Ainda antes de ter tomado posse como primeiro-ministro neste sábado de manhã, o Governo de António Costa já teve reuniões tanto com sindicatos como com entidades patronais com vista ao aumento de salários, o mínimo e não só. Como contrapartida, os patrões exigem facilidades como um alívio da carga fiscal.

A notícia é avançada para o Expresso, que adianta que ainda não está definido nenhum modelo para os aumentos salariais. Porém, adianta o mesmo jornal, o cenário mais provável é o aumento do salário mínimo e também a atualização das grelhas salariais das convenções coletivas de trabalho. Seria a primeira vez desde 1996, governava então o socialista António Guterres, que uma solução deste tipo seria encontrada entre o Governo e os parceiros sociais.

Do lado dos patrões, as contrapartidas exigidas para assentir um aumento dos salários incidem na melhoria de condições para as empresas, aumentando a sua competitividade. Ao Expresso, o presidente da Confederação Empresarial de Portugal – CIP, António Saraiva, referiu a necessidade de ser criada uma “fiscalidade mais amiga das empresas, a previsibilidade fiscal, com contas públicas equilibradas, e o compromisso de que, havendo folgas orçamentais, serão usadas para reduzir a carga fiscal sobre empresas e famílias”. “É preciso que estas matérias sejam atendidas para que as empresas possam fazer o resto”, sublinhou. Na mesma linha, o presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP) pediu “um alívio da carga fiscal sobre as empresas”, referindo que este “cria espaço para melhores salários”.

Entre confederações sindicais, não há para já consenso. Consultada pelo Expresso, a UGT, na voz do secretário-geral-adjunto Sérgio Monte, disse aceitar “o desafio feito pelo primeiro-ministro” e refere que “sempre que houve acordos deste tipo foram positivos para o país”. Já a CGTP referiu àquele jornal que “qualquer discussão tem de incluir uma rutura com baixos salários e a precariedade, o que implica rever algumas normas da legislação laboral”.