Um tribunal de recurso de Nova Iorque determinou esta segunda-feira que o presidente norte-americano, Donald Trump, tem de entregar as suas declarações de impostos ao procurador que está a investigar os alegados pagamentos feitos pela equipa de Trump a duas mulheres com quem o presidente norte-americano terá tido relações sexuais antes de ser eleito.

De acordo com a imprensa norte-americana, o procurador Cyrus Vance, que lidera esta investigação, pretende ter acesso a declarações de impostos quer a título pessoal quer a título empresarial, tendo já enviado um pedido à firma de contabilidade Mazars, que trata das contas de Trump.

Porém, os advogados de Trump recorreram da decisão, argumentando que a imunidade presidencial impede que o presidente norte-americano seja investigado ou julgado — incluindo relativamente a ações anteriores à eleição — durante o mandato. Um dos advogados do presidente terá mesmo dito em tribunal, também relativamente a este caso, que Trump podia alvejar alguém na 5.ª Avenida e mesmo assim não podia ser investigado nem julgado enquanto não abandonasse a Casa Branca.

O tribunal de recurso rejeitou, contudo, o argumento da defesa de Trump — que, entretanto, já anunciou que vai recorrer da decisão para o Supremo Tribunal. “Qualquer imunidade presidencial relativa a processos criminais estaduais não se estende a procedimentos de investigação como o requerimento aqui em causa”, argumentou o tribunal nova-iorquino.

Já o advogado Jay Sekulow, que representa Donald Trump neste caso, garantiu que “a decisão do tribunal de recurso vai ser levada ao Supremo Tribunal”, porque “a questão levantada neste caso vai ao coração da nossa república”. “Os problemas constitucionais são significativos”, acrescentou.

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Em causa estão pagamentos de centenas de milhares de dólares alegadamente feitos por Donald Trump a duas mulheres com quem teve relações sexuais — incluindo a estrela pornográfica Stormy Daniels e a modelo da Playboy Karen McDougal — para que se mantivessem em silêncio sobre o caso.

Os pagamentos foram feitos através de Michael Cohen, ex-advogado de Trump que atualmente se encontra preso, e que admitiu ter colaborado nos pagamentos e confirmou à justiça norte-americana ter recebido diretamente de Donald Trump o dinheiro que pagou às mulheres.