(em atualização)

Abaixo das projeções divulgadas às 22h de quinta-feira, mas, ainda assim, em linha com a tendência que descreviam. O Partido Conservador é o grande vencedor das eleições gerais britânicas. O Partido Trabalhista, em contrapartida, tem a derrota mais pesada, com apenas 203 deputados, quando falta apenas a contagem dos votos num único círculo eleitoral.

Foram precisas mais de 15 horas para contar os votos, tudo por causa do círculo de St Ives, que só ficou contabilizado ao final da manhã devido à dificuldade do barco que transportava a urna de uma ilha que faz parte daquele círculo do sudoeste inglês, e que não pôde navegar durante a noite por causa de uma tempestade. Os resultados oficiais — numa eleição que teve uma participação de 67,2% — revelam mudanças no parlamento, com muitos roubos de lugares entre os partidos. A maioria do Partido Conservador é uma das mais confortáveis das últimas décadas.

Partido Conservador, 365 deputados

O Partido Conservador conseguiu a maioria absoluta, com 365 deputados. Para isso, roubou lugares, sobretudo ao Labour — e mesmo círculos eleitorais como Blyth Valley, na chamada “muralha vermelha” e tradicionalmente trabalhista. Em contrapartida, também perdeu locais que tinha antes das eleições, como Gordon, vencido pelo SNP, ou Putney, nos arredores de Londres, perdido para o Labour.

Partido Trabalhista, 203 deputados

A grande derrota trabalhista a nível nacional fez-se de pequenas — mas muito simbólicas — derrotas locais. Os apenas 203 deputados representam a perda de círculos eleitorais onde o Partido Trabalhista sempre teve uma posição confortável. Um dos exemplos é Workington, círculo rural do norte de Inglaterra, trabalhista desde 1970, em plena muralha vermelha. Os números gerais das perdas de deputados trabalhistas são, aliás, os mais altos: no total, o Labour deixou escapar 42 assentos no parlamento.

SNP, 48 deputados

O SNP foi, provavelmente, a grande surpresa destas eleições. Espalhou uma mancha vermelha sobre a Escócia, mas também roubou lugares a outros partidos em locais menos inesperados. A candidata do SNP por Dunbartonshire East foi, aliás, responsável pela perda de lugar de Jo Swinson, a líder dos Liberais Democratas, ainda que por uma margem muito curta. Os nacionalistas escoceses chegam ao final destas eleições muito reforçados: Com 14 lugares roubados e 48 deputados na Câmara dos Comuns.

Lib Dem, 11 deputados

É possível fazer duas comparações entre os números dos Liberais Democratas. É certo que, entre as eleições de 2017 e as de agora, o partido ganhou XX. Comparando com o cenário na Câmara dos Comuns um dia antes deste 12 de dezembro, porém, a queda é grande. O Lib Dem tinha beneficiado de deserções nos outros partidos, conseguindo chegar aos deputados. Essa bancada é, agora, reduzida a 10 elementos. O lugar perdido mais simbólico é o da própria líder, Jo Swinson. Sem assento ficou também Chuka Umunna, antigo trabalhista, que se mudou para os liberais democratas, mas não conseguiu ser re-eleito.

DUP, 8 deputados

O DUP perde dois deputados, ficando agora com apenas 8. Entre os unionistas que deixam de se sentar na Câmara dos Comuns está o líder da bancada parlamentar, Nigel Dodds, que perdeu no seu círculo eleitoral, Belfast North, para o Sinn Féin.

Sinn Féin, 7 deputados

Com um assento perdido e outro roubado — o de Nigel Dodds, do DUP —, o Sinn Féin ficam com sete deputados. O mais provável é que, tal como tem acontecido, nenhum deles tome posse.

Verdes, 1 deputado

Sem grandes surpresas, os Verdes mantiveram o lugar que tinham na Câmara dos Comuns. Caroline Lucas voltou a ser eleita por Brighton Pavillion com 57,2% dos votos.

Teoricamente, para ter maioria na Câmara dos Comuns um partido terá de ter 326 deputados. Porém, há algumas características do sistema político britânico, tal como da realidade política do país, que alteram essas contas. Primeiro, porque um dos deputados terá de ser eleito speaker da Câmara dos Comuns e com ele terá uma equipa de outros três deputados. Estes quatro parlamentares não poderão votar na grande maioria dos casos. Depois, porque os deputados eleitos pelos nacionalistas da Irlanda do Norte, o Sinn Féin, não chegam a assumir os seus mandatos.

Nas eleições de 2017, a maioria ficou assim fixada, na prática, nos 320 deputados. Agora, nestas eleições, tudo dependerá dos deputados conquistados pelo Sinn Féin.