giroud não fez um único remate enquadrado com as balizas adversárias mas nem por isso deixou de ser opção para Didier Deschamps e acabou a festejar o título de campeão do mundo de seleções. Em França, por se tratar de um ‘9’ com menos golo do que em muitos outros casos, não é propriamente o jogador mais amado, mesmo que leve ao longo da carreira desde 2011 um total de 35 golos em 89 internacionalizações.

Ao longo de cinco temporadas e meia ao serviço do Arsenal, vindo do Montpellier, Olivier Giroud chegou a ganhar o prémio FIFA de melhor golo do ano com um pontapé de escorpião que dificilmente poderia sair melhor mas os 105 golos em 253 jogos foram sempre pouco para os gunners, que estavam habituados a outros números de intérpretes como Dennis Bergkamp, Thierry Henry, Robbie Van Persie ou Adebayor. No Emirates, ninguém colocava entrave a uma saída para que chegasse outro nome para a linha atacante (como chegou, com Aubameyang e Lacazette), esquecendo-se que apesar de tudo tinha ganho três Taças de Inglaterra e outras tantas Supertaças ao serviço do conjunto liderado pelo compatriota Arsène Wenger.

Aos 32 anos, Giroud sempre foi uma espécie de mal amado por onde passa. Ou melhor, para quem acredita que o futebol de um avançado é mais do que marcar golos, conseguiu ser valorizado; para quem atenta mais nos golos do que outra coisa, nunca chegou a posições de top. Esta noite, o francês conseguiu fazer um “dois em um” das suas capacidades: depois de já ter estado na grande oportunidade da primeira parte, Giroud inaugurou o marcador na final da Liga Europa, sofreu a grande penalidade que originou o 3-0 e ainda fez a assistência para o último golo de Hazard. Nos últimos dois anos, enquanto o Arsenal ficou em branco, o gaulês continuou a festejar e, depois da Taça de Inglaterra, veio a primeira prova europeia de clubes pelo Chelsea, fazendo uma dupla improvável mas muito proveitosa com Eden Hazard, que está de saída de Stamford Bridge.

Em termos individuais, esta foi também uma noite para recordar: ao marcar na final da prova, Giroud isolou-se na liderança dos melhores marcadores com mais um golo do que Jovic, conseguindo ser o único além de Falcao, ex-avançado de FC Porto e Atl. Madrid que se encontra agora no Mónaco, a marcar 11 ou mais golos numa só edição da Liga Europa. Em paralelo, passou a ser o primeiro jogador desde Dino Baggio (1995, quando estava no Parma e defrontou a Juventus) a marcar à antiga equipa na final da prova e o primeiro desde Alan Shearer (2005, Newcastle) a marcar 11 golos numa competição europeia atuando por ingleses.

Todavia, e depois dos festejos no relvado, Giroud, que não celebrou o golo fazendo o sinal de desculpa com as mãos antes de ser agarrado pelos companheiros, não deixou de ter uma palavra de conforto com a anterior equipa. “Este foi um jogo especial para mim, por tudo aquilo que o Arsenal representa para mim. Estou muito orgulhoso por ter ganho esta Liga Europa com o Chelsea, penso que merecemos este troféu. Passei cinco anos e meio no Arsenal, tive grandes momentos e isso tem sempre o seu significado. Estou muito contente com os meus registos e feliz por ter tempo de jogo”, comentou no final o avançado que renovou na semana passada com o conjunto de Stamford Bridge por mais uma temporada.