O ministro das Finanças defende-se das críticas sobre o mau funcionamento dos serviços públicos e garante que estão “no seu nível máximo das últimas décadas, em termos de recursos humanos e financeiros”, mesmo ni Serviço Nacional de Saúde. Já sobre as perspetivas macroecónomicas do PSD, Mário Centeno não duvida do crescimento previsto, mas sim “do habitual milagre do corte da despesa” e sugere que o que o PSD quer cortar consumos intermédios no SNS. 

Em entrevista ao Público, publicada este sábado, o responsável pela pasta das Finanças não adianta se vai continuar no cargo e nem mesmo se irá nas listas de candidatos do PS às próximas legislativas. Atira a responsabilidade para o primeiro-ministro António Costa: “Não é a mim que me cabe anunciar o que quer que seja”. Apenas adianta que o cenário macroeconómico em que o PS vai sustentar as medidas do próximo programa eleitoral terá o seu “contributo”. Em 2015 foi o coordenador do grupo de economistas que traçou o cenário para o então candidato António Costa.

Já sobre as perspetivas que o PSD adiantou na última semana, Centeno “não vê dificuldade” no cenário de um crescimento de 2,7% em 2023 apontado por Rui Rio. Mas e crítico da “razoabilidade orçamental” do cenário social-democtara: “Do pouco que sabemos daquele programa, parece-me que falha ali quase tudo”. Questionado sobre essas falhas, o ministro fala diz que o corte da despesa previsto “levanta algumas dúvidas, em particular no que diz respeito aos consumos intermédios. Aquela evolução que é ali prevista só é possível com reduções reais da despesa com consumos intermédios e há uma dimensão enormíssima deste tipo de despesa que é precisamente na saúde”, diz.

Centeno desafia o PSD a esclarecer “onde é que esses cortes vão ser feitos”. Tanto mais, diz, que também quanto a despesas com pessoal e com prestações sociais, “já estão neste momento legisladas, em termos de descongelamento de carreiras e no funcionamento da lei de bases da Segurança Social, com atualização das pensões num cenário de crescimento acima de 2%, obrigações de despesa. E aquelas despesas que estão previstas no programa do PSD não me parece que cheguem para dar resposta a essas obrigações”.

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Quanto às críticas à sua mão pesada em relação a despesas nos serviços públicos, nomeadamente no SNS, Centeno diz não estar certo “de que quando gerávamos défices tínhamos melhores serviços públicos. Isso não é verdade. Nalguns serviços públicos, como a saúde, por exemplo, temos hoje os recursos públicos no seu nível máximo das últimas décadas, em termos de recursos humanos e financeiros…”. O ministro das Finanças garante, na entrevista, que a despesa com o SNS “cresceu praticamente 19% face à legislatura anterior”, com investimento em “medicamentos, meios de diagnóstico, tratamentos, próteses, dispositivos médicos cuja despesa aumentos em mais de 2500 milhões de euros. Não é possível dizer que estes recursos financeiros não foram postos à disposição dos utentes porque foram”, argumenta.

Ainda em matéria de saúde e com a discussão da lei de bases na cabeça, o ministro volta a insistir na defesa das parcerias público-privadas. “As PPP na saúde entram exatamente pelo carril da qualidade da despesa pública, e nós devemos ser muito exigentes com a qualidade da despesa pública, não me vou cansar de repetir isto nos próximos meses”. Para Centeno, as “PPP da Saúde são uma forma possível de gerir um sector que é muito difícil de gerir, que deve recolher todas as boas práticas de gestão” e “não há nenhum problema com as PPP se se demonstrar que é um mecanismo eficaz e eficiente de gerir parte do SNS“.