A Autoridade Federal de Transportes Motorizados da Alemanha (KBA, na sigla germânica) deverá multar a Daimler, a casa-mãe da Mercedes – a Smart também integra o grupo, mas 50% foi vendido aos chineses da Geely –, por ter descoberto que o grupo alemão montou sistemas para manipular as emissões dos motores diesel instalados nos Classe C e Classe E. Quem avança a informação é o Der Spiegel.

Em termos imediatos, a Mercedes deverá estar exposta ao pagamento de uma penalidade de 5.000€ por veículo produzido com este sistema fraudulento, associado ao Dieselgate, o que pode ascender a qualquer coisa entre 800 milhões e mil milhões de euros. Paralelamente, tem de realizar um recall de 280.000 veículos problemáticos.

Ainda segundo a publicação alemã, o procurador germânico informou que o processo está a decorrer e não será concluído antes do final do ano. Por outro lado, a Daimler não negou, mas recusou-se a comentar até o processo estar terminado.

As autoridades alemãs afirmam igualmente que há vários funcionários da Daimler sob investigação, e suspeitos de fraude, no seguimento de um raide realizado à Daimler em Maio de 2017, cuja acusação deverá estar terminada em Setembro ou Outubro deste ano.

A Mercedes recolheu recentemente às oficinas os SUV do modelo GLK 220, fabricados entre 2012 e 2015, sendo que o fabricante está igualmente a ser investigado nos EUA, com a Agência de Protecção Ambiental local (EPA) a ter questionado o construtor em 2016, sobre emissões de alguns modelos com motores a gasóleo. De recordar que, relativo ao Dieselgate, em Maio a Porsche foi multada em 535 milhões de euros, a Audi em 800 milhões de euros e a VW em mil milhões de euros.

O Der Spiegel realça ainda que a Daimler divulgou em Julho os resultados do segundo trimestre de 2019, em que teve prejuízos líquidos de 1,6 mil milhões de euros, o que incluiu as provisões necessárias para acomodar as eventuais penalidades do Dieselgate.