Uma nova sondagem da Pitagórica para a TSF e o Jornal de Notícias, feita na semanada passada e revelada esta segunda-feira, traz notícias agridoces para o Partido Socialista e para o PSD. Os socialistas mantêm-se confortavelmente como partido mais votado, com intenções de voto de 39,2%, mas ficam um pouco mais longe da maioria absoluta, face aos 43,6% projetados em agosto. Já o PSD sobe de 20,4% (estimados na sondagem da Pitagórica do mês anterior) para 23,3%, mas continua a mais de 15 pontos percentuais de distância dos socialistas — e aproximadamente com uns magros 7 pontos percentuais a mais do que BE e CDU unidos.

A grande mudança dá-se no número de indecisos: apesar do aumento do número de entrevistas e debates que envolveram líderes políticos nas últimas semanas, a percentagem de eleitores que ainda não sabe em quem votar aumentou muito no período de um mês, de 19,6% para 28,4%. É uma subida de quase nove pontos percentuais, que indicia que existem ainda muitos votos por conquistar até ao dia das eleições legislativas, agendadas para 6 de outubro.

Atrás de PS (39,2%) e PSD (23,3%) surgem o Bloco de Esquerda, com 10% — a mesma projeção que tinha em agosto, no anterior estudo de opinião da Pitagórica — e a coligação CDU, que sobe “mais de um ponto percentual” até aos 7,7%. O CDS, que cresce de 4,9% para 5,6%, aparece em quarto lugar, seguido pelo PAN, que se mantém na casa dos 3% (mais precisamente, 3,2%).

Entre os partidos sem representação na Assembleia da República, o Aliança de Pedro Santana Lopes recolhe 1,5% de projeções de voto (é elevada a probabilidade de entrar na AR em outubro), mais seis décimas que o Livre de Rui Tavares, que sobe por sua vez dos 0,6% para os 0,9%.

A TSF indica que, de acordo com a sondagem da Pitagórica de setembro, o único distrito no qual o PSD vence o PS é o Porto — um cenário que se mantém como problemático para Rui Rio e os sociais-democratas, apesar da subida nas intenções de voto face à sondagem anterior. Já o Livre, porventura surpreendentemente, aproxima-se da hipótese de eleger um deputado não tanto pela popularidade em Lisboa, mas pelas projeções de voto que tem “no centro do país e no grande Porto”, aponta a estação radiofónica. Quem “desaparece” da lista dos principais partidos com intenções de voto é o Iniciativa Liberal, que em agosto surgia à frente do Livre de Rui Tavares e perto do Aliança de Pedro Santana Lopes, com intenções de voto de 1,3%.

O estudo da Pitagórica foi feito entre 9 e 12 de setembro, indica a ficha técnica da sondagem. Foram inquiridas 605 pessoas e a margem de erro apontada é de aproximadamente 4%.

A diferença é grande para sondagens anteriores, nas quais o PS surgia melhor colocado e próximo da maioria absoluta. Na última sexta-feira tinha saído uma sondagem do ICS e ISCTE que apontava para projeções de voto de 42% no PS — quase três pontos percentuais a mais do que o obtido nesta nova sondagem da Pitagórica —, aproximando os socialistas da maioria absoluta. No mesmo dia, sexta-feira, 13 de setembro, uma sondagem da Intercampus para o Jornal de Negócios e Correio da Manhã dava uma projeção de 37,9% para o PS. Em ambas o PSD rondava os 23%.