Rui Rio seguiu aquela velha máxima da diplomacia: fora do país, não se fala de política interna. Depois do discurso que tinha feito no Congresso do PPE, em Zagreb, Luís Montenegro atacou o líder do PSD, que o quis deixar sem resposta. “Não entro nisso, nem pensar“, disse aos jornalistas à saída do evento. Uma vez nos balcãs, e perante a insistência dos jornalistas para comentar a balcanização do PSD provocada pelo adversário Montenegro, Rio voltou a recusar entrar numa troca de acusações: “Não merece [nenhum comentário]. Estou na Croácia, não estou no Montenegro, nem na Macedónia, nem na Sérvia, estou na Croácia“.

A exceção de Rui Rio sobre o panorama nacional foi para falar da manifestação de polícias que decorreu esta quinta-feira em frente à Assembleia da República. O líder do PSD entende “totalmente que as forças de segurança não estejam contentes, tranquilas e satisfeitas com a evolução que tem havido, por responsabilidade do governo e por responsabilidade, muitas vezes, dos tribunais”. Desde logo, os motivos dessa insatisfação com o  “Governo no que concerne aos vencimentos, às condições de trabalho” e com os “tribunais no que concerne muitas vezes a sentenças que eu percebo que os agentes de segurança não se sentem confortáveis com elas”.

Rio compreende, portanto, o “desagrado” e, “no limite”, a manifestação de desagrado. Mas avisa que considera inaceitável abusos por parte dos manifestantes: “O que eu não compreenderei de certeza absoluta é se nesta manifestação voltarem a aparecer casos como já tivemos no passado, seja naquela cena de tentar subir a escadaria da Assembleia, seja já há muitos mais anos atrás naquele famoso confronto de secos e molhados”. Para o presidente do PSD a “manifestação” tem de ser pacífica, pois não entende que “jamais se volte a dar uma imagem de polícias contra polícias. Isso não posso aceitar. E isso está do lado dos polícias que se estão a manifestar e não dos outros que estão em serviço”. O líder da oposição (o PSD não se fez representar na manifestação) apelou a que os manifestantes fizessem o protesto da “forma mais ordeira possível, porque só assim conseguem ter ganho de causa e razão. Caso contrário, perdem completamente a razão.”

O presidente do PSD falou ainda do encontro bilateral que teve com o líder do PP espanhol, Pablo Casado, ao confessar que tinha “particular interesse em perceber como pode evoluir a situação em Espanha, mas isso não fiquei com o interesse resolvido, na exata medida em que não há uma noção exata da forma como as coisas vão evoluir em Espanha”.

Rio disse ainda que o seu homólogo concorda com a leitura que em Portugal não existe a mesma fragmentação do país vizinho: “Em Espanha reconhecem que, em Portugal, apesar de tudo o xadrez partidário é mais estável.”