A marca de roupa Bstroy fez um desfile de moda este fim-de-semana onde modelos mostraram as suas novas (e muito polémicas) camisolas, onde figuram os nomes de escolas norte-americanas onde houve tiroteios em massa.

Em torno do nome de cada uma das escolas representadas naquelas camisolas (feitas de forma a assemelharem-se àquelas que são usadas dos EUA) estão buracos de bala, em alusão aos tiroteios em massa que fizeram várias dezenas de mortos ao longo dos últimos anos.

Ao todo, são três camisolas: uma onde se lê “Columbine”, em referência ao liceu com o mesmo nome, onde dois estudantes mataram 13 colegas em 1999; outra que diz “Virginia Tech”, a universidade onde foram mortas 32 pessoas a tiro em 2007; uma terceira com referência a “Sandy Hook”, a escola primária no Connecticut onde foram mortas 26 pessoas, entre elas 20 crianças; e uma última para “Stoneman Douglas”, o liceu da Flórida onde um aluno matou 17 colegas a tiro, em 2018.

As camisolas chamaram a atenção de várias pessoas quando foram colocadas fotografias do desfile no Instagram da marca, acabando por receber várias críticas, incluindo de sobreviventes dos tiroteios em questão ou de familiares e amigos das vítimas mortais.

“A minha sobrinha de 14 anos era uma fashionista e foi assassinada em Parkland”, escreveu Shawn M. Sherlock, em alusão ao tiroteio do liceu Stoneman Douglas, na Flórida. Com tag para Brick Owens, fundador da Bstroy, continuou: “Ela era uma ilustradora profissional e queria ser designer de moda como tu. Devias ter vergonha de te aproveitares da sua morte para fazeres dinheiro”. Na fotografia que acompanhou o post, Shawn M. Sherlock aparece com um vestido desenhado pela sobrinha, referindo que o envergava “com orgulho”.

Fred Guttenberg, cuja filha também morreu no tiroteio da escola de Stoneman Douglas, na Flórida, escreveu no Twitter: “Como é que alguém poderia achar que isto era uma boa ideia? Isto deixa-me tão chateado. Se algum dos meus seguidores conhecer alguém ligada a esta marca de roupa, por favor peçam-lhes para pararem imediatamente”.

Também houve críticas por parte de uma página de homenagem a Vicki Soto, uma professora da escola primária de Sandy Hook que morreu enquanto tentava proteger os seus alunos durante o tiroteio. “Isto é absolutamente horroroso. Uma empresa aligeira a nossa dor e a de outros pela moda. Vender camisolas com o nosso nome e com buracos de balas. Inacreditável”, lê-se naquela página de Twitter.

A empresa emitiu um comunicado onde  rejeitou a ideia de querer aproveitar-se dos tiroteios em causa. “Queríamos fazer um comentário sobre a violência com armas e o tipo de violência com armas que precisa de atenção preventiva e quais são as suas origens. Tudo isso, ao mesmo tempo que damos força aos sobreviventes da tragédia através de storytelling nas roupas”, lê-se naquele comunicado.

No mesmo texto, a Bstroy refere que as camisolas foram utilizadas apenas no desfile e que não foram vendidas. Essa era, de resto, a intenção inicial, estando de fora a hipótese de estas virem a ser vendidas. “Mas isso agora pode mudar”, informa o comunicado.

Já em 2014, a Urban Outfitters pôs à venda camisolas com o logo da Kent State University e tingida a vermelho, de maneira a parecer sangue. Aquela universidade foi, em 1970, palco de uma sangrenta manifestação contra a guerra no Vietname. O protesto foi então reprimido pela Guarda Nacional do Ohio, que matou quatro pessoas e feriu outras nove.