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MAI desmente que computadores da PSP estão sem acesso a base de dados de criminosos

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Por serem muito antigos, computadores não suportam a última atualização feita ao Sistema Estratégico de Informações há três meses. MAI fala só em "situações pontuais".

Problema deve ser solucionado com a aquisição de novo material informático que suporte o sistema

NUNO FOX/LUSA

Desde abril que milhares de computadores das esquadras da PSP estão sem acesso ao Sistema Estratégico de Informações (SEI), um sistema que permite controlar e gerir toda a atividade operacional diária desta polícia, incluindo registos de ocorrências e identificação de suspeitos. Esta notícia foi avançada pelo Jornal de Notícias (conteúdo só disponível para assinantes), que escrevia que a situação se mantinha desde abril, altura em que o sistema sofreu a sua última atualização. Afirmava ainda que por serem demasiado antigos, milhares de computadores não conseguiam suportar a nova versão do programa. Segundo o mesmo jornal o Governo dizia estar a trabalhar numa solução mas na tarde desta sexta-feira, o Ministério da Administração Interna (MAI) divulgou um comunicado que desmente a noticia.

“Não corresponde à verdade que haja esquadras que não têm acesso ao Sistema Estratégico de Informações (SEI)”, lê-se logo no início do documento enviado às redações. O MAI assume ter conhecimento de “situações pontuais em que o sistema está mais lento” mas defende que não há informações que comprovem uma “quebra generalizada ou prolongada no acesso ao sistema”. Logo, explicam, não é correto generalizar ao afirmar que “milhares não suportam o Sistema Estratégico de Informações” desde o passado mês de abril.

Eclarece-se ainda que “todos os locais de atendimento ao público têm acesso ao SEI ” e que está a decorrer um programa de “modernização tecnológica das Forças de Segurança”, procedimentos que, no que corresponde ao ano de 2019, representam um investimento de 5,5 milhões de euros.

A denúncia inicial que fundamenta o artigo do JN foi feita pelo próprio diretor nacional adjunto da PSP, na quinta-feira, em Viana do Castelo, durante as comemorações do 143.º aniversário do comando distrital. Magina da Silva garantiu que o problema será resolvido até ao final do ano através da compra de novo equipamento informático. No entanto, os sindicatos de polícia já alertavam para esta situação há mais de um ano.

“A polícia continuou a funcionar com maior ou menor dificuldade”, disse, sublinhando que cada vez mais “o s processos produtivos e métodos de trabalho são baseados em redes informáticas e bases de dados”.

Tudo o que escrevemos e todo o expediente que produzimos é feito digitalmente numa rede que é o SEI e, obviamente, temos de ter máquinas para as mais diversas tarefas quotidianas”, esclareceu o diretor nacional adjunto da PSP.

O presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP), Paulo Rodrigues, congratulou-se com o facto de já haver data para resolver o problema, mas também deixou críticas ao Governo por não ter antecipado o”blackout informático” que há três meses complica o trabalho da polícia de segurança pública.

Há um ano, em junho de 2018, Paulo Rodrigues já tinha alertado para este problema, em declarações à agência Lusa. Na altura, o sindicalista sustentou que o problema estava a colocar em causa o trabalho quotidiano dos polícias, principalmente na zona de Lisboa, existindo esquadras onde apenas o computador do comandante tinha acesso ao Sistema Estratégico de Informação. Segundo o presidente do maior sindicato da PSP, mais de metade dos computadores da Polícia estavam obsoletos e os que não estavam “não tiveram o software atualizado o que condiciona o acesso ao SEI”.

Na altura, a direção nacional da PSP não quis comentar o assunto, mas agora admite o problema.

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