O fim de semana são joanino começa no sábado, às 18h, com as tradicionais rusgas junto à câmara municipal, onde cada uma das sete juntas de freguesias da cidade é responsável por uma apresentação. Trajes, adereços, cenários, músicas e coreografia são alguns elementos que o júri avaliará para escolher a vencedora deste ano.

Pelas 22h, sobe ao palco já montado na Avenida dos Aliados o músico e compositor Jorge Palma. “Frágil”, “Deixa-me Rir”, “Dá-me Lume” ou “Encosta-te a mim” são temas universais numa carreira com mais de 40 anos que prometem pôr o público a cantar em coro. Além da sua banda e uma secção de metais, uma formação apresentada ao vivo pela primeira vez, Jorge Palma convida ainda Manuela Azevedo, vocalista dos Clã, e Rui Reininho, a voz do GNR, ambos naturais do Porto.

Na noite de S. João, domingo para segunda feira, os Aliados recebem o fado de Marta Pereira da Costa, que se estreia ao vivo na cidade do Porto. Com o seu quinteto, a artista pretende explorar sonoridades como o jazz, as mornas cabo-verdianos, o chorinho brasileiro e a world music, num concerto, com início às 22h, concebido especialmente para esta noite. Marta Pereira Costa terá como convidados em palco o coro Gospel Collective e o rapper portuense Bazegol.

À meia-noite em ponto os olhos viram-se para as margens do Douro que recebe o tão esperado fogo de artificio, lançado desde a ponte Luiz I. Porto e Vila Nova de Gaia vão assistir a um espetáculo piromusical de 20 minutos onde serão efetuados mais de 50 mil disparos. Depois deste momento, será a vez de João Gil recordar alguns êxitos da sua autoria que fazem parte do cancioneiro português, como “125 Azul”, “Loucos de Lisboa”, “Solta-se o Beijo” ou “Perdidamente”.  Com novos arranjos, o músico chama à festa uma mão cheia de convidados: Ala dos Namorados, Ana Bacalhau, Carlão, João Pedro Pais e Tim. Pelas 2h30 é a vez do DJ Set Alberto da Rocha & Francisco Moreira se encarregarem de animar o resto da noite na avenida principal da cidade.

No feriado de dia 24 acontece a já habitual regata de 18 barcos rabelos da Confraria do Vinho do Porto, a partir das 16h, do Cabedelo até à Ponte D. Luiz I. Nos Aliados a música regressa, pelas 17h, com um concerto clássico da Banda Sinfónica Portuguesa, tendo o maestro Francisco Ferreiro como diretor musical e o trompetista Rubén Simeó como solista.

Até ao final do mês de junho pode contar com carrosséis, matraquilhos, carrinhos de choque uma roda gigante e bancas de comida em vários pontos da cidade, como a Rotunda da Boavista, o Largo Amor de Perdição, a Alameda das Fontainhas ou a Avenida D. Carlos I, na Foz. Até dia 30, não deixe de ver a Cascata Comunitária de S. João no Mercado Temporário do Bolhão. Nesta terceira edição, a instalação é composta por 621 peças, entre casas e figuras características da cidade. Depois de mais de 30 horas de oficinas, participaram na construção desta cascata mais de 300 pessoas, a maioria crianças.

Um pouco de história

É considerada a noite mais longa do ano e quem faz a pé o percurso da Ribeira até à Foz, como canta Rui Veloso, acaba cansado, mas feliz. Na mítica noite de São João reinam os bailaricos, as cascatas, as marteladas, os balões de ar quente e, claro, as sardinhas a pingar em cima de uma fatia pão. Na noite de 23 para 24 de junho celebra-se o momento do nascimento de São João Baptista, primo de Jesus Cristo que, segundo a religião católica, o batizou nas águas do Rio Jordão, em Jerusalém. As cascatas de São João estão para o solstício de verão assim como o presépio está para o solstício de inverno, pois ambos celebram o nascimento de figuras católicas.

Até de madrugada, a cidade do Porto enche-se de alegria e folia, mantendo algumas tradições de outros tempos. Os alhos porros, usados para bater na cabeça das pessoas, eram símbolo da fertilidade masculina, já os manjericos, tão típicos desta festa popular, estão relacionados com o amor e as suas quadras funcionavam como declarações.

Só em 1963 foi inventado o famoso martelo de São João por Manuel António Ventura, industrial de uma empresa Plásticos do Porto. Manuel teve a ideia de criar um brinquedo inspirado num saleiro/pimenteiro que viu numa das suas viagens ao estrangeiro, ao qual adicionou um apito. Nesse mesmo ano os estudantes apoderaram-se dele para animar a festa da Queima das Fitas, revelando-se um enorme sucesso. Assim, os martelinhos nunca mais saíram do imaginário dos portuenses e muitos comerciantes começaram a produzi-lo especialmente para a festa de São João.

Os balões de ar quente feitos de papel são lançados durante toda a noite, preenchendo e iluminando todo o céu. A sua utilização é frequente em festas populares em Portugal e no Brasil, mas a sua origem remonta para festivais tradicionais asiáticos.

Ao contrário do que muitos acreditam, S. João não é o padroeiro da cidade do Porto, mas sim a Nossa Senhora da Vandoma, santa que dá nome a uma feira de antiguidades que acontece todos os sábados na zona das Fontainhas.