Morreu Vincent Lambert, o enfermeiro francês em estado vegetativo e com estado alterado de consciência a quem foi retirado o apoio à alimentação e hidratação e que se tornou num símbolo do debate sobre a eutanásia em França. Tinha 42 anos. A 2 de julho, quatro dias depois de uma decisão tomada em tribunal, o hospital onde Vincent Lambert estava internado iniciou o processo de interrupção do fornecimento de água e alimentos por via endovenosa, enquanto aumentava a sedação do paciente. Vincent sucumbiu esta quinta-feira, após 11 anos de lesões cerebrais irreversíveis e depois de uma intensa luta dos pais nos tribunais para impedir que lhe fosse tirado o suporte nessas funções.

Em 2008, Vincent Lambert teve um acidente de viação que o deixou tetraplégico e o obrigou a ser alimentado com injeções diretamente administradas na corrente sanguínea. Ficou em estado vegetativo crónico e com um nível de consciência mínimo, mas conseguia respirar sozinho, mexer a cabeça e abrir os olhos. Em 2014, os médicos que o acompanhavam decidiram para o apoio à alimentação e hidratação dada ao paciente, quando entenderam que estado vegetativo dele era irreversível e sem sinais de melhoria da situação de saúde.

Os pais discordaram e julgavam possível que Vincent Lambert pudesse sair daquele estado.. “É eutanásia”, acusou o pai do paciente, nascido no seio de uma família muito religiosa. O tribunal já tinha dado autorização aos médicos para parar aqueles apoios a Vincent Lambert, mas o processo atrasou-se por causa dos recursos interpostos pelos pais e uma irmã do enfermeiro, em discordância com a mulher, cinco irmãos e o sobrinho do paciente.

No final do mês, no entanto, um tribunal deu ordem ao hospital para que os médicos fossem avante com a decisão clínica. Vincent Lambert acabaria por morrer nove dias depois, esta quinta-feira, às 08h24 de Paris — menos uma hora em Portugal Continental.

O caso de Vincent Lambert arrastou-se por mais de uma década por causa de contradições sobre qual seria a real vontade do enfermeiro. Os pais, católicos, são contra a eutanásia e acreditavam que desligar essas máquinas ao doente seria algo em tudo semelhante a um homicídio. A mulher, cinco dos seis irmãos e sobrinho, por outro lado, garantem que Vincent Lambert não quereria continuar a viver naquelas condições. Como o enfermeiro francês não tinha deixado qualquer testamento, não havia provas da vontade de Vincent. O tribunal teve de decidir por ele e pela família.