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Braga. Deputado crítico da especulação imobiliária quer despejar inquilinos de edifício histórico

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Hugo Pires será detentor de metade do capital de uma empresa que quer despejar os arrendatários de um prédio no centro de Braga. Deputado nega. Inquilinos garantem que quer abrir um alojamento local.

O edifício fica localizado no centro de Braga e está classificado como de interesse público

CM Braga

O deputado socialista Hugo Pires, coordenador do Grupo de Trabalho — Habitação, Reabilitação Urbana e Políticas da Cidade da Assembleia da República, responsável por delinear a nova Lei de Bases da Habitação, será gerente e sócio de uma empresa de investimentos imobiliários que quer despejar os arrendatários de uma cafetaria e galeria de arte em Braga, instalada num imóvel classificado, noticia o Jornal Económico na edição desta sexta-feira. Segundo o jornal, o socialista é um forte crítico da especulação imobiliária e dos despejos de inquilinos, escrevendo regularmente sobre isso na sua página do Facebook.

O espaço cultural bracarense, onde ficava a antiga livraria Mavy, foi arrendado em 2012 pelos irmãos Ana e Filipe Morgado. O contrato de arrendamento, firmado com os antigos proprietários do edifício do centro da cidade, é válido até 2034, mas desde 2017 que a CRIAT Imobiliária, que o adquiriu dois anos antes, estará a tentar despejar os arrendatários. Segundo relataram Ana e Filipe Morgado ao Jornal Económico, a empresa pretende abrir um negócio de Alojamento Local. O prédio está classificado como imóvel de interesse público e património da cidade de Braga.

Metade do capital social da CRIAT será detido por Hugo Pires que, até 2017, desempenhou também funções como vereador da Câmara Municipal, responsável pela Divisão de Apoio aos Departamentos Técnicos. Contactado pelo Jornal Económico e também pela Rádio Observador, o socialista negou ser gerente da empresa, afirmando ser apenas “sócio minoritário”. Não será isso que consta da sua declaração de interesses, garante o jornal.

Pires negou também a existência de uma “ação de despejo”. “Essa empresa adquiriu um imóvel por via judicial, livre de ónus ou encargos. Ou seja, o tribunal vendeu um prédio, onde supostamente não estava ninguém”, declarou o deputado à Rádio Observador, explicando que o café de Ana e Filipe Morgado, que existe no rés-do-chão, “não tem contrato” e “está lá ilegalmente”. O socialista garante que a CRIAT Imobiliária “tentou chegar a um entendimento” com os inquilinos, mas estes “nunca responderam”. “O que o tribunal fez foi notificá-los que têm de sair do espaço”, disse.

Sobre a intenção de o edifício vir a ser transformado num Alojamento Local, o deputado classificou essa informação como “incorreta”. “O projeto de arquitetura já deu entrada na Câmara Municipal de Braga e destina-se a habitação permanente e comércio”, afirmou Hugo Pires, que detém um gabinete de arquitetura, ao Jornal Económico. Nas declarações que prestou ao jornal, o deputado afastou ainda a existência de uma eventual incompatibilidade com as suas funções no Grupo de Trabalho ou com as posições políticas que tem vindo a defender.

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