À falta de utilitários eléctricos realmente acessíveis, os citadinos a bateria podem tornar-se uma excelente alternativa para quem pretende resolver a suas necessidades de locomoção em trajectos eminentemente urbanos, oferecendo uma bagageira razoável e lugar para quatro, com a vantagem de enquadrar tudo isto num orçamento abaixo de 20.000€, se considerarmos as ajudas governamentais e das próprias marcas. É esta a aposta do Grupo Volkswagen que, ao renovar os argumentos do e-up!, estendeu a solução também à Seat, com o Mii Electric, e à Skoda, com o Citigoe iV. Sucede que o primeiro modelo 100% eléctrico do fabricante checo está a dar algumas dores de cabeça aos que tratam de fazer as contas.

Fontes internas da marca confessaram a uma publicação local que cada Citigoe iV vendido representa um prejuízo entre 7.820 e 8.211€, dependendo do mercado. O citadino a bateria de Mladá Boleslav é comercializado por 22.370€ em Espanha, custa 23.290€ na Holanda e 18.765€ na República Checa – valores antes de descontar os incentivos aplicados.

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O curioso é que, apesar de o custo de produção ser superior ao valor pago pelo cliente, continuará a ser um bom negócio vender o Citigoe iV, pois a comercialização deste modelo ajuda a baixar a média do Grupo Volkwagen no que toca às emissões de CO2. O limite imposto pela União Europeia é de 95 g de CO2 por km, o que equivale a um consumo de 4,1 litros num gasolina ou de 3,8 litros num diesel, por cada 100 km. Valores dificilmente registados por qualquer motor térmico e, muito menos, se considerarmos a média da frota. Por isso, o facto de cada Citigoe iV retirar 95 g/ km de CO2 à média do grupo acaba por ser um exercício proveitoso por aquilo que representa para o conglomerado alemão não ter de pagar 95 euros de multa por cada grama excedido acima do tal limite de 95 g/km. Só isto garante uma economia de 9.025€, que depois há que multiplicar pelo número de unidades de Citigoe iV vendidos durante um ano.

Recorde-se que o Citigo eléctrico monta uma bateria de 36,8 kWh de capacidade, que alimenta o motor com 61 kW (83 cv) e um binário de 210 Nm. À luz do protocolo WLTP, a autonomia chega a 265 km, o que coloca o citadino checo praticamente em pé de igualdade, em matéria de alcance, com propostas mais caras, como o BMW i3 (260 km com bateria de 42,2 kWh) ou o Nissan Leaf (270 km com bateria de 40 kWh).