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Congresso da Fenprof arranca com críticas ao Governo, ao PS e “hipocrisia do PM”

No congresso da Fenprof Mário Nogueira acusou o Governo de "intransigente ao longo de mais de ano e meio, tempo de duração de uma das mais longas farsas negociais na Educação".

TIAGO PETINGA/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

O 13.º congresso da Fenprof arrancou esta sexta-feira com o Governo e o PS na mira das críticas do secretário-geral, Mário Nogueira, que não esqueceu o primeiro-ministro, acusando António Costa de hipocrisia por “tecer loas” pré-eleitorais aos professores.

Falando para um auditório cheio, no Fórum Lisboa, Mário Nogueira disse aos professores que estes chegam a este congresso “de cabeça levantada”, porque lutaram muito, ainda que não tenham conquistado tudo, muito por culpa, acusou, de um Governo que “foi intransigente ao longo de mais de ano e meio, tempo de duração de uma das mais longas farsas negociais na Educação”.

O tempo de serviço congelado que os professores ainda não conseguiram recuperar na íntegra — os nove anos, quatro meses e dois dias, bem presentes na frente de palco, num grande ‘9A 4M 2D’ de esferovite branco — marcaram parte do discurso de abertura de Mário Nogueira, que defendeu que ter-se recuperado dois anos, nove meses e 18 dias é “um inegável progresso”, mas reafirmou que os professores não vão abdicar do direito à contagem integral.

“Não exigimos o céu”, garantiu Mário Nogueira, que afirmou que também aos professores interessa a sustentabilidade das contas públicas que lhes garanta o salário ao final do mês.

Ao Governo, e ao PS, no parlamento, apontou uma união com os partidos mais à direita que impediram que desse uma “resposta às justas reivindicações dos trabalhadores” e acusou ainda o executivo não investir na educação e na escola pública.

O secretário-geral que deverá ser reeleito para novo mandato — e último, disse em entrevista à Lusa — disse que “em Portugal, o dinheiro só não falta para os bancos”, criticando ainda os milhões de euros perdidos para a corrupção, ironizando que há mais nomes de operações judiciais contra a corrupção, como a Operação Marquês, Face Oculta, e-Toupeira, entre outras, do que nomes para tempestades que têm assolado o país.

“É que não há ventania que faça concorrência aos corruptos deste país”, disse.

Mário Nogueira não esqueceu os recentes elogios de António Costa, em Arcos de Valdevez, que na inauguração de uma escola reabilitada prestou um “grande tributo” aos professores pelo trabalho desenvolvido.

“Soaram a hipocrisia os elogios aos professores feitos por António Costa, na semana passada. Não esquecemos que o primeiro-ministro foi o rosto de um Governo que, não raras vezes, desrespeitou e desconsiderou os professores, desprezando os seus direitos, não hesitando em recorrer à chantagem — a ponto de ameaçar demitir-se se o tempo de serviço cumprido fosse integralmente recuperado — e tentando virar as populações contra os professores, como fez quando colocou em alternativa a recomposição da carreira docente ou as obras […] do IP3”, disse.

“Escusa agora António Costa, com a proximidade das eleições, tecer loas aos professores, pois a prática do Governo que lidera foi contrária à sua valorização profissional, social e material. A carreira sai esfrangalhada da legislatura”, acrescentou.

O discurso terminou a garantir a continuidade da luta que será decidida em congresso, depois de já ter lembrado a manifestação nacional de 05 de outubro, véspera de eleições, e de ter lembrado ameaças à educação que se vivem em alguns pontos do mundo, como o caso do Brasil, com uma delegação sindical representada no congresso, onde nas últimas semanas houve manifestações contra a política educativa de Bolsonaro, e hoje há uma greve geral.

O Brasil esteve também presente no discurso do convidado da sessão de abertura, David Edwards, o norte-americano à frente da Internacional da Educação.

“O mundo está a tornar-se um lugar muito perigoso, incluindo o meu país”, disse Edwards, que referiu que nos EUA há estados onde os professores não têm direito à negociação coletiva, mas que recentemente, em alguns pontos do sul do país, decidiram sair à rua para exigir mudanças, e ganharam.

Edwards, que abordou a situação portuguesa, referindo o envelhecimento da classe docente e a contagem do tempo de serviço, deixando um apelo à luta.

“As flores podem cortar-se, mas não se pode parar a primavera. A luta continua”, disse.

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