(Artigo atualizado às 10h15 do dia 21 de junho)

Já são nove os turistas norte-americanos que morreram repentinamente enquanto passavam férias na República Dominicana. Três destas vítimas mais recentes morreram por insuficiência cardíaca e com líquido nos pulmões. O FBI juntou-se às autoridades dominicanas para apurar o que está por trás da onda de mortes entre turistas hospedados em hotéis deste país, um destino de férias também para os portugueses. A resposta pode estar em bebidas alcoólicas contrafeitas vendidas nos bares dos hotéis, avança o New York Post.

Na passada quarta-feira, o diretor de comunicação do ministério da Saúde da República Dominicana assegurou que o FBI está a investigar amostras provenientes de pelo menos um minibar do Bahia Principe Hotel, num esforço conjunto com as autoridades da República Dominicana, escreve a CNN.

O primeiro caso reportado às autoridades ocorreu em finais de abril. Robert Wallace, 67 anos, deu entrada no hospital a 11 de abril depois de beber um whiskey do minibar do quarto onde estava hospedado com a família, o Hard Rock Hotel & Casino. Morreu a 14 do mesmo mês. No mês seguinte, a 25 de maio, Miranda Schaup-Werner, 41 anos, morreu no Luxury Bahia Principe Bouganville duas horas depois de também ela ter consumido uma bebida alcoólica do minibar.

A morte de Miranda foi a primeira de três num espaço de cinco dias. A 30 de maio, Nathaniel Edward Holmes e Cynthia Ann Day, um casal com 63 e 49 anos, foram encontrados mortos num quarto do Grand Bahia Principe La Romana. Este hotel e aquele em que Miranda Schaup-Werner estava hospedada pertencem ao mesmo grupo hoteleiro e são geminados. As autópsias aos três corpos revelaram a mesma causa de morte: insuficiência cardíaca e edema pulmonar.

Estes são os casos mais recentes, mas há outros semelhantes que remontam ao ano passado. Em junho de 2018, Yvette Monique Short, 51 anos, morreu num quarto no Luxury Bahia Principe Bouganville  — o mesmo onde Miranda Schaup-Werne estava hospedada — depois de ter ingerido uma bebida do minibar. Em julho do mesmo ano, David Harrison, 45 anos, morreu no mesmo hotel onde Robert Wallace estava hospedado após tomar uma bebida do minibar. As autópsias revelaram que ambos morreram de ataque cardíaco.

A estes nomes a CNN acrescenta ainda Leyla Cox, de 53 anos, que morreu a 10 de junho, John Corcoran, que morreu em abril também num quarto de hotel da República Dominicana, e Joseph Allen, de 55, encontrado sem vida na semana passada.

Apesar de as autoridades dominicanas garantirem que não há ligação entre os casos, os Estados Unidos já começaram a conduzir as próprias investigações. Segundo o New York Post, a estratégia do FBI tem sido recolher amostras de sangue dos cadáveres e enviá-los para análise em Quantico para apurar se havia químicos proibidos nas bebidas consumidas pelos turistas. Lawrence Kobilinsky, cientista forense do Colégio John Jay de Justiça Criminal, Manhattan, explicou ao jornal que os sintomas e causas de morte reveladas nas autópsias indicam um possível envenenamento com metanol ou pesticidas.

Além das vítimas mortais, outros turistas norte-americanos queixaram-se de mau estar após consumirem bebidas dos minibares de hotéis da República Dominicana em outubro. Awilda Montes, 43 anos, contou à CNN que vomitou sangue depois de beber um refrigerante no Luxury Bahia Principe Bouganville. Sobreviveu, mas perdeu o paladar e desenvolveu problemas respiratórios.

Quatro meses antes, algo semelhante já tinha acontecido com Kaylynn Knull e Tom Schwander, um casal de 29 e 33 anos que viajou até à República Dominicana em junho de 2018. Hospedados no Grand Bahia Principe Hotel La Romana, ambos dizem ter sentido “0 sangue a ferver”. O médico que os tratou afirma que o casal deve ter sido envenenado com pesticidas.

A República Dominicana é um destino de férias comum entre os portugueses. Por enquanto, o Portal das Comunidades Portuguesas do Ministério dos Negócios Estrangeiros não faz referência a estes casos. Mas pede cautela no consumo de bebidas, principalmente água: “Aconselha-se o consumo de água engarrafada, que se vende facilmente em todo o país. Preferencialmente, exija que a garrafa seja aberta à sua frente”.

Português internado na República Dominicana

Segundo a Sic Notícias, um cidadão português esteve internado num hospital da República Dominicana durante três dias, alegadamente vítima de uma intoxicação alimentar. O português não identificado já teve, entretanto, alta e viajou esta quinta-feira de regresso a Portugal. Não há elementos que permitam associar este caso à morte de nove turistas.