A Índia viveu esta segunda-feira várias manifestações e debates no Parlamento que exigiram o reforço das penas por violência sexual, após a recente violação em grupo e assassínio de uma jovem veterinária.

Com faixas onde se liam frases como “Pergunte, ouça e respeite”, “Que parte do ‘NÃO’ não entendeu?” ou “Não há sexo sem consentimento”, várias centenas de pessoas protestaram esta segunda-feira no centro de Nova Deli pelo fim dos ataques às mulheres.

Além disso, pediram investigações “rigorosas e rápidas” de casos de violência sexual e julgamentos “rápidos e justos” para os acusados, disse à EFE a secretaria-geral da Pragatisheel Mahila Sangathan (Grupo de Mulheres Progressistas, em hindi), uma das organizações que convocaram o protesto.

As manifestações também ocorreram em outras cidades da Índia, como Calcutá ou Hyderabad, onde na semana passada houve uma violação em grupo e assassínio que desencadeou esta onda de indignação em todo o país.

A vítima, uma veterinária de 26 anos, foi enganada por quatro homens, que primeiro furaram as rodas da sua motocicleta e depois, enquanto fingiam ajudá-la a consertá-la, levaram-na à força para uma habitação onde sofreu uma violação em grupo e, em seguida, foi asfixiada, tendo posteriormente o seu corpo sido regado com gasolina e queimado.

O deputado Revanth Reddy, representante oposicionista do Partido do Congresso no estado de Telangana, da qual Hyderabad é a capital, foi um dos participantes esta segunda-feira na manifestação de Nova Deli e publicou na sua conta no Twitter que é preciso “enforcar os culpados o mais rápido possível”.

O debate no hemiciclo do parlamento indiano também foi tenso, com pedidos contínuos de ação rápida contra os culpados, o mais exemplares possível, para impedir que atos como esse acontecessem novamente.

“Esse tipo de pessoa (violador) precisa ser apresentado em público e linchado”, disse a parlamentar e atriz Jaya Bachchan, do partido Samajwadi, mulher do ator de Bollywood Amitabh Bachchan. Jaya Bachchan não foi a única a solicitar ações violentas contra os violadores. “As quatro pessoas que cometeram esse crime devem ser enforcadas antes de 31 de dezembro”, disse a parlamentar Vijila Sathyanath, do partido regional AIADMK.

As leis contra agressões sexuais endureceram na Índia depois de uma jovem estudante universitária ter morrido após ser violada e torturada por seis homens num autocarro, em Nova Deli, em 2012. Entretanto, este endurecimento da lei não evitou que outros casos continuem a acontecer no país.