O número de sindicalizados em Portugal passou de 60,8% do total de trabalhadores, em 1978, para apenas 15,3%, em 2016, segundo os dados da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE), citados pelo Negócios.

Apesar de as contas do jornal mostrarem que o problema é comum a quase todos os países analisados, apenas a Nova Zelândia teve em 40 anos uma quebra maior no número de sindicalizados entre os 25 países em que a comparação é possível.

O relatório “Negociação coletiva no mundo do trabalho em mudança” revela que a queda no conjunto dos países desenvolvidos foi bem menor neste período — de 34% para 16% —, mas os dados referentes a 2016 também mostram que houve uma convergência. Os dados mais recentes são ainda iguais aos de Espanha, mais baixos do que em Itália (34%) e mais elevados do que em França (11%).

As taxas mais altas registam-se nos países nórdicos — Islândia (90%) e Suécia (67%). Pelo contrário, no fim da lista, apenas 5% dos trabalhadores estónios e 8% dos lituanos estão sindicalizados.

Se a conta for feita desde o início do século, como também fez o Negócios, a queda do sindicalismo português continua a ser maior do que a média da OCDE — 6,1% face a 4,6% —, mas é de menor dimensão do que noutros 20 países.

O relatório justifica as quedas com a perda de importância da contratação coletiva, a individualização das relações de trabalho e as novas formas de trabalho, apontando um risco de “os trabalhadores ficarem sem instituições representativas para ultrapassar problemas coletivos e garantir um equilíbrio entre os interesses dos trabalhadores e das empresas”.

Os dados referentes a Portugal, que se baseiam na UGT e na CGTP — e antes de 1990 em diferentes fontes administrativas — têm em conta os setores público e privado. Divergem dos números oficiais do Governo, que se baseiam em inquéritos às empresas, incluindo do Setor Empresarial do Estado. A última atualização ao Livro Verde das Relações Laborais aponta para um nível de representatividade de 8,3% , um número que tem sido contestado pela UGT e pela CGTP.