É o KFC “mais remoto do mundo”, mas há quem faça “entre 500 a 1000 quilómetros  de propósito” para ali fazer uma refeição. Quem o diz é Sam Edelman, que gere um restaurante em regime de franquia da cadeia de fast food em Alice Springs, no Norte da Austrália. O australiano quer agora que o esforço da sua equipa seja reconhecido… com uma estrela Michelin. Porque, diz, o seu KFC é “mais do que um local de fast food”.

“Os frangos que são entregues na loja, todos os dias, são frescos e panados à mão na nossa cozinha pelos nossos cozinheiros. Há alguma habilidade nisso”, disse, em entrevista ao jornal britânico Metro.

Sam lançou mesmo uma página de Facebook chamada “Kentucky Fried Chicken deserves a Michelin Star“, onde tem feito uma espécie de campanha mundial — que já o levou a França — para alcançar o objetivo e chamar a atenção da Michelin. Aí, já tem mais de 1200 apoiantes. Num vídeo publicado recentemente, em Paris, dá a provar a parisienses o seu “famoso” frango. “Acha que merece uma estrela Michelin?”, pergunta a uma transeunte. “Honestamente, não. As estrelas Michelin não são para fast-food”, responde-lhe. Outra pessoa diz-lhe: “É um bocado maluco por achar que consegue uma estrela Michelin.” Mas há quem o incentive a não desistir.

A Michelin não tem um guia para a Austrália, pelo que nenhum restaurante australiano tem estrelas atribuídas.

Segundo o jornal britânico, para ganhar uma estrela, o restaurante tem de ser considerado “muito bom na sua categoria”. Para duas estrelas é necessária “uma culinária excelente, que valha a pena para fazer um desvio”. E as três estrelas só são possíveis se o restaurante servir uma “cozinha excecional, que valha uma viagem especial”. E Sam não tem dúvidas de que o seu restaurante corresponde a todos os requisitos.

A ideia do australiano surgiu enquanto via uma série na Netflix sobre street food (comida vendida na rua), na qual um vendedor de rua em Bangkok, Tailândia, ganhou uma estrela Michelin. “Tradicionalmente, eu sempre achei que a estrela Michelin era o auge de uma boa refeição, que seria precisa uma lista de vinhos requintada e uma experiência gastronómica espetacular. (…) Num nível básico, correspondemos aos critérios. Se esse vendedor de rua conseguiu a estrela Michelin, porque não conseguimos nós?”

Sam adquiriu a franquia há sete anos e diz que o facto de o KFC ser o mais remoto de mundo “é o que o distingue”. Relata mesmo que já chegou a receber uma encomenda de mineiros no oeste australiano (o restaurante localiza-se no norte) que lhe rendeu 622,29 euros (1000 dólares australianos). A encomenda teve de seguir por avião.