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Direitos Humanos

Vincent Lambert, o francês em morte cerebral, teve finalmente as máquinas desligadas

A batalha entre os pais, a mulher e os irmãos de Vincent Lambert chegou ao fim. As máquinas foram desligadas e os pais resignaram-se — sem aceitar — a decisão.

Um acidente em 2008 deixou Vincent Lambert tetraplégico e com lesões cerebrais irreversíveis

PHOTOPQR/L'UNION DE REIMS/EPA

O mais alto tribunal de recurso francês decidiu: o suporte básico de vida de Vincent Lambert poderia ser desligado. Os pais ainda tentaram recorrer da decisão mais uma vez, mas esta segunda-feira divulgaram uma carta em que se confessam resignados a uma situação que ainda assim não aceitam, noticia o jornal Le Fígaro.

Depois da decisão do tribunal a 28 de junho, o hospital onde Vincent Lambert iniciou o processo de interrupção do fornecimento de água e alimentos por via endovenosa (diretamente na corrente sanguínea), na passada terça-feira, ao mesmo tempo que aumentava a sedação do doente. Este processo já tinha sido iniciado no final de maio, mas um recurso interposto pelos pais fez reverter a situação. Há seis anos que a possibilidade de desligar as máquinas opõe os pais e dois irmãos de Vincent Lambert à mulher, cinco irmãos e um sobrinho que defendem que o enfermeiro francês em morte cerebral deveria ter direito a morrer.

Vincent Lambert teve um acidente de viação em 2008. Ficou tetraplégico e com lesões cerebrais irreversíveis. Desde então, é alimentado e hidratado por via endovenosa e não tem mostrado sinais de melhoria da situação de saúde. Desde 2014, que há um consenso generalizado, entre os médicos que assistem Vincent Lambert, que o doente está em estado vegetativo e que deve ser desligado das máquinas. Os mais próximos dizem que desejava não ser mantido vivo artificialmente, mas a verdade é que nunca o deixou por escrito, refere o jornal The Guardian.

Os pais, profundamente católicos, nunca aceitaram que as máquinas fossem desligadas e sempre defenderam que seria possível reverter a morte cerebral em que se encontrava. Na semana passada os pais ainda tentaram que a decisão fosse alterada e que as máquinas fossem ligadas novamente. Durante o fim de semana, Pierre Lambert, de 90 anos, acusou os médicos de estarem a realizar uma forma de homicídio encapotado. “É eutanásia.” Na realidade, os pais apresentaram, na passada sexta-feira, uma queixa contra o médico Vincent Sanchez, do Hospital Universitário de Reims, por “tentativa de intenção de assassinato”, noticia o jornal Le Fígaro.

Esta segunda-feira, os pais de Vincent Lambert mostraram-se mais resignados, numa carta enviada à AFP, e citada pelo jornal Le Fígaro. “A morte de Vincent é agora inevitável. Foi-lhe imposta a ele como a nós”, disseram os pais. “Se não aceitarmos isso, só poderemos resignar-nos com dor, incompreensão, mas também com esperança.” Os pais consideram que foi a sedação que fez com que a situação clínica de Vincent Lambert se deteriorasse e que agora já não fosse possível recuperá-lo.

Diferente opinião têm os médicos que acompanharam o doente francês. Os médicos confirmaram em 2014, 2015 e 2017 que o homem estava em morte cerebral sem sinais de recuperação. E foi com base nos relatórios médicos que o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos decidiu, em 2015 (e confirmou em 2019), que desligar o suporte de vida ao homem francês não violava o artigo 2.º da Convenção Europeia dos Direitos Humanos, relativa ao Direito à Vida.

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