A operação policial “Sombra Negra”, desencadeada pela polícia italiana, desmantelou esta quinta-feira um rede que tinha como objetivo a criação de um partido neonazi, o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores de Itália. Elementos do grupo mantinham contactos e procuraram credenciação junto de organizações como o movimento de extrema direita português que foi liderado por Mário Machado, Nova Ordem Social. Pelo menos um membro do grupo esteve em Lisboa para contactos.

A informação é avançada pela revista italiana Today que dá conta dos contactos de membros desta associação com outros grupos do género noutros países europeus, tais como o “Aryan White Machine – C18 (grupo neonazi britânico que já atua noutros países e que foi interditado em alguns países onde é considerado uma organização terrorista ilegal) e também o Nova Ordem Social. Ligações diretas que aconteceram em Lisboa, na Conferência Nacionalista, a 10 de agosto, que tinha por objetivo promover uma aliança entre movimentos nacional-socialistas em países como Espanha, Itália ou França. Este encontro foi, na altura, monitorizada pelos serviços secretos portugueses.

Recorde-se que a Nova Ordem Social foi suspensa, por decisão de Mário Machado, há um ano, por falta de alguém que o substituísse nessas funções. E também porque existiam alguns partidos políticos que, segundo Machado, estariam a atuar “precisamente na mesma áreas”, referindo particularmente o PNR e o Chega — que nas últimas legislativas elegeu um deputado para a Assembleia da República, André Ventura.

A polícia italiana deu ainda conta que identificou na rede que planeava um movimento neonazi em Itália um discurso anti-semita, racista e xenófobo. No país, as autoridades aprenderam armas, explosivos, material de propaganda e também detiveram 19 pessoas que participavam na organização, no âmbito da operação Sombras Negras. No tweet publicado pela polícia italiano o movimento é descrito como “de inspiração neonazi, xenófoba, antisemita”.