A câmara de Cascais já apresentou “há uns meses” ao Estado um projeto para revitalização do Forte de Santo António da Barra que prevê um investimento público de seis milhões de euros. O forte, situado na freguesia do Estoril, concelho de Cascais, é também conhecido pelo nome “forte de Salazar”, por ter servido de residência de férias ao antigo chefe de Governo do autocrático Estado Novo e por ter sido ali que Salazar caiu da cadeira, a 3 de agosto de 1968, no acidente que viria a precipitar a sua saída do Governo.

O custo do plano para dar novo uso ao Forte de Santo António é avançado pelo próprio presidente da câmara de Cascais, Carlos Carreiras, ao Diário de Notícias. A autarquia já tinha ficado a cargo da primeira fase de recuperação do forte e da sua abertura ao público depois de um protocolo assinado com o Estado em 2018. O contrato, contudo, estipulava que a câmara apresentasse posteriormente um projeto de reenquadramento do forte para os próximos anos, de modo a que se justificasse a extensão do contrato celebrado, que teve a duração de apenas um ano (“prorrogável por iguais períodos”).

De acordo com o que avançou o presidente da câmara de Cascais ao Diário de Notícias, a autarquia propôs ao Estado um projeto de reaproveitamento do forte que passa por orientá-lo para se tornar um espaço dedicado “ao mar e à língua, dois patrimónios desaproveitados”. Isto depois de primeiras sugestões da autarquia rejeitadas pelo Estado, quer no sentido de “cobrir o fosso” circundante ao forte para montar ali uma “área expositiva”, quer com o intuito de fechá-lo ao público e transformá-lo num centro de conferências e congressos, que também pudesse receber colóquios e centros de investigação (especificamente) “ligados ao mar”.

Cascais assina protocolo com Defesa Nacional para dinamizar Forte de Santo António

A autarquia aguarda agora que o Estado responda se concorda ou não com o projeto camarário para utilização e recuperação do forte. O custo de seis milhões de euros é apresentado como contrapartida pela utilização do espaço por 50 anos — sendo refere o Diário de Notícias, citando Carlos Carreiras. “Aguardamos que nos digam se aceitam ou não, ou se têm alguma sugestão”, apontou ainda o autarca.

O destino dado ao local tem sido alvo de debate nas últimas semanas, depois de o espaço ter sido colocado pelo Ministério da Defesa numa lista de imóveis “a alienar”. No entanto, o Ministério da Defesa garantiu já ao DN que se trata meramente de um processo administrativo por o “atual protocolo de cedência” ter “validade anual” — e assegurou que o Estado não colocou o forte à venda. A hipótese de arrendamento ou cedência da gestão e uso do espaço será assim uma possibilidade mais forte do que a venda.