O presidente em exercício do governo espanhol, Pedro Sánchez (do PSOE), afirmou esta segunda-feira que acabaram as negociações com o partido de extrema-esquerda Podemos para a formação de um governo em Espanha.

Numa entrevista esta manhã à rádio Cadena Ser, Sánchez disse que o líder do Podemos, Pablo Iglesias, “deu por rompidas as negociações” e acusou-o de usar a consulta interna agendada para esta quinta-feira como forma de “justificar o seu voto contrária à investidura”.

Os socialistas liderados por Pedro Sánchez ganharam as eleições legislativas de 28 de abril, conseguindo eleger 123 deputados num total de 350 que compõem o Congresso dos Deputados. Ou seja, sem capacidade para formar governo.

Espanha. Pedro Sanchéz faz nova tentativa de acordo com Pablo Iglesias para desbloquear impasse

Depois de os partidos da direita (Ciudadanos, PP e Vox) terem anunciado publicamente que vão votar contra a formação de um governo socialista, o PSOE precisa necessariamente do apoio do Podemos (que elegeu 42 deputados) e de algumas forças regionais de esquerda para garantir a recondução. Uma coisa é certa: sem o Podemos, nada feito.

Os últimos dias têm sido marcados por um aumento da intensidade das negociações, mas as reuniões entre Pedro Sánchez e Pablo Iglesias têm acabado todas num impasse.

O Podemos exige a formação de um governo de coligação, que inclua ministros daquela formação de extrema-esquerda, mas Sánchez tem recusado a possibilidade de incluir dirigentes do Podemos no executivo — até à semana passada.

Na última sexta-feira, o PSOE cedeu cargos ministeriais ao Podemos, desde os ministros da extrema-esquerda que tivessem um perfil “técnico e não político”. Iglesias torceu o nariz e convocou, para a próxima quinta-feira, um referendo interno.

Dirigente do Podemos contra consulta interna para decidir apoio a Sanchez

Cerca de 190 mil pessoas vão poder votar na forma como o Podemos se deverá posicionar nesta discussão: se deve exigir um governo de coligação com representação proporcional aos votos dentro; ou se basta o apoio do Podemos a um governo exclusivamente socialista.

Para Pedro Sánchez, este referendo interno é uma “mascarada” e uma estratégia para se justificar perante o seu eleitorado. O líder do PSOE disse, na entrevista à Cadena Ser desta segunda-feira, que Pablo Iglesias recusou “a incorporação de pessoas qualificada da coligação Unidas Podemos no conselho de ministros”.

“É a primeira vez em 40 anos que o candidato a presidente do governo faz uma proposta deste tipo e recebe a resposta de que é uma idiotice”, afirmou Pedro Sánchez. “A sua consulta interna rompeu as negociações, porque vão usar esta consulta adulterada para justificar o seu não à investidura pela segunda vez.”