Pedro Magalhães, investigador do Instituto de Ciências Sociais e especialista em sondagens, esteve esta segunda-feira no Direto ao Assunto da Rádio Observador a explicar o que têm dito as sondagens nas últimas semanas. A três semanas da ida às urnas, o investigador afirma que só se acontecesse um “cataclismo” é que a indicação genérica dos resultados mudaria, ou seja, só com um acontecimento inesperado e de dimensão considerável é que o PS não ganharia as eleições. De resto, a dúvida é saber se os socialistas ganham com maioria absoluta e, quanto a isso, Pedro Magalhães diz que todas as sondagens das últimas semanas indicam que sim, mesmo as que dão ao PS uma votação de 39%.

“O PS tem aparecido com intenções de voto entre os 38 e os 43%, o que até parece muito, mas uma diferença de 5 pontos percentuais em amostras deste género não é nada, por isso qualquer um desses resultados é compatível com uma maioria absoluta”, disse, explicando que as sondagens não são feitas com amostras representativas dos círculos eleitorais, mas sim com amostras nacionais. Só depois é que se faz uma extrapolação, o que quer dizer que não é fácil perceber, com esses resultados, se falta um ou dois deputados ao PS para a maioria absoluta.

Uma coisa é certa: o método de Hondt beneficia os partidos maiores, e quanto maior for a distância de um partido grande para o segundo partido grande, então maior é o benefício para o primeiro. Ou seja, o PS beneficia em mandatos com a queda acentuada do PSD. “No nosso sistema, os partidos grandes recebem uma espécie de bónus, e quando há um partido grande que é muito maior do que o outro partido, esse partido absorve ainda mais desse mesmo bónus”, afirmou.

Ou seja, resume: “A queda acentuada do PSD ajuda o PS a colher esse benefício”. Da mesma maneira que, em termos aritméticos, o PSD e o CDS poderiam sair beneficiados se fossem juntos a eleições. “Uma coligação pré-eleitoral é eleitoralmente vantajosa para a conversão dos votos em mandatos”.

Questionado sobre a transferência de votos da queda da direita, Pedro Magalhães disse que é difícil perceber para onde vão os votos que a direita está a perder, arriscando dizer que parte desse eleitorado está escondido, não admite votar em nenhum, porque está desmobilizado. “Surpreendeu-me que a descida do PSD não tenha correspondido a uma subida do CDS. Por isso, olhámos para os dados com atenção e uma das coisas mais evidentes é que a descida dos partidos de direita não se deve tanto ao facto de esses eleitores estarem a fazer outra escolha, mas ao facto de não estarem a fazer escolhas: ou não votam, ou estão indecisos, no fundo, estão desmobilizados”, disse, assumindo esse como o grande desafio da direita: mobilizar o seu eleitorado.