A restauração de 11% das florestas tropicais húmidas destruídas pode melhorar o clima e o meio ambiente, especialmente se feita em pontos críticos de 15 países, como o Brasil ou a Índia, indica um estudo esta quarta-feira divulgado.

A investigação, publicada na revista Science Advances, identificou locais de países em quatro continentes onde a revitalização das florestas traria maiores benefícios na absorção de dióxido de carbono, água e vida selvagem.

São mais de 100 milhões de hectares de florestas húmidas que podiam ser restaurados e que representariam uma oportunidade para lutar contra o aumento da temperatura global, poluição, falta de água e extinção da vida animal e vegetal.

O Brasil, a Indonésia, Madagáscar, Índia e Colômbia são os países com maior área de locais propícios para reflorestação, mas em África foram também identificados mais cinco países (além de Madagáscar) com boas oportunidades, o Ruanda, o Uganda, o Burundi, o Togo e o Sudão do Sul.

“Restaurar as florestas tropicais é fundamental para a saúde do planeta, agora e para as próximas gerações”, segundo o principal autor do estudo, Pedro Brancalion, da Universidade brasileira de S. Paulo.

“Pela primeira vez, o nosso estudo ajuda governos, investidores e outros que procuram restaurar florestas tropicais húmidas, a determinar com precisão locais onde a restauração das florestas é mais viável, duradoura e benéfica. Restaurar florestas é uma necessidade e é possível”, afirma o investigador.

Os 12 autores do estudo, “Oportunidades globais de restauração em florestas tropicais”, usaram imagens de satélite de alta definição e investigações recentes sobre quatro temas: biodiversidade, mitigação das alterações climáticas, adaptação às alterações climáticas e segurança da água, aos quais acrescentaram fatores de custos, riscos de investimento e sobrevivência das florestas restauradas. Tudo combinado os investigadores elegeram os locais onde reflorestar seria mais benéfico, menos dispendioso e menos arriscado.

Robin Chazdon, outro dos autores do estudo, salientou a “surpresa” de haver uma grande concentração de países africanos e disse que a grande maioria das áreas críticas fazem parte de zonas de conservação, mas com alto risco de desflorestação.

Brancalion acrescentou que muitos dos locais estão em países onde a reflorestação já é uma prioridade, e disse que a restauração das florestas é mais viável em terras de baixo valor para a produção agrícola.

Em alternativa, dizem os investigadores, a reflorestação pode ser associada a fatores geradores de rendimento, como cultivando café ou cacau numa zona florestal, e sempre associando as mudanças às comunidades locais.

De acordo com a publicação é cada vez mais consensual que a reflorestação é uma das soluções mais económicas e prontamente disponíveis para os atuais problemas climáticos e ambientais.

Numa declaração divulgada no ano passado 40 cientistas já assinalavam que a limitação do aquecimento global requer a proteção das florestas e a reflorestação das zonas que se perderam. Acelerar a restauração das florestas, advertiam, ajuda a atingir as metas climáticas, ainda que não suplante a necessidade de reduzir emissões de gases com efeito de estufa.

Alguns países, como a China ou a índia, já iniciaram processos de reflorestação em larga escala, mas também há críticas em relação à opção das monoculturas, para atender a compromissos de reflorestação mas sem ter em conta a proteção e restauração das florestas naturais.