O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulga hoje o saldo orçamental do primeiro semestre deste ano e a segunda notificação do défice de 2018, na qual pode rever o valor de 0,5% indicado para aquele ano, em março.

No primeiro trimestre deste ano, o saldo das Administrações Públicas (ou saldo orçamental), em contabilidade nacional, que é a que interessa a Bruxelas, foi positivo em cerca de 178,5 milhões de euros, o correspondente a um excedente de 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB), valor que compara com o défice orçamental de 1% em igual período do ano passado.

A Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) estimou, em 17 de setembro, que o défice orçamental, em contabilidade nacional, tenha atingido 0,8% do PIB no primeiro semestre, devido à recapitalização do Novo Banco, mas sem colocar em causa a meta definida pelo Governo para o conjunto do ano, de 0,2%.

A estimativa da UTAO de um saldo orçamental negativo, de 0,8% para a primeira metade do ano, “encontra-se, em grande medida, influenciada pela recapitalização do Novo Banco, dado o elevado peso desta operação, particularmente quando expresso em percentagem do PIB semestral”, explicaram os técnicos do parlamento no relatório a que a Lusa teve acesso. Excluindo o impacto do Novo Banco, a UTAO estimou um excedente “em cerca de 0,3% do PIB” na primeira metade do ano.

Para o conjunto deste ano, o Governo antecipa um défice orçamental de 0,2% do PIB, valor que apresentou no Orçamento do Estado para 2019 e que manteve no Programa de Estabilidade 2019-2023.

O INE também vai divulgar esta segunda-feira a 2.ª notificação do défice de 2018, confirmando ou revendo o valor conhecido em março, quando informou que o défice orçamental de 2018 ficou nos 0,5% do PIB, abaixo dos 0,6% previstos pelo Governo, e depois do saldo negativo de 3% registado em 2017.

Ainda esta segunda-feira, o INE vai publicar a revisão da base das Contas Nacionais Portuguesas. “O processo de mudança de base das Contas Nacionais ocorre com uma periodicidade de 5 em 5 anos, seguindo recomendações internacionais, com o objetivo de manter a base de Contas Nacionais atual e incorporar novas fontes de informação entretanto disponibilizadas”, explicou fonte oficial do INE à Lusa.

Em 19 de agosto, o Jornal de Negócios noticiou que a TAP vai deixar de contar para o défice orçamental, fazendo diminuir o défice de 2018. Contactado pela Lusa na altura, o Ministério das Finanças não quis comentar.