A Associação de Estudantes de Medicina (ANEM) reagiu às trocas de acusações entre o primeiro-ministro e a Ordem dos Médicos e afirma que aumentar o número de faculdades ou de alunos em Medicina não vai resolver o problema da falta de médicos especialistas, com a agravante de que pode prejudicar a qualidade da formação, noticiou o Jornal de Notícias.

Os alunos lembram que aumentar o número de alunos nos cursos de Medicina, ou criar cursos nas universidades privadas, não vai aumentar o número de médicos especialistas, porque quem define o número de médicos que pode aceder à especialidade é o Governo.

É certo que os médicos, para acederem à especialidade, têm de passar no exame da Ordem dos Médicos, mas há mais alunos licenciados a fazer o exame todos os anos do que o número de vagas que abrem para a especialização.

A polémica começou esta segunda-feira, quando António Costa intercedeu a favor do presidente da Câmara Municipal de Sintra e criticou a Ordem dos Médicos por limitar o acesso à formação, considerando que tal impede a resposta às carências do país. Em causa estava a queixa do autarca Basílio Horta que disse que a Ordem dos Médicos estava a criar obstáculos à abertura da nova Faculdade de Medina da Universidade Católica — uma universidade privada.

A Ordem dos Médicos respondeu que as declarações do primeiro-ministro estavam “factualmente erradas”. Em comunicado, a Ordem explicou que as instituições e novos cursos são aprovados pela Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES), não pela Ordem dos Médicos, e que quem define o número de alunos por curso é a Direção-Geral do Ensino Superior, na dependência do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.

Lembrando que Portugal “tem o terceiro maior rácio de médicos por cada 1.000 habitantes da União Europeia a 28, à frente de países como Alemanha, Holanda, Bélgica e Reino Unido”, a Ordem disse que o problema não é a falta de médicos, mas a incapacidade de os manter no Serviço Nacional de Saúde. E isso depende do Governo.