Teresa Rodríguez, coordenadora do Podemos na Andaluzia e considerada um dos rostos mais críticos da estratégia seguida por Pablo Iglesias no partido, anunciou que não vai participar no referendo interno que o Podemos vai realizar na próxima quinta-feira para decidir o apoio a um governo do socialista Pedro Sanchez. Em causa estão as perguntas que vão ser formuladas na consulta popular, que Rodríguez considera “tendenciosas”. No seu entender, o Podemos não devia fazer parte do governo do PS, dando como exemplo o caso português do Bloco de Esquerda, que apoiou a governação socialista de António Costa mas não participou num governo de coligação.

No boletim do referendo que vai ser apresentado aos cerca de 190 mil inscritos para votar vão constar duas opções:

“Como devem votar os deputados do Podemos no debate da formação de governo para esta legislatura?

  1. Para Pedro Sanchez ser primeiro-ministro é preciso chegar a um acordo integral de Governo de coligação (programático e de equipa), onde as forças da coligação venham a ter uma representação proporcional aos seus votos.
  2. Para Pedro Sanchez ser primeiro-ministro basta um governo desenhado exclusivamente pelo PSOE, com colaboração do Podemos ao nível administrativo e em função de um acordo programático.”

São essas opções, contudo, que Teresa Rodríguez considera tendenciosas, considerando que no boletim devia estar unicamente a pergunta: “Pacto de Governo com o PSOE: Sim? Não? Abstenção?”. Para esta dirigente do Podemos, a atual formulação deixa de fora “outras opções possíveis” e é “um insulto à inteligência que denota falta de confiança nos argumentos para defender um pacto em toda a linha”, disse, citada pelo El País.

O referendo interno deverá ser o passo decisivo para resolver o impasse depois de, esta sexta-feira, o primeiro-ministro espanhol ter feito uma proposta ao líder do Podemos que incluía a oferta de cargos ministeriais ao partido da extrema-esquerda, e Pabo Iglesias recusou. O que o líder do Podemos quer é uma “negociação integral” de um programa de governo “como se faz na Europa”, e não apenas uma discussão sobre nomes e cargos para o Governo.

O PSOE (Partido Socialista Espanhol) ganhou as eleições legislativas no passado dia 28 de abril com 123 deputados num total de 350, mas até agora não conseguiu os apoios necessários para assegurar a investidura de Sánchez, que se vai realizar na semana que se inicia em 22 de julho. Os votos do Unidos Podemos são imprescindíveis à recondução de Pedro Sánchez, depois de todos os partidos à direita do PSOE já terem confirmado que vão votar contra a sua investidura, apesar dos múltiplos apelos de chefe do governo de gestão para que se abstenham.