As autoridades de saúde norte-americanas estão a investigar a morte de uma pessoa que pode ter contraído uma doença pulmonar à conta do hábito de fumar cigarros eletrónicos. O Centro de Controlo de Doenças (CDC) dos Estados Unidos confirmaram em conferência de imprensa que está a investigar o surgimento de “um conjunto de doenças pulmonares possivelmente relacionadas com o uso de cigarros eletrónicos”. Há 193 casos reportados de pacientes que ficaram doentes após terem usado estes produtos em 22 estados norte-americanos.

Segundo o CDC, que está a trabalhar em conjunto com a Food and Drug Administration (FDA), esses doentes queixam-se de dificuldades respiratórias, falta de ar e problemas do trato intestinal — sintomas que até agora nunca tinham sido relacionados com o uso de cigarros eletrónicos. A 22 de agosto, um desses doentes, um residente no Illinois, morreu após reportar esses mesmos problemas. Agora, CDC e FDA estão a analisar amostras para verificar se contêm nicotina, tetraidrocanabinol (THC, uma substância psicoactiva da canábis) ou outros químicos.

As duas instituições não avançaram quaisquer informações sobre a vítima mortal, mas confirmaram que a maior parte dos casos estão a ser reportados entre homens com idades entre 17 anos e 38 anos.

Já se sabia que os cigarros eletrónicos contêm substâncias perigosas para a saúde, como partículas ultra-finas e metais pesados, mas esta é a primeira vez que as autoridades se estão a aperceber de consequências possivelmente flagrantes relacionadas com estes produtos. “Nós não ligamos nenhum desses ingredientes específicos aos casos atuais, mas sabemos que o aerossol emitido por estes cigarros não é inofensivo. Em alguns casos, isso pode ter ocorrido, mas agora estamos a monitorizar. Temos que continuar com a investigação”, explicou o CDC.

No entanto, em conferência de imprensa, Jennifer Layden, médica do departamento de saúde do estado de Illinois, confirmou que esse estado norte-americano “recebeu casos que relataram o uso de óleos de produtos com THC” e que está a investigar “onde é que esses produtos foram comprados”. “Mas reiteramos a mensagem da FDA de que essas investigações são muito intensivas em termos de tempo e confiamos nas informações que recolhemos dos indivíduos afetados”, alertou.

A comunidade científica já reagiu às notícias. Coral Gartner, professor associado da Escola de Saúde Pública da Universidade de Queensland, pediu para a situação ser “analisada de perto”, mas sublinhou que “nesta altura é pouco claro se há alguma implicação para as pessoas que usam produtos de vaporização convencionais de nicotina, mesmo com produtos que respeitam os regulamentos da União Europeia”. De resto, “quem usa produtos com canábis deve ser avisado do potencial risco” deles.

Bill Stavreski, gestor geral da Fundação do Coração, alerta também que “não há provas suficientes que provem que os cigarros eletrónicos ajudam as pessoas a pararem de fumar ou que sejam seguros”: “Pelo contrário, as evidências que temos indicam que os danos potenciais superam quaisquer benefícios”. E prossegue: “A Heart Foundation pede a estrita regulamentação dos cigarros eletrónicos e a estipulação de que os produtores de cigarros eletrónicos forneçam evidências da segurança e eficácia dos seus produtos”.