Em março de 2012, a Qatar Sports Investments, uma subsidiária da Qatar Investments Authority, tornou-se a única acionista do PSG. Que é o mesmo que dizer, de forma mais simples, que o Estado do Qatar se tornou o único dono do PSG. De lá para cá, o clube de Paris conquistou mais de 20 títulos a nível interno e contratou jogadores como Ibrahimovic, Cavani, Mbappé e Neymar. É o sexto clube do mundo com maiores receitas e o 11.º mais valioso, números que contrastam com as perdas a rondar os 300 milhões de euros nos 15 anos que antecederam a aquisição. Com a chegada do capital do Qatar, o PSG abriu uma época de hegemonia no futebol francês — ainda que a Liga dos Campeões continue a escapar — e tornou-se apenas o segundo clube no mundo inteiro que pertence a um Estado. O outro é o Manchester City, que desde 2008 é de Abu Dhabi.

Desde essa altura, em 2012, que o presidente do PSG é Nasser Al-Khelaifi, que reporta diretamente ao emir do Qatar. E desde essa altura, em 2012, que se fala sobre a possibilidade de a Qatar Sports Investments entrar noutros mercados, com o futebol inglês a ser o principal candidato desde a primeira hora. Esta semana, a possibilidade tornou-se probabilidade e hipótese forte e adquiriu personificação: o presidente e dono de parte do Leeds United, Andrea Radrizzani, admitiu em entrevista ao The Times que o Qatar é um dos interessados em comprar parte do histórico clube inglês.

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“Fui abordado por mais de 20 propostas e selecionei três. Existe essa opção da Qatar Sports Investments e do Nasser [Al-Khelaifi]. Antes de mais, são amigos nossos, temos uma boa relação há muito tempo. Depois, eles têm capacidade para colocar o clube a competir com o Manchester City, algo que era uma oportunidade fantástica para os adeptos”, explicou Radrizzani, que é também dono e fundador da Eleven Sports. O presidente do Leeds, que está nesta altura no quinto lugar do Championship, a segunda liga inglesa, adiantou ainda que o investimento seria mais proveitoso a partir do momento em que o clube conseguir a promoção à Premier League: algo que esteve muito perto no final da época passada, quando chegaram ao playoff de acesso mas acabaram eliminados pelo Derby County que na altura era orientado por Frank Lampard.

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A ideia de que a injeção de capital seria mais benéfica na hora da subida à Premier League assenta não só numa lógica de competitividade com os principais clubes como também com o cumprimento do fairplay financeiro, algo que tem sido um problema para Andrea Radrizzani no Championship e que também já deu dores de cabeça a Al-Khelaifi em França com o PSG. Em Inglaterra, porém, o modelo a seguir seria o do Manchester City, que desde a chegada dos investidores dos Emirados Árabes Unidos já conquistou quatro vezes a liga inglesa e construiu nos dois últimos anos uma hegemonia difícil de quebrar no futebol inglês.

O Leeds United, um clube histórico em Inglaterra — viveu o seu auge nos anos 60 e 70, altura em que foi campeão inglês três vezes e chegou às finais da Taça das Taças e da Taça dos Campeões Europeus — é nesta altura orientado pelo mítico Marcelo Bielsa e conta com o português Hélder Costa no plantel. Arredado da Premier League há nove temporadas consecutivas, o Leeds olha agora para um possível investimento qatari como a possibilidade de ser o terceiro clube do mundo a pertencer a um Estado e a hipótese de lutar lado a lado com os big six e tornar-se, quem sabe, um novo Manchester City.