O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a sua recandidatura à Casa Branca. O anúncio, feito entre críticas aos jornalistas e às fake news, e com alguns — vários — auto-elogios ao seu mandato, foi feito durante um comício na Flórida para cerca de 20 mil pessoas na madrugada de terça-feira.

Lanço oficialmente a minha campanha para um segundo mandato. Prometo que não vou desiludir-vos nunca“, anunciou o republicano, sem rodeios ou criatividade. Aos presentes prometeu que vai “tornar a América grande outra vez”, reciclando o slogan da campanha de há quatro anos que passou diretamente dos chapéus vermelhos dos seus apoiantes para a Casa Branca.

A estratégia, aliás, é em tudo semelhante à que adotou na campanha que o conduziu à Presidência dos Estados Unidos. Além do slogan igual, existe a data semelhante. Este ano escolheu o dia 18 de junho para fazer o anúncio de recandidatura, em 2015 tinha optado pelo dia 16 de junho. Quatro anos e dois dias de diferença, apenas.

O discurso, esse, não se desvia muito do que apresentou nessa altura. “A única coisa que os políticos vão entender é um terramoto nas urnas. Já fizemos isso uma vez e vamos voltar a fazê-lo. E desta vez vamos terminar o nosso trabalho”, disse Trump, insistindo no argumento da separação entre os cidadãos comuns e os políticos. Como há quatro anos, o Presidente dos Estados Unidos inclui-se no primeiro grupo, mesmo estando a ocupar há dois anos e meio uma das cadeira mais poderosas do mundo.

No seu discurso, que durou de cerca de uma hora e 20 minutos, foi afirmando que os seus opositores democratas tentaram destruir o “movimento em defesa do povo norte-americano”. E carregou nas tintas nos ataques que desferiu aos adversários. “Os democratas querem destruir o nosso país tal como o conhecemos”, avisou. “Um voto nos democratas em 2020 é um voto na ascensão do socialismo radical e na destruição do sonho americano”.

Do outro lado da barricada, Trump vê um quadro negro. E fez questão de pintar esse cenário para quem o ouvia. “Existe uma multidão de esquerda radical” entre os 23 candidatos já anunciados no lado democrata. “Os democratas estiveram sempre contra mim, contra a minha família, mas o mais grave: estiveram contra vocês”, apontou, dirigindo-se aos seus apoiantes.

Quatro anos depois, Trump fala com os mesmos argumentos mas com as costas mais quentes: tem o partido unido, bons índices económicos para apresentar e os adversários democratas desalinhados — até relativamente ao início de um processo de destituição no Congresso, onde alguns acham que ainda não é tempo para explorar as consequências da investigação sobre a interferência russa nas eleições de 2016, que mostraram indícios de obstrução à justiça por parte da equipa de Trump.

Um processo que Donald Trump não deixou que ficasse esquecido. “Atravessámos a maior caça às bruxas da história política do país. Foi tudo uma tentativa ilegal de condicionar os resultados das eleições”, considerou, referindo-se ao famigerado relatório de Robert Mueller.

O que também não podia ficar de fora deste discurso de Trump era a estratégia de ataque à comunicação social e às fake news. Enquanto se congratulava pela quantidade de apoiantes que encheram o polidesportivo Amway Center, apontava com o indicador para a bancada dos jornalistas enquanto se lamentava: “Está aqui muita fake media, muita mesmo”.

Enquanto ia atacando a imprensa, os democratas e a caça às bruxas, Trump lembrava alguns dos dados económicos que reforçaram o crescimento económico do país. “A nossa economia, neste momento, é provavelmente a melhor economia da história dos Estados Unidos”, proclamou.

Falou do trabalho que está por acabar para pedir o voto. Do muro na fronteira com o México — “que será maior, melhor e mais barato” — à necessidade de revogar o Obamacare, passando pela guerra comercial com a China, Trump estabeleceu quais as bandeiras que quer continuar a agitar depois de 2020.

Em 2016, poucos acreditavam que Trump alguma vez chegasse à Casa Branca, mesmo dentro do seu Partido Republicano, duvidando do seu estilo belicoso e do impacto negativo dos casos em que se ia envolvendo. Um facto que funciona como um balão de oxigénio perante as últimas sondagens tornadas públicas, algumas delas feitas pela própria candidatura de Trump, que revelavam que vários dos 23 candidatos democratas têm vantagem sobre o Presidente.