A Casa Branca confirmou esta sexta-feira parte da denúncia feita por um whistleblower dos serviços de informação sobre uma chamada telefónica entre o Presidente Donald Trump e o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. Em causa está o armazenamento da transcrição da conversa num sistema de alta segurança, em vez de no sistema informático onde habitualmente são guardadas as transcrições de telefonemas com líderes internacionais.

A informação foi avançada à CNN por um alto responsável da Casa Branca, em comunicado. A decisão, explicou a administração Trump, foi tomada por indicação de advogados que lidam com questões de segurança nacional dentro da Casa Branca. “Os advogados do Conselho de Segurança Nacional ordenaram que se lidasse com os documentos [classificados como] secretos de forma apropriada”, afirmou o responsável à cadeia de televisão norte-americana.

A informação vem, assim, confirmar parte do que foi revelado, esta quinta-feira, pela publicação da denúncia anónima que levou à abertura formal de um processo de impeachment pela liderança do Partido Democrata na Câmara dos Representantes. “Funcionários da Casa Branca disseram-me que tinham sido ‘instruídos’ pelos advogados da Casa Branca para retirarem a transcrição eletrónica do sistema informático em que essas transcrições são, geralmente, guardadas para fins de coordenação, finalização e distribuição a ministros. Em vez disso, a transcrição foi colocada num sistema eletrónico separado que é utilizado para armazenar e lidar com informação classificada de uma natureza sensível”, pode ler-se no documento.

As conversas entre o Presidente e líderes estrangeiros não são normalmente gravadas, mas vários funcionários da Casa Branca costumam transcrever a conversa, por vezes com a ajuda de softwares de reconhecimento de voz, como explicou o Washington Post. Essas transcrições, porém, costumam ser armazenadas num sistema informático que não é de alta segurança, a não ser que contenham segredos de Estado, informações dos serviços secretos ou planos militares. Não era o caso da chamada telefónica em causa, como aponta a CNN.

O sistema de segurança onde a chamada foi armazenada é de tal forma secreto que nem todos os funcionários da área de segurança nacional da Casa Branca têm a acesso a ele, de acordo com fontes ouvidas pelo Wall Street Journal. Antigos funcionários do Conselho de Segurança Nacional apontaram à National Public Radio nunca terem assistido a que conversas aparentemente inofensivas entre chefes de Estado fossem ali guardadas: “Lembro-me que, durante as guerras do Iraque e do Afeganistão, o Presidente George W. Bush recebia telefonemas”, disse Michael Green, funcionário do Conselho de Segurança Nacional durante a presidência de Bush filho. “Nem nesse contexto me lembro de alguma vez ter ouvido ou assistido àquilo que estamos a assistir agora, com uma transcrição a ser diretamente enviada para os locais de armazenamento de segurança mais elevados, para que ninguém pudesse ter acesso a ela.”